PMDB é favorito à presidência
Depois de reconquistar o comando da Prefeitura após oito anos, o PMDB está prestes a retomar também o controle da Câmara Municipal, posto ocupado pela última vez no biênio 2009-2010 pelo agora prefeito eleito Bruno Siqueira. A saída do vereador Isauro Calais (PMN) oficialmente da disputa pela presidência da Casa e o fechamento de acordo entre os dois partidos em torno do nome de Júlio Gasparette (PMDB), confirmados nesta última semana, colocaram os peemedebistas mais próximos de chefiar tanto Executivo quanto Legislativo na cidade. Na atual composição de forças no Palácio Barbosa Lima, o favoritismo de Gasparette – que já havia se mostrado hábil na costura de alianças em torno do nome do presidente Carlos Bonifácio (PRB) na eleição da Mesa Diretora de dois anos atrás, da qual é o primeiro vice-presidente – atraiu de antigos a novatos, passando pelos dois principais nomes que, num primeiro momento, foram apontados como seus adversários: o próprio Isauro e o vereador Noraldino Júnior (PSC). "Pelo bem de Juiz de Fora, meu apoio vai para alguém da nossa coligação", declarou Isauro na quarta-feira. "Meu voto vai para o Júlio Gasparette."
A candidatura do vereador do PMN, que já foi presidente da Casa por quatro anos e saiu das urnas como o parlamentar mais votado deste pleito, era apontada não só como certa, mas como preferida tão logo terminou o primeiro turno. No entanto, se havia alguma condição de ele voltar à cadeira mais alta do Legislativo, ela foi totalmente desidratada pela articulação conduzida por Gasparette. Logo de cara, o atual vice-presidente se fiou no fato de seu partido ter conservado a maior bancada (mantendo as atuais três cadeiras), nas adesões quase imediatas de Rodrigo Mattos (PSDB) e João Evangelista de Almeida (João do Joaninho, DEM) – que provavelmente vai permanecer na Mesa Diretora pelo terceiro biênio consecutivo – e, segundo informações, na garantia de dois votos dada nos últimos dias pela direção municipal do PSC, o que minou de vez as pretensões de Noraldino. Até se chegou a cogitar que Isauro fosse o candidato do Governo agora para, daqui a dois anos, dar espaço para Gasparette. Acontece que, como em sua primeira gestão na presidência ele conseguiu que fosse aprovada a possibilidade de reeleição – extinta após o escândalo com Vicente de Paula Oliveira (Vicentão, PTB) -, a suposta solução ideal foi vista com reticência pelo PMDB. O recuo do PMN em prol do PMDB, porém, deve ser cobrado mais tarde, já que Isauro quer ser o candidato da PJF a deputado estadual em 2014. Antes disso há quem aponte que, no lugar da presidência, ele deve ocupar a liderança do Governo Bruno.
Com o entendimento entre PMDB e PMN e a entrada de Isauro no bloco, após declarar apoio a Gasparette na última quarta-feira, ficariam faltando apenas dois votos para que o peemedebista conquistasse a maioria absoluta do parlamento. Nos bastidores, porém, é dado como certo que ele já conta com o engajamento de pelo menos dois novatos: Cido Reis (PPS) e Nilton Militão (PTC), além de um possível aval do petista Wanderson Castelar. Confirmada a junção de pelo menos dois, os envolvidos na composição nem pleiteiam convencer mais ninguém, já que, nesse jogo, uma das peças principais é o rateio de cargos comissionados na Casa, preenchidos – com funcionários antigos ou novos – por indicação dos próprios vereadores. Dessa forma, o interesse dominante é de que a vitória seja assegurada com o mínimo de alianças necessárias para garantir a maioria absoluta e, ao mesmo tempo, não repartir o bolo entre gente demais.
Tanto Cido e Militão quanto Castelar participaram de jantar do grupo realizado no início da semana passada. Até então, os dois estreantes vinham se encontrando com outra fatia da Câmara, cuja tentativa de viabilizar uma chapa está sendo articulada pelo vereador Francisco Evangelista (PP) e pelos pedetistas Ana das Graças Rossignoli e José Fiorilo. Uma das hipóteses para a oposição, levantada dentro e fora do Barbosa Lima, é o "chega para lá" dado no PDT por Bruno Siqueira durante a campanha do segundo turno. No entanto, dentro da própria sigla, sabe-se que o recado, na ocasião, foi específico para o presidente da legenda e ex-secretário de Administração e Recursos Humanos do Governo Custódio Mattos (PSDB), Vitor Valverde, e não para todo o partido. Como as relações com Valverde são controversas mesmo dentro do PDT, a maior aposta é de que a montagem de outra chapa não signifique uma indisposição ao PMDB ou ao prefeito eleito, mas pessoalmente a Gasparette, considerado truculento por alguns vereadores e servidores da Câmara.
