Partidos ganham novos nomes para eleição


A prática não é novidade. Contudo, diante da grave crise política e de representatividade pela qual passa o país, os diretórios municipais dos partidos políticos estabelecidos em Juiz de Fora parecem apostar em nomes alheios à política tradicional em busca de apoio do eleitorado. A estratégia visa conquistar o maior número possível das 19 cadeiras legislativas em jogo, seja pela eleição dos novos filiados ou para amealhar votos suficientes para o sucesso de velhos nomes do cenário político local e, até mesmo, para ajudar a reeleger os atuais parlamentares. Ao todo, as legendas angariaram 787 novos quadros entre 1º de janeiro e 4 de abril – prazo final para a inscrição partidária daqueles interessados em disputar o pleito de outubro. Entre lideranças de vários segmentos, muitas fichas foram empenhadas em nomes de autoridade locais, referências de instituições públicas e privadas.
Entre as filiações de última hora de autoridades, aparece o nome do delegado licenciado Rodrigo Rolli, que acertou seu ingresso no PRB. Também com atuação como delgada no currículo, Sônia Parma deve voltar à disputa, agora pelo PTB. A mesma legenda, que atua na Câmara pelo mandato do vereador Léo de Oliveira (PTB), foi escolhida pelo juiz aposentado José Armando Pinheiro da Silveira. Já o ex-comandante da 4ª Região de Polícia Militar, Ronaldo Nazareth, teve sua inscrição regularizada no PSDB e é cotado, inclusive, para ser indicado como candidato a vice-prefeito do projeto de reeleição do prefeito Bruno Siqueira (PMDB), caso a provável dobradinha entre peemedebistas e tucanos seja de fato confirmada.
Autoridades de setores atuantes na sociedade civil também figuram como apostas para possíveis candidaturas. Presidente do Sindicomércio de Juiz de Fora, Emerson Beloti se filiou ao PPS. Com ligações com a Associação pelo Meio ambiente de Juiz de Fora (AMA-JF), Theodoro Guerra assinou com o PSB. Da mesma forma, o presidente da Associação Comercial, Aloísio Vasconcelos fechou questão com o PSL. Assim como o ex-comandante Ronaldo Nazareth, Vasconcelos é cotado para além da disputa por cadeiras no Poder Legislativo e é apontado nos bastidores da política municipal como um possível candidato a vice-prefeito em chapa encabeçada pelo deputado estadual Lafayette Andrada (PSD).
As apostas em torno de nomes alheios ao cotidiano da política local – os chamados “outsiders” – não param por aí. Em sintonia com as tendências de matizes religiosas que vêm ganhando espaço na política nacional, o PRB filiou duas lideranças evangélicas locais: Gilmar Garbero (Igreja Batista Resplandecente Estrela da Manhã, Ibrem) e Abraão Ribeiro (Casa da Benção). Por outro lado, o PT angariou a adesão do sindicalista ligado ao Sindicato dos Servidores da da Polícia Civil de Minas Gerais, Marcelo Armstrong. Os esportistas Alexandre Ank (PMB) e Roberta Stopa (PV) também ficaram aptos a lançar candidatura na reta final do prazo de filiação; assim como os comunicadores Jair Macedo (PSC) e William Boy (PTN); o músico Tuka Esterce (PMDB); além do irmão do deputado federal Marcus Pestana (PSDB), Márcio Augusto Pestana (PPS); da neta do ex-deputado estadual Clodesmidt Riani, Rosi Riani (PSL); do filho do vereador Chico Evangelista, Charlles Evangelista (PP) e da filha do ex-vereador Wilson Jabour, Angelina Jabour (DEM).
Ex-vereadores e ex-secretários também se movimentam
As filiações de última hora não se resumem a novas apostas. Nomes conhecidos da política juiz-forana e até mesmo consagrados nas urnas em eleições anteriores buscaram novas casas em esforço para reencontrar um espaço no Poder Legislativo. Cinco ex-vereadores definiram suas filiações este ano a tempo de estar regularizados para o pleito de outubro. Detentora de um mandato na Câmara entre 1997 e 2000, Sueli Reis assinou com o PDT, após ter obtido 1.933 votos nas eleições de 2012, quando saiu candidata pelo PSDB. Outro que tenta voltar à Câmara, Cidão dos Esportes (Aparecido de Jesus) acertou com o PRTB. Cidão chegou a integrar a legislatura 2005 e 2008 e, há quatro anos, obteve 1.511 votos pelo PTC. Quinto mais votado nas eleições passadas com 4.003 votos – não conseguiu a reeleição por conta do quociente eleitoral – o Pastor Carlos Bonifácio (vereador por dois mandatos entre 2005 e 2012, chegando a presidir a Câmara) trocou o PRB pelo PMN. Antes, todavia, acumulou uma breve passagem pelo PR ainda este ano.
