‘PJF paga a médicos preço de mercado’
Um dia após os médicos da rede pública municipal votarem pela permanência do movimento grevista, o prefeito Custódio Mattos (PSDB) considerou que, no caso dos profissionais ligados ao setor de urgência e emergência, o salário pago atualmente pelo município é compatível com os valores praticados no mercado de trabalho. Em relação à atenção primária à saúde, que envolve os médicos da Estratégia Saúde da Família (ESF), ele avaliou a situação como satisfatoriamente resolvida com a elevação dos vencimentos para R$ 7.500 e a criação de plano de carreira específico. Por fim, ao tratar das consultadas realizadas no PAM-Marechal, o prefeito colocou-se aberto à discussão sobre a flexibilização no cumprimento da carga horária, mas sem qualquer alteração na questão do ponto biométrico. As declarações foram dadas na tarde de ontem, durante lançamento do projeto 100% SUS Juiz de Fora, que prevê ampliação de leitos para o município e ontem já contou com a adesão do Hospital e Maternidade Therezinha de Jesus (HMTJ) por meio de convênio com a Prefeitura.
Custódio fez suas considerações sobre a greve dos médicos quando provocado por jornalistas. Ele começou falando que respeita os profissionais na luta por melhorias salariais e das condições de trabalho. Em uma breve conversa com o secretário de Saúde, Cláudio Reiff, que também participava da solenidade, o prefeito mencionou a questão da legalidade do movimento grevista, mas recuou ao considerar o assunto como prerrogativa do Ministério Público. Em seguida, reconheceu a existência de problemas no setor e lamentou não possuir recursos financeiros para resolver tudo de uma só vez. Depois, ele mudou o tom para chamar atenção quanto ao eventual risco de uso político da situação.
Para o presidente do Sindicato dos Médicos, Gilson Salomão, o salário inicial de R$ 4 mil pago hoje na urgência e emergência por meio de decreto não contempla a categoria. Nossa reivindicação é por um salário digno, com plano de carreira com progressão horizontal e vertical. Quanto à proposta de flexibilização da jornada, o dirigente afirmou que o procedimento já existe atualmente e foi implantado na primeira gestão de Custódio (1993-1996) no projeto Agenda real. Na prática, ele (Custódio) está apenas regulamentando uma coisa que já existe. Salomão negou também que a situação dos médicos do ESF esteja caminhando para uma solução. Os profissionais do Saúde da Família foram na assembleia e deixaram claro que o salário e o plano de carreira propostos pela Administração não os contempla. O presidente do Sindicato dos Médicos repeliu qualquer viés político no movimento. Temos um acordo de greve que há dois não é cumprido.









