Trabalhadores da Cesama votam indicativo de greve no dia 23

Servidores se reuniram em frente à Prefeitura
Atualizada às 20h35
Os trabalhadores da Cesama aprovaram nesta quarta-feira (16) a votação do indicativo de greve para o próximo dia 23, quarta-feira, quando a categoria fará paralisação dos serviços. Até lá, o movimento segue com a Operação Tartaruga, deflagrada na última segunda-feira. A decisão foi tomada em assembleia realizada ontem, em frente à Câmara Municipal, onde os funcionários rejeitaram, mais uma vez, o novo plano de empregos, carreiras e salários proposto pela direção da companhia. Na mobilização, além de apitos e gritos de guerra, os servidores ainda carregaram um caixão para o enterro simbólico do atual diretor-presidente da companhia de água, Cláudio Horta.
A proposta da empresa, segundo a assessoria da Cesama, visa a "equacionar os salários atuais com os do mercado de saneamento", através, entre outras medidas, da implantação de remuneração variável por participação nos resultados (6% do lucro líquido), feita igualitariamente entre todos os empregados efetivos. "Assim, os empregados com menores salários poderão receber, a cada ano, um 14º, 15º e até um 16º salário, já que a participação nos resultados garante mais eficiência."
Entretanto, o Sindicato dos Empregados nas Indústrias e Serviços de Purificação e/ou Distribuição de Água e Serviços de Esgoto (Sinágua) afirma que o plano acarreta prejuízo, por, entre outras questões, reduzir o triênio de 7,5% para 3,5%. "A Cesama tem o menor salário inicial no serviço público municipal, de R$ 624, enquanto a atual direção ganha mais de R$ 14 mil", destacou o presidente do Sinágua, Ednaldo Ladeira. As principais reivindicações da categoria são a definição da data-base e o reajuste linear de 28%.
Não foi só esse impasse que levou os servidores a aprovarem o indicativo de greve, que será votada no quarta. Além de indignados com a reapresentação do plano de empregos – já rejeitado anteriormente -, os funcionários ainda reclamaram da mudança, de última hora, do horário de reunião com a empresa. Eles também questionaram o fato de, na própria terça, a direção da Cesama ter acionado o Ministério do Trabalho para mediar as discussões. "Falaram que estão abertos à negociação, mas marcaram uma reunião para as 9h sendo que, no dia anterior, já tinham chamado mediador. Isso é estar aberto para negociar?"
Passeata e apitaço nas ruas
Assim que foi votado o indicativo de greve, os trabalhadores seguiram em passeata e apitaço pela Avenida Rio Branco até o prédio da Cesama, na esquina com a Avenida Getúlio Vargas. O trânsito na pista de carros em direção ao Manoel Honório chegou a ficar interrompido por cerca de meia hora. No entanto, na concentração em frente à sede da empresa, os manifestantes liberaram o tráfego em meia pista. Depois, seguiram até a Prefeitura, passando, por orientação da Polícia Militar (PM), pela Rua Benjamin Constant e pela Avenida Brasil. Os trabalhadores foram impedidos pela PM de entrar no pátio da Administração, com a justificativa de que a medida não se devia a uma determinação da PJF, mas do condomínio, uma vez que no local também funciona a MRS.
Após quase uma hora de espera, uma comissão de cinco integrantes do Sinágua foi recebida pelo secretário de Administração e Recursos Humanos, Vitor Valverde. Na rápida conversa, Valverde apenas reafirmou a autonomia da Cesama para conduzir a negociação. "A empresa é do Município, mas é um organismo independente. Não é competência da Administração Direta fazer essa discussão. É uma negociação que tem que se dar no campo da empresa. Vocês têm agora é que aguardar a reunião com o Ministério do Trabalho." O sindicalistas questionaram se o prefeito Custódio Mattos (PSDB) concorda com as medidas propostas pela direção da Cesama. "A diretoria da Cesama tem toda autonomia e confiança do prefeito e do município", respondeu Vítor.
Em nota, a assessoria da Cesama informou que o plano de empregos foi elaborado "a partir do plano atual e de estudos realizados pela empresa desde 2002", incorporando, também, sugestões dos empregados e itens pendentes da pauta de reivindicações do sindicato. Sobre a intermediação do Ministério do Trabalho, afirmou ainda que, "levando em conta o impasse nas negociações e a comunicação pelo sindicato de ‘operação tartaruga’ e indicativo de greve, conveniente solicitar a mediação das negociações.









