Professores da UFJF sinalizam retorno às aulas no dia 12

Decisão foi tomada em assembleia nesta terça
Os professores da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e do IF Sudeste sinalizam com a possibilidade de retomar suas atividades a partir da próxima quarta-feira. Os docentes aprovaram por maioria absoluta a proposta de suspensão unificada da greve nacional no dia 12. Com a decisão tomada ontem à tarde, na sede da Associação dos Professores de Ensino Superior de Juiz de Fora (Apes), a categoria mostrou-se favorável à orientação do comando nacional de greve, que solicitou que as assembleias regionais debatessem o assunto e indicassem um marco temporal para a suspensão da mobilização. Entre sexta-feira e domingo, um novo posicionamento nacional será emitido. Em Juiz de Fora, a categoria se reúne novamente na segunda-feira à tarde, quando pode ratificar ou não a volta às aulas, que já estão paralisadas há 108 dias.
Durante a assembleia desta terça-feira (4), os professores se esforçaram para deixar claro que a suspensão da greve não significa o fim da mobilização, podendo o movimento ser retomado caso a categoria julgue necessário. No último dia 31, o Governo enviou à Câmara o projeto que oficializa o acordo assinado com a Federação de Sindicatos de Professores de Instituições de Ensino Superior (Proifes), que prevê reajustes entre 25% e 40%, diluídos nos próximos três anos. O acerto é rechaçado pela categoria, que afirma que o Proifes não teria representatividade para defender seus interesses. Com maior influência, as assembleias do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes-SN) e do Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica, Profissional e Tecnológica (Sinasefe) rejeitaram a proposta. "A nossa pauta que luta pela definição de um plano de carreira ainda não findou. Vamos manter ações políticas para que ele mesmo altere seu projeto de lei", afirma Rubens Luiz Rodrigues, presidente da Apes.
Segundo representantes locais do comando nacional, a tramitação do projeto de lei foi um dos fatores que levaram à sugestão da suspensão unificada da greve, pois, momentaneamente, reduz as possibilidades de mudanças do atual cenário de negociações. Outro fato que influenciou o posicionamento foi o entendimento de que a paralisação já se alonga além do esperado. Entretanto, a principal justificativa que levou os docentes a tomarem a decisão foi a avaliação de esta seria a melhor estratégia para mostrar a unidade e a organização da categoria, que permaneceria capaz de continuar o enfrentamento em outras frentes.
Calendário
Apesar da sinalização dos professores sobre a possível retomada de suas atividades na próxima quarta-feira, ainda não há qualquer previsão sobre como ficará o calendário escolar das unidades ligadas à UFJF. De acordo com a assessoria de imprensa da instituição, a "Pró-reitoria de Graduação aguardará a decisão da próxima assembleia da Apes para poder agendar uma reunião do Conselho Setorial de Graduação (Congrad) e redefinir o calendário acadêmico." Ainda de acordo com a nota, "o reinício das aulas, no entanto, não dependerá desse encontro do Conselho. Elas podem ser retomadas assim que a greve se encerrar de fato."
Independente da possibilidade de retomada das atividades na próxima quarta-feira, a greve dos professores da UFJF já se igualou à maior mobilização promovida pelos docentes da instituição. Segundo informações da Apes, em 2005, o movimento grevista atingiu os mesmos 108 dias que a atual paralisação completa na quarta (5). Também na assembleia de terça os docentes aprovaram a participação da categoria na edição local do Grito dos Excluídos, que será realizada na sexta-feira, a partir das 7h, na Avenida Rio Branco, também foi referendada.