Outros ex-vereadores também estão de casa nova, caminho definido nos primeiros meses desse ano. Com três passagens pela Câmara (1971-1972 /1973-1976 / 1989-1993), Luiz Sefair se filiou ao PSB. Cumprindo dois mandatos entre 1999 e 2000, Barbosa Júnior acertou como PSDB. Com três legislaturas consecutivas na bagagem, entre 1997 e 2008, Romilton Faria acertou com o PR. Contudo, as especulações em torno de seu nome dão conta de uma possível candidatura a vice-prefeito em chapa que apresentará como nome à Prefeitura o deputado estadual Noraldino Júnior (PSC). Aliás, uma empreitada de Romilton pela Câmara é considerada carta fora do baralho, uma vez que seu filho, Aristóteles Faria – ex-diretor geral do Demlurb na gestão de Custódio Mattos (PSDB) entre 2009 e 2012 – também se filiou ao PR. Toti deve voltar à disputa pelo Legislativo após ter obtido 1.955 votos em 2012, quando correu pelo DEM.
Também ex-integrante do primeiro escalão do Governo municipal, João Vítor Garcia acertou seu ingresso no PHS. Ele ocupou a Secretaria de Planejamento e Desenvolvimento Econômico (SPDE) da Prefeitura durante a segunda passagem do ex-prefeito Tarcísio Delgado (PSB) e chegou a disputar o Executivo nas eleições municipais de 2004 pelo PPS, quando obteve 41.150 votos e ficou em quarto lugar no pleito vencido por Alberto Bejani (PSL), no segundo turno. Ex-secretário de Educação da atual gestão municipal, Weverton Vilas Boas acertou com o PR e pode disputar uma cadeira na Câmara após deixar o Governo Bruno em outubro do ano passado. Outro troca envolvendo um nome conhecido da política local foi a do ex-presidente do diretório municipal do PV, José Elias Valério, que fechou com o PTB.
Atuais parlamentares
A relação divulgada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), na última semana, também traz o troca-troca partidário de atuais ocupantes do Poder Legislativo juiz-forano. De olho nas composições para as eleições de outubro, a lista oficializa a migração de cinco parlamentares e confirma a filiação de Ana Rossignoli ao PMDB; André Mariano, PSC; Cido Reis, PSB; Vagner de Oliveira, PSC; e José Fiorilo, PTC. A troca de Léo de Oliveira, que deixou o PMN e seguiu para o PTB, entretanto, não aparece nos registros do TSE. Tal situação poderá comprometer uma candidatura à reeleição do radialista, já que o prazo final para a inscrição partidária de candidatos se encerrou no último dia 4 de abril. Contudo, tanto o PTB como o parlamentar garantem que possuem toda a documentação necessária para regularizar o impasse. A adesão do deputado estadual Isauro Calais ao PMDB também foi computada, apesar de o parlamentar dificilmente se envolver em uma candidatura pessoal em outubro, visto que cumpre seu primeiro mandato na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG).
Pré-candidatos à PJF de casa nova
Além dos nomes filiados que aparecem como apostas para a disputa do Poder Legislativo, dois quadros apontados como pré-candidatos à Prefeitura têm novo partido. Um deles é o engenheiro e empresário Eduardo Lucas, que se filiou ao PPS no último dia 30 de março. O deputado Antônio Jorge (PPS), principal liderança da legenda em Juiz de Fora, admitiu que o partido vê uma empreitada própria ao Executivo com bons olhos e considera Eduardo um quadro interessante. O projeto, todavia, depende do desenrolar dos arranjos que antecedem o pleito. Também deputado estadual, Lafayette Andrada acertou com o PSD no dia 28 de março. Ex-tucano, o parlamentar nunca desconversou sobre a possibilidade de tentar o Executivo e tem aval das direções estadual e nacional da sigla para tocar o projeto adiante.
Aliás, a escolha de Lafayette pelo PSD parece ter ajudado ao diretório municipal da legenda a ganhar corpo. Abarcando correligionários do deputado estadual e outros nomes, o partido conseguiu atrair 81 novas inscrições entre 1º de janeiro e 4 de abril deste ano (ver quadro) – maior número de adesões observado na cidade. Outros que se destacaram no que diz respeito a atração de novos quadros em 2016 foram o DEM e o PSC, que registraram 61 filiados cada; seguidos de PSL, com 59 novas inscrições; PV, 55; e PR, 50. No outro extremo, de acordo com os dados disponibilizados pelo TSE, cinco siglas não registraram adesões na cidade nos primeiros meses do ano: Novo, PCB, PCO, PRP e PSTU.