Novatos minam estratégia do PDT
A princípio, a intenção desse grupo era lançar Chico Evangelista como candidato. O foco, contudo, foi estrategicamente deslocado para Ana Rossignoli em função de ela ser mais velha que todos os outros 18 eleitos para a próxima legislatura. A tática era garantir o voto de nove vereadores. Para isso, a conta incluía, além de Chico, Ana, Fiorilo, Cido e Militão, também Luiz Otávio Coelho (Pardal, PTC), José Márcio (Garotinho, PV), Jucélio Maria (PSB) e Castelar, que chegou a participar de uma das reuniões. Nesse cenário, tomando como certeza a possível abstenção de Roberto Cupolillo (Betão, PT), Ana e Gasparette ficariam empatados. E o critério de desempate, pelo Regimento Interno da Casa, é a idade. Com isso, a vitória seria dela.
Todavia, o fato de Cido e Militão terem sido incorporados, ao menos nas conversas de bastidores, ao rol de apoiadores de Gasparette, joga água nesses planos. E nem se trata de uma reviravolta inesperada, visto que, diante da vantagem de um candidato – ainda mais um apoiado pelo Executivo -, o baixo clero costuma temer a perda de "benefícios" – desde a possibilidade de indicação de cargos até o atendimento de requerimentos e o respaldo a projetos pela PJF – caso fique do lado contrário.
A mudança de planos complica as chances de uma vitória da chapa de oposição mesmo que a bancada petista inteira, e não somente Castelar, apoiasse o grupo encabeçado pelo PDT. De qualquer forma, a postura do PT vai demonstrar como será a atuação de seus dois vereadores remanescentes. Ninguém acredita que Betão votará em algum dos candidatos. Pertencente a uma tendência mais à esquerda dentro do próprio partido, o professor e sindicalista se absteve há dois anos, quando Carlos Bonifácio foi eleito, contrariando a posição de seus companheiros de legenda, Castelar e Flávio Cheker, que votaram em José Laerte (PSDB). Diferentemente de Betão, todavia, Castelar está sendo cortejado pelas duas alas e não esconde que, a convite, participou de conversas com ambas.
"Já fui a duas reuniões e se trata de uma decisão pessoal de não ficar totalmente alheio. Desde que o PT virou um partido do poder, que tem um projeto nacional, que tem planos de eleger o governador do estado daqui a dois anos, que tinha planos até outro dia de ganhar a Prefeitura de Juiz de Fora, acho que devemos ouvir todos os lados", afirmou Castelar. "Temos três alternativas: tentar formar uma chapa, como foi aventado pelo Betão, o que é mais difícil; optar por um dos grupos; ou nos abster, no entendimento de que nenhum deles contempla nossas reivindicações, que incluem concurso público na Câmara, transparência e um ponto que eu tenho falado, embora não seja consensual com o PT, que é qualificar quadros técnicos no Legislativo para acompanhar o orçamento."
Executiva do PT deve se posicionar
A Executiva do PT deve convocar uma reunião para discutir partidariamente qual será o posicionamento da bancada no processo sucessório da Mesa Diretora. Na opinião de Castelar, entretanto, a sigla "não deve ficar abusando da abstenção". "Estou vinculando minha decisão à do PT. Mas acho que a gente sempre deve buscar a participação, buscar a diferenciação, porque alguma deve haver. Fazer da disputa pela presidência da Câmara uma espécie de terceiro turno das eleições municipais não faz sentido, porque Legislativo e Executivo são poderes independentes – ainda que essa independência seja sempre imprecisa", ponderou.
"Se não fosse o entendimento, o Lula não teria sido presidente, a Dilma (Rousseff) não seria presidente… Só não queremos legitimar processos e nomes que não se afinem com alguns critérios, mas podemos ser fiéis da balança."









