Relator inclui citações a Lula, Dilma e Temer
Brasília (AE) – O ministro Teori Zavascki, relator da operação “Lava jato” no Supremo Tribunal Federal, determinou ontem que trechos da delação do senador Delcídio Amaral (sem partido-MS) sejam incluídos no inquérito que tramita desde março do ano passado na Corte sobre a formação de quadrilha para atuação no esquema de corrupção na Petrobras. Chamado por investigadores de “quadrilhão”, o inquérito tem 39 investigados, até o momento, com parlamentares do PP, PT e PMDB, além de operadores do esquema.
Teori autorizou a juntada de cinco termos de depoimento do ex-líder de Governo, nos quais são citados, entre outras autoridades, a presidente Dilma Rousseff, o vice-presidente Michel Temer e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A decisão atende a pedido feito pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, e não torna os três formalmente investigados pelo STF. Para Janot, os esclarecimentos do delator “aperfeiçoam entendimento” sobre o esquema criminoso investigado
Ao pedir a juntada dos depoimentos de Delcídio ao inquérito, a Procuradoria aponta que a delação do senador foi um “inovador acordo” de colaboração premiada. Até agora, as delações faziam parte dos núcleos financeiro, administrativo ou econômico do esquema de corrupção na Petrobras, mas o ex-líder do governo avançou sobre o núcleo político.
De acordo com a Procuradoria, fazem parte do núcleo administrativo o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa e o ex-gerente executivo da estatal Pedro Barusco. O primeiro deles trata da “nomeação de Nestor Cerveró para a diretoria Internacional da Petrobras” e da “ingerência da presidenta Dilma Rousseff para a nomeação de Nestor Cerveró para a diretoria financeira da BR Distribuidora”, segundo a própria delação. No depoimento, Delcídio afirmou que, em 2003, começaram as discussões sobre quem seriam os diretores da Petrobras no primeiro Governo Lula. Segundo ele, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva já tinha o nome de Cerveró para a Diretoria Internacional e “inclusive Dilma, como então ministra das Minas e Energias, também estava de acordo”.
Delcídio narrou que o PMDB passou a ter força na Petrobras após o escândalo do mensalão, pois o Governo Lula precisava do apoio do partido para governar.
Lula na Casa Civil
O STF decidiu ontem adiar o julgamento sobre a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva como ministro-chefe da Casa Civil. Não há uma nova data prevista para discutir o tema, mas ministros da Corte indicaram não ver razão para tomar a decisão antes do desfecho do processo de impeachment da presidente no Senado.









