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Cidade tem oito pré-candidatos à PJF


Por EDUARDO MAIA

19/06/2016 às 07h00- Atualizada 19/06/2016 às 08h53

Ainda que partidos tenham um prazo maior para realizar suas convenções e bater o martelo sobre as candidaturas às eleições municipais deste ano, as peças já estão se movimentando no tabuleiro eleitoral. Oito nomes se postulam como pré-candidatos à vaga hoje ocupada por Bruno Siqueira (PMDB), número que, se confirmado, pode ser o maior dos últimos pleitos, quando a média de concorrentes variou entre quatro e cinco. Os nomes já postos são do próprio chefe do Executivo, que busca a reeleição, de Margarida Salomão (PT), Noraldino Júnior (PSC), Lafayette Andrada (PSD), Wilson da Rezzato (PSB), Wadson Ribeiro (PCdoB), Eduardo Lucas (PPS) e Victória Mello (PSTU). O prazo máximo para a realização das convenções partidárias e definição do candidato é 5 de agosto, enquanto o início da propaganda eleitoral ocorre no dia 16.

Embora o cenário seja de incertezas, como apontam interlocutores dos partidos, e ainda exista um prazo maior para que as conversas tenham um desfecho, algumas coligações já são dadas como certas, incluindo alianças entre partidos que já se enfrentaram de forma dura em disputas anteriores, como PMDB e PSDB. Da coligação com o PT, que apresentava uma ampla rede de alianças na última campanha, duas outras candidaturas devem surgir, uma pelo PSB e outra pelo PCdoB. Já as legendas que antes não haviam disputado o Executivo, como PSD e PSC, compondo chapa com Bruno ou Custódio no último páreo, terão nomes para cabeça de chapa desta vez.

Dessa vez, Bruno tentará a reeleição com um rol de alianças bem diferente da coligação com a qual disputou a Prefeitura em 2012. Ele terá como um dos principais aliados o PSDB, encabeçado em Juiz de Fora pelo presidente da Câmara, Rodrigo Mattos. Pela primeira vez, em doze anos, os tucanos não terão candidato próprio à PJF. A última vez que o partido não encabeçou chapa foi em 2000, quando disputou a vaga de vice com Marcelo Frank na chapa de Renê Mattos (PSB), que ficou em terceira lugar no pleito. Nos anos seguintes, obteve êxito com Custódio Mattos, eleito em 2008, mas que ficou fora do segundo turno em 2012.

Entre os vices cogitados para o peemedebista, estão os nomes do coronel reformado da PM Ronaldo Nazareth, do cientista social Barbosa Júnior e do médico Antônio Almas. A candidatura também tem o peso do apoio do vice-governador Antônio Andrade, do qual Bruno é parceiro de longa data. Entre os parlamentares, a candidatura conta com aprovação dos deputados estadual Isauro Calais (PMDB) e federal Marcus Pestana. Na esfera municipal, três vereadores do PMDB, Antônio Aguiar, Julio Gasparette e Ana do Padre Frederico e dois tucanos, Rodrigo Mattos e José Laerte (PSDB), caminham juntos. Também devem selar o apoio ao atual prefeito o vereador Léo de Oliveira (agora no PTB) e José Márcio (Garotinho-PV), que integraram a base governista desse mandato.

A aliança do PSDB com o PMDB deixa de fora o PDT e o PPS, parceiros antigos dos tucanos em pleitos municipais anteriores e no plano estadual. Agora sem representação parlamentar na Câmara Municipal, com a saída de Ana do Padre Frederico e Fiorilo, o PDT tem como nome influente no diretório Vítor Valverde, aliado de primeira hora do prefeito de Belo Horizonte, Márcio Lacerda (PSB), e que tentou, há alguns meses, uma coligação com os tucanos, sem sucesso. Já o PPS, em articulações capitaneadas pelo deputado estadual Antônio Jorge, ainda aposta em candidatura própria do engenheiro Eduardo Lucas. No entanto, a proposta ainda está em construção e depende do aval do próprio partido. Já o DEM, que também seguia com os tucanos nos últimos páreos, ainda não se definiu.

