Partidos se articulam para 2014
Os 163.686 votos dados ao prefeito eleito, Bruno Siqueira (PMDB), no último domingo fizeram aumentar o apetite do PMDB de Juiz de Fora. Com a fome de quem ficou os últimos oito anos longe da Prefeitura, a cúpula local do partido quer surfar no atual sucesso eleitoral da sigla pelo menos até 2014. Para isso, foram iniciadas as conversas para montagem de chapa com candidatos a deputado estadual e federal. A proposta é consolidar o projeto da mesma forma como foi feita a costura da candidatura de Bruno, iniciada com dois anos de antecedência. Por ora, há consenso em relação ao lançamento do vice-prefeito eleito, Sérgio Rodrigues (PMDB), para a disputa por uma cadeira na Assembleia. Resta saber quem caminhará ao seu lado, mas com destino à Câmara dos Deputados. O nome do reitor da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Henrique Duque, é bem visto pelo generalato da legenda. Como ele não é filiado a nenhum partido, a questão vem sendo trabalhada com discrição.
A avaliação peemedebista é de que, com a vinda de Bruno para a Prefeitura, a disputa pela Assembleia em 2014 terá espaço para um novo nome do município. O desempenho de Sérgio na campanha acabou levando-o à condição de favorito à vaga de candidato pelo partido. Os dirigentes da legenda entendem que a longa trajetória como jornalista do vice-prefeito eleito deve facilitar sua aceitação nas cidades da região, da mesma forma como aconteceu nos bairros nas eleições deste ano. Caso entre mesmo no páreo para deputado estadual, Sérgio deve ter como concorrentes de antemão os vereadores Isauro Calais (PMN) e Rodrigo Mattos (PSDB). Isauro, aliás, aparece no cenário político como promessa de perfazer a mesma trajetória de Bruno, que, após se eleger vereador com maior número de votos, conseguiu chegar à Assembleia. Rodrigo, por sua vez, volta à disputa estadual para ampliar a votação recebida em 2010 e deixar a incômoda condição de suplente.
A disputa pela Câmara dos Deputados, pelo menos em termos de competidores, caminha para ser mais indigesta. Henrique Duque ou outro nome a ser escolhido pelo PMDB terá pela frente adversários de peso. A menos que o deputado federal Marcus Pestana (PSDB) seja alçado à condição de candidato à governador, é praticamente certa sua presença no páreo, assim como a de seus companheiros de Parlamento Júlio Delgado (PSB) e Margarida Salomão (PT). Isso sem contar na possibilidade do deputado estadual Lafayette Andrada (PSDB) deixar Belo Horizonte com destino à Brasília. Há ainda quem aposte num possível retorno do prefeito Custódio Mattos (PSDB) à disputa proporcional. Entre esses possíveis candidatos, 2012 é praticamente águas passadas. Menos para Júlio. Ele é cotado para apresentar candidatura avulsa à presidência da Câmara como alternativa ao nome do líder do PMDB, Henrique Eduardo Alves. Se emplacar, pode esperar bem mais de 2014.
Tucanos esperam poeira baixar para recomeçar
Mesmo com o deputado federal Marcus Pestana podendo ser candidato ao Governo de Minas e o vereador Rodrigo Mattos (PSDB) com disposição para tentar uma cadeira na Assembleia mais uma vez, o PSDB de Juiz de Fora segue desnorteado por conta da dura derrota nas urnas. Os grupos liderados por Pestana e Custódio Mattos mantêm trajetória de distanciamento. A falta de perspectiva de unidade é tamanha que, há uma semana, o deputado recomendou passar à nova geração a condução partidária. Caso a transição de gerações ocorra, o que é improvável, resta saber se o tucanato local tomará o caminho de alternativa ao futuro governo Bruno Siqueira ou de aliado. E ainda, tanto num caso quanto no outro, com quais nomes.
No que depender de Pestana, o PSDB vai integrar a próxima administração. Nesse sentido, são grandes as chances de o superintendente regional de Saúde, Cláudio Reis, ser indicado para assumir a Secretaria de Saúde. Antes, porém, será preciso quebrar a resistência do PMDB ao secretário de Estado da Saúde, Antônio Jorge Marques (PPS), que é padrinho de Reis e aliado de primeira hora de Pestana. Há entre os peemedebistas quem garanta Antônio Jorge como candidato a deputado estadual em 2014 e a prefeito dois anos depois. Na outra ala tucana, mesmo com a declaração de apoio de Rodrigo a Bruno feita recentemente, a posição de aliado é incômoda. As articulações no segundo turno ainda não foram digeridas. Presença no governo, pelo menos por ora, está descartada.
Ida de Margarida para Brasília mantém ânimo
Não fosse a vitória do deputado federal Gilmar Machado (PT) na disputa pela Prefeitura de Uberlândia ainda no primeiro turno, o que deu a Margarida Salomão (PT), então primeira suplente, a condição de deputada federal eleita, a situação do PT de Juiz de Fora seria ainda pior. Após perder uma de suas atuais três cadeiras na Câmara Municipal e fracassar na segunda tentativa de chegar ao Executivo local, os petistas pelo menos comemoram o fato de poderem contar de novo com um parlamentar em Brasília. Internamente, a Democracia Socialista (DS), tendência que comanda a legenda há oito anos, segue fortalecida, mas com o horizonte mais nebuloso do que há quatro anos. As coisas podem clarear ou anuviar de vez dependendo dos resultados das urnas em 2014.
Enquanto 2014 não chega, os dirigentes petistas terão muito trabalho interno. O vereador Wanderson Castelar (PT) já deu mostra do que vem por aí. Em seu primeiro pronunciamento na Câmara após as eleições, ele criticou os erros excessivos cometidos pela legenda nos últimos anos e pregou o início de um processo de mudança. Seu pronunciamento deve ganhar eco junto ao diretor de Fomento e Promoção da Cultura Afro-brasileira da Fundação Cultural, Martvs das Chagas (PT), e ao diretor de Promoção dos Direitos Humanos da Secretaria de Direitos Humanos (SDH) da Presidência da República, Gabriel dos Santos Rocha (Biel, PT). No PCdoB, prolifera a constatação de que venceu o prazo para dobradinha com o PT no município. Com isso, aumentam as chances de Wadson Ribeiro (PcdoB), ex-secretário do Ministério do Esporte, aparecer com alternativa em 2016.









