Ouça agora

Dilma diz que dará apoio irrestrito a plebiscito


Por Tribuna

17/08/2016 às 07h00- Atualizada 17/08/2016 às 13h17

Presidente afastada disse não poder ser condenada pelo

Presidente afastada disse não poder ser condenada pelo “conjunto da obra” (Roberto Stuckert Filho/PR)

Brasília (AE) – A nove dias do julgamento final no processo do impeachment, a presidente afastada, Dilma Rousseff, divulgou ontem uma carta de quatro páginas, na qual disse não poder ser condenada pelo “conjunto da obra”, defendeu um pacto pela unidade nacional e manifestou apoio a um plebiscito para antecipar as eleições presidenciais de 2018. Batizada de “Mensagem ao Senado Federal e ao Povo Brasileiro”, a carta trata o impeachment como “golpe” e diz que as denúncias contra a petista são “frágeis e inconsistentes”. “Não é legítimo, como querem os meus acusadores, afastar o chefe de Estado e de governo pelo ‘conjunto da obra’. Quem afasta o presidente pelo ‘conjunto da obra’ é o povo e, só o povo, nas eleições”, disse.

Muitas vezes criticada até por aliados pela dificuldade em reconhecer erros, Dilma afirmou que na sua “jornada” para se defender do impeachment ouviu “duras críticas” ao Governo, “a erros que foram cometidos e medidas políticas que não foram adotadas”. “Acolho essas críticas com humildade para que possamos construir um novo caminho”, disse. A presidente afastada afirmou ainda esperar que o Senado encerre o processo de impeachment “reconhecendo diante das provas irrefutáveis que não houve crime”. “Sou inocente”, afirmou. Dilma disse que seu afastamento definitivo “seria um inequívoco golpe seguido de eleição indireta”.

“Estou convencida da necessidade e darei meu apoio irrestrito à convocação de um plebiscito, com o objetivo de consultar a população sobre a realização antecipada de eleições, bem como sobre a reforma política e eleitoral.” Dilma afirmou que a carta dirigida à população e aos senadores expressava o seu compromisso com a democracia e que seu retorno à Presidência significará a afirmação do Estado Democrático de Direito. “A democracia é o único caminho para sairmos da crise”, disse.

Minutos após a divulgação da carta, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), afirmou que a Casa – no momento de conflagração nacional – vai cumprir o seu papel constitucional. Ele destacou que, como presidente do Senado, trabalhará para manter a isenção durante o julgamento, que será comandado pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski. “O julgamento começará no dia 25, deve se estender por três ou quatro dias e eu não tenho nenhuma dúvida – e como os senhores sabem – o presidente do Senado é apenas produto do que o Senado quer e pensa. O Senado vai cumprir o seu papel”, disse.