Rodrigo e Ana ensaiam fazer nova disputa

A vitória do prefeito reeleito Bruno Siqueira (PMDB) sobre a deputada federal Margarida Salomão (PT) no segundo turno da corrida pela Prefeitura – os dois já haviam se enfrentado em 2012 – não deve ser a única reedição de um duelo político por postos relevantes na cidade. Movimentações de bastidores dão conta de que o embate pela Presidência da Câmara no biênio 2017/2018 – em pleito agendado para o dia 1º de janeiro – deve ter como protagonistas os vereadores reeleitos Rodrigo Mattos (PSDB) e Ana Rossignoli (PMDB). Os dois já articulam suas candidaturas. Em dezembro de 2014, o tucano venceu a adversária – à época no PDT – e assumiu o comando da Mesa Diretora, em mandato que se expira no fim de dezembro. O surgimento de novos nomes na contenda, no entanto, ainda não podem ser descartados.
Desde a definição dos nomes que integrarão a legislatura 2017/2020, Rodrigo e Ana têm mantido conversas reservadas com futuros colegas de mandato. Há quase dois anos, a vitória do tucano, atual presidente da Casa, foi consolidada com o apoio de dez vereadores contra seis votos obtidos pela parlamentar. Entre aqueles que votaram em Rodrigo, cinco se reelegeram: Cido Reis (PPS), Vagner de Oliveira (PSC), José Márcio (PV), Luiz Otávio Coelho (Pardal, PTC), além do próprio Rodrigo. Do grupo que apoiou Ana, quatro retornarão à Câmara: André Mariano (PSC), José Fiorilo (PTC), Antônio Aguiar (PMDB) e a própria vereadora. Dessa forma, caso não haja defecções, o tucano largaria com uma pequena vantagem na disputa.
Contudo, dois fatores são considerados fiéis da balança e capazes de decidir a contenda. Reeleito no último domingo, Bruno pode ser peça-chave, uma vez que seu apoio pode significar a vitória de qualquer um dos projetos em questão. Contudo, até aqui, Bruno tem se mantido à margem da discussão. Qualquer escolha do prefeito será difícil, uma vez que Ana é do PMDB e Rodrigo foi nome importante para a aliança com o PSDB, que, a partir de 2017, terá o ex-vereador Antônio Almas (PSDB) ocupando a cadeira de vice-prefeito. Outro ponto que pode ser decisivo é o ingresso de oito novatos que assumem o primeiro mandato no dia 1º de janeiro: Adriano Miranda (PHS), Charlles Evangelista (PP), João Coteca (PR), Júlio Obama Jr. (PHS), Kennedy (PMDB), Marlon Siqueira (PMDB), Sargento Mello (PTB) e Sheila Oliveira (PTC).
Enquanto Ana e Rodrigo buscam apoio, algumas movimentações começam se desenhar nos bastidores, apesar de boa parte dos vereadores evitar tocar publicamente no assunto. Dos que votaram em dezembro de 2014, especula-se que André Mariano pode trocar de lado e apoiar o tucano. O mesmo valeria para Antônio Aguiar. No entanto, neste último caso, a vereadora se movimenta dentro do PMDB, de forma a garantir o voto não só de Antônio, mas de Kennedy e de Marlon, que também já mantiveram conversas com Rodrigo.
Os posicionamentos dos demais novatos são vistos como incógnitas até aqui, e há espaços para as duas candidaturas esboçadas até aqui trabalharem costuras. Existem, todavia, algumas especulações. Adriano Miranda e Charlles Evangelista estariam mais próximos de Rodrigo. Entre os demais nomes estreantes, não existem ainda sinalizações definitivas. A situação de João Coteca, por exemplo, deve ser definida dentro do ambiente partidário, uma vez que a decisão deve passar pelo crivo do deputado estadual Márcio Santiago (PR), que comanda o diretório local do PR.
Outros nomes nos bastidores
O processo sucessório na Mesa Diretora pode ganhar até mesmo um desenho diferente do apresentado há quatro anos. Com o surpreendente desempenho da delegada Sheila Oliveira (PTC), candidata mais votada da história da cidade, o PTC já especulou a possibilidade de lançar uma candidatura à Presidência da Casa. Tal possibilidade, contudo, ainda é vista como um esboço. Outro que também pode tentar alguma empreitada é Roberto Cupolillo (Betão, PT), que, em 2014, tentou lançar uma candidatura avulsa à Mesa, empreitada barrada pelo plenário.
Betão inclusive confirmou que pretende dar sequência ao projeto de resolução de sua autoria que pretende alterar o modelo de escolha da Mesa Diretora. A tramitação da peça chegou a ser suspensa a pedido do próprio petista, que vai reingressar com o dispositivo e acredita que a matéria pode ser votada ainda nas reuniões legislativas de novembro. A proposição sugere alteração no regimento interno da Casa e defende que o pleito seja precedido de exposição pública de propostas.
Além disso, o projeto de resolução de Betão propõe que a escolha do presidente se dê por maioria absoluta de votos – e ressalta a necessidade de uma segunda votação entre os dois mais votados caso tal maioria não seja atingida – e que a distribuição das demais cadeiras da Mesa Diretora seja feita de forma proporcional à votação obtida por cada uma das chapas apresentadas para a disputa.
Último pleito
Na última disputa realizada em dezembro de 2014, Rodrigo Mattos (PSDB) garantiu o comando da Mesa Diretora em um pleito tumultuado e de muita tensão nos bastidores. À época suplente, o vereador José Emanuel (PSC) esteve presente na plateia do plenário e, por vezes, manifestou sua insatisfação com as manifestações de votos de futuros colegas de legislatura. Antes de herdar a cadeira deixada por Noraldino Júnior (PSC), que seguiu para Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), Emanuel se colocava como entusiasta da candidatura de Ana Rossignoli e chegou a repudiar publicamente Oliveira Tresse (PSC), favorável a Rodrigo, e Wanderson Castelar (PT), que se absteve da votação.