Margarida tenta o Executivo pela 3ª vez

A deputada federal Margarida Salomão (PT) tentará pela terceira vez uma vaga na Prefeitura, em uma possível dobradinha com o PROS, partido que compôs a base aliada do Partido dos Trabalhadores nos planos federal e estadual. O vereador Chico Evangelista pleiteia a vaga de vice em conversas já avançadas, tendo como principal fiador o ex-ministro do Esporte e deputado federal George Hilton (que se filiou ao PROS em abril, quando foi aberta a janela partidária). Apesar de praticamente selada a aliança, setores internos do PT municipal têm apresentado resistência ao nome de Chico como vice.

O PSB, que na última eleição compôs com o PT, indicando José Roberto Maranhas para a vaga de vice da chapa de Margarida, dessa vez terá candidatura própria, o engenheiro Wilson Rezende, sócio-proprietário da construtora Rezzato. O distanciamento entre as legendas se iniciou em 2013, quando Eduardo Campos (morto em 2014) deixou a base do Governo Dilma Rousseff (PT), influenciando no cenário local. O nome de Wilson tem como fiadores o deputado federal Júlio Delgado e seu pai, o ex-prefeito Tarcísio Delgado, inclusive com aparições públicas consideráveis nos últimos meses. O grupo vem conversando com legendas como o PPS, cogitando uma aliança com o partido de Antônio Jorge, no entanto, sem revelar possíveis vices para Wilson. Jucelio Maria e Cido Reis, vereadores desta legislatura, devem se empenhar na campanha.

Partido que caminha junto com o PT no cenário nacional e compôs a coligação de Margarida em 2012, o PCdoB também lançará candidatura própria, tendo o ex-deputado federal Wadson Ribeiro na disputa. Os comunistas ainda estão em conversas com partidos como o PR, presidido em Juiz de Fora pelo ex-vereador Romilton Faria, que já foi cotado para vice. O PR também já teve conversas com Noraldino, no entanto, ao condicionar o apoio à vaga de vice, o deputado estadual preferiu a chapa puro sangue.

Três partidos da frente de esquerda também mantêm conversas para uma possível aliança que se consolide em uma candidatura. PSTU, PSOL e PCB dialogam a fim de compor uma chapa, mas ainda sem definições. Os partidos têm caminhado de forma unificada em lutas pelos direitos de trabalhadores, atuando contra medidas tomadas pelos governos Dilma e Michel Temer. Sem adiantar nomes, mas certo de que deverá seguir orientação nacional do partido, o PSTU cogita relançar o nome de Victória Mello, que disputou vaga pelo Executivo na última eleição municipal.

Deputados estaduais também buscam vaga

Confirmando as expectativas pela sua candidatura, o deputado estadual Noraldino Júnior (PSC) irá disputar a cadeira do Executivo municipal. Ele aposta em um discurso de mudança e, segundo interlocutores, busca atrair partidos para uma aliança baseada em um projeto de governo, sem troca de favores ou cargos. As conversas ainda estão abertas com as legendas, mas a tendência é de que o delegado da Polícia Federal em Juiz de Fora, Cláudio Dornellas, assuma realmente a vaga de vice. O partido de Noraldino tem hoje uma base com quatro vereadores na Câmara, incluindo José Emanuel, Oliveira Tresse, André Mariano e Vagner de Oliveira, o que deve dar peso à disputa. Em conversas já avançadas, o deputado já estaria fechado com PMB, PEM, PTN e PHS.

O deputado estadual Lafayette Andrada (PSD) entra em campo pela primeira vez na disputa pela cadeira do Executivo. Em conversas já avançadas, o parlamentar deve ter como vice o presidente licenciado da Associação Comercial, Aloísio Vasconcelos, do PSL. O PTC, que antes compunha a base de Bruno na Câmara, com três vereadores, Pardal, José Fiorilo e Nilton Militão, também deverá integrar a coligação. Com o revés na aliança, a candidatura do ex-tucano ganha força. Na disputa de 2012, o PTC estava coligado com Custódio Mattos (PSDB) no primeiro turno e apoiou Bruno Siqueira no segundo, integrando a base do governo ao longo do seu mandato, inclusive tendo como líder o vereador Pardal (PTC).