Greve de professor da UFJF completa 30 dias

Os estudante de Direito estão sem aulas
A Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) vive dias de contrastes. Embora a movimentação de veículos e pessoas se exercitando permaneça constante no círculo viário do campus, a realidade dos institutos e faculdades é de salas e corredores vazios, após 30 dias da greve dos professores da rede federal de ensino da cidade, completados hoje. A situação foi agravada pela deflagração do movimento grevista pelos técnico-administrativos da UFJF, há dez dias, que comprometeu o funcionamento de unidades como bibliotecas, restaurantes universitários, central de atendimento, secretarias, coordenações, laboratórios e setor de transporte. Serviços essenciais como os prestados nos hospitais universitários e de segurança estão mantidos.
A avaliação dos sindicatos que representam as duas categorias é de um movimento consistente. Segundo levantamento da Associação de Professores do Ensino Superior de Juiz de Fora (Apes), a adesão dos professores da UFJF, do Colégio de Aplicação João XXIII e do Instituto Federal de Educação do Sudeste de Minas (IF-Sudeste) chega a 95%. "A greve explicita a unidade da categoria em todo o Brasil, onde já existem cerca de 54 instituições federais paralisadas. Com ampla participação e conscientização dos professores", afirma Rubens Luiz Rodrigues, presidente da Apes. Levantamento do Sindicato dos Trabalhadores Técnico-administrativos em Educação das Instituições Federais de Ensino no Município de Juiz de Fora (Sintufejuf) indica que 90% dos servidores estão de braços cruzados.
Apesar de apresentarem pautas individuais de reivindicações, professores e servidores lutam por uma nova política salarial. Os docentes realizam assembleia hoje pela manhã para avaliar o primeiro mês do movimento grevista. Por outro lado, durante a semana, os servidores decidiram lacrar os pontos de todas as unidades das instituições de ensino federal. "Em greve, não se assina ponto", resumiu Lucas Simeão, coordenador-geral do Sintufejuf. Em nota, a UFJF destaca que "face ao atual cenário nacional de reivindicações das universidades federais frente o interesse de reposição salarial e planos de carreira das categorias institucionais, manifesta sua atenção e respeito às ações comprometidas com a garantia e manutenção da qualidade da educação pública."
Nova rotina divide alunos
A Tribuna percorreu, nos últimos dois dias, os corredores da UFJF nos turnos da manhã e noite. Em alguns locais, como nas faculdades de Direito, Odontologia e Medicina, Arquitetura e no Instituto de Ciências Humanas (ICH), a sensação é de vazio absoluto. Em outras, como na Comunicação Social, Economia e Engenharia Elétrica, ainda é possível identificar alunos mantendo a rotina de sala de aula. Mas, segundo os relatos de estudantes e funcionários, o movimento está pouco significativo se comparado à rotina normal das instituições.
Entre os alunos que continuam tendo aula, as opiniões também são contrastantes. "Há movimento pois aqueles que têm bolsa precisam vir até a faculdade. Também tem alguns professores dando aula. Temos a impressão de que 30% das aulas estão ocorrendo aqui. O aluno sai sempre perdendo, pois tem que comparecer na faculdade durante a greve e depois repor as aulas perdidas. Quem mora fora não pode ir embora", avalia Michele Ferreira, 20 anos, aluna de Comunicação Social. Por outro lado, Diego Samuel Reis, 22, estudante de engenharia elétrica, aprova a manutenção das aulas. "Dos meus 34 créditos neste semestre, em 32 as aulas estão normais. Essa está sendo a rotina aqui na faculdade. Isso é bom, pois o período letivo vai terminar dentro do previsto."









