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Reitor enfrenta cortes financeiros


Por EDUARDO MAIA

09/04/2016 às 07h00- Atualizada 09/04/2016 às 16h29

Em meio a um cenário econômico crítico para as universidades federais, o novo reitor da UFJF, Marcus David, anunciou ontem à imprensa os nomes que irão compor a equipe de pró-reitores na gestão de 2016 a 2020 (ver quadro). Empossado em Brasília na última quarta-feira, o professor propôs uma estrutura composta por oito pró-reitorias, com três pró-reitores adjuntos, e cinco diretorias para a universidade. Além delas, Marcus David anunciou também o novo secretário geral da UFJF e a chefe de gabinete. O anúncio foi feito após a reunião do Conselho Universitário (Consu), na qual também o professor Marcos Chein entregou sua carta de renúncia ao cargo de vice-reitor. Na próxima semana, o órgão irá convocar uma reunião para eleger uma lista tríplice para a vice-reitoria, a ser encabeçada pela professora Girlene da Silva, eleita junto com Marcus David em fevereiro deste ano.

Na conversa com os jornalistas, David elencou alguns desafios que deverá enfrentar na gestão, levando em conta os cortes financeiros efetuados pelo Governo federal e o contingenciamento do custeio da instituição. Dos recursos destinados à manutenção da universidade, estão garantidos apenas 80% dos R$ 83 milhões previstos para 2016. O valor inclusive já é considerado insuficiente, quando comparado a anos anteriores. Já para os recursos de capital, ou seja, de investimentos em obras e equipamentos, o contingenciamento foi mais profundo, chegando a 60%. Dos R$ 40 milhões previstos, a UFJF pode contar apenas com R$ 16 milhões.

O novo reitor espera que seja aprovada a flexibilização da meta de superávit no Congresso Nacional, para que o MEC possa liberar o percentual contingenciado. “A gente assume com essa indefinição: temos liberado apenas 80% do nosso orçamento de custeio, com a possibilidade de chegar aos 100%, caso esse cenário se reverta, e o Governo libere. O orçamento 2016 é equivalente ao de 2015, que é sabidamente muito difícil para a universidade, que já passou por uma série de ajustes”, analisa.

A fim de dar ciência à comunidade acadêmica sobre as dificuldades que estão por vir, Marcus David aposta na realização de um amplo diagnóstico da situação orçamentária e financeira da universidade, bem como das obras inacabadas. Ele afirma não se tratar de uma auditoria, mas de uma avaliação técnica. A proposta inclui ainda a criação de um comitê com participação dos estudantes a princípio e mais adiante de um portal da transparência interno, com explicações simplificadas a toda a comunidade acadêmica. “Ainda não precisei a data ao Consu, mas é fundamental que isso ocorra muito rapidamente. É a partir deste diagnóstico que iremos definir as estratégias imediatas. Não podemos esperar.”

Chein se despede

No exercício do cargo de reitor durante os últimos quatro meses, após a renúncia de Júlio Chebli em novembro do ano passado, o professor da Faculdade de Direito, Marcos Chein, entregou ontem sua carta de renúncia ao Consu e fez o seu último discurso durante a reunião. No texto, afirma que nunca teve motivos para renunciar ao cargo que lhe foi outorgado, mas viu a necessidade de permanecer na função quando houve a renúncia de seu companheiro de chapa.

“De fato, naquele momento, percebia que havia, ao contrário, um chamado para permanecer e estabelecer um ambiente de serenidade e de segurança para que o processo de escolha de novos gestores e de transição fosse o menos traumático para toda a instituição. Era essencial que contratos, licitações, bolsas entre outros fossem realizados em prol do regular andamento das atividades universitárias”, diz.

O professor demonstrou sua sensação de missão cumprida dentro dos objetivos propostos. “Creio ter sido fiel a toda comunidade da UFJF quando, ao fim de todas as minhas forças, mantive-me até o último dia de transição para que esta fosse realizada de forma aberta,democrática e, sobretudo, transparente”, disse. Por fim, desejou que Marcus David e Girlene sejam fiéis aos princípios democráticos, tendo resiliência para tornar a universidade “um espaço de emancipação, diálogo constante e, sobretudo, de respeito e de afeto pelo outro”.

Chein irá transmitir o cargo a Marcus David em solenidade no Cine-Theatro Central no dia 15 de abril, às 20h.

 

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