Transexualidade e cidadania: o direito ao voto
As eleições de outubro serão um marco na vida da ativista social Bruna da Silva Rocha, 37 anos. Tendo se identificado como mulher trans aos 16 anos, a moradora do Caiçaras III, na Cidade Alta, recebeu em abril deste ano os novos documentos. Antes, Bruna era Bruno, e agora é oficialmente reconhecida no registro civil, após um longo processo na Justiça, que durou aproximadamente quatro anos. Por ter recebido os documentos no mês posterior ao prazo final para alterar informações junto à Justiça Eleitoral, ela ainda não conseguiu alterar o nome no título de eleitor. No entanto, já disse ter sido assegurada do direito de votar pelo próprio Tribunal Regional Eleitoral (TRE-MG) em Juiz de Fora. “Sou cidadã, tenho esse direito e vou fazer valer esse direito, igual toda a vida eu fiz”, diz.
Bruna se formou em teologia livre com especialização em psicanálise. Ao longo de todo o processo de identificação, afirma ter passado por muitos constrangimentos, principalmente em aeroportos e eventos, quando era obrigada a apresentar o documento com o nome anterior. Por decisão própria, resolveu não realizar a cirurgia para a troca de sexo, o que, segundo ela, não interfere no seu reconhecimento como mulher. Ela recebeu a Tribuna e falou sobre os ideais que carrega, pensando sobre a cidadania e o direito ao voto.
Na visão da ativista, o melhor candidato é aquele com propostas sobre igualdade social, “seja de sexo, de raça, de manifestação religiosa, em todos os setores da sociedade”, afirma. Com forte confiança no processo democrático, Bruna afirma que o voto é a garantia de expressão da vontade popular, direito que deve ser preservado. Apesar disso, ela discorda da sua obrigatoriedade e, ao mesmo tempo, condena o voto nulo. “Sou contra a imposição e deixo claro que as pessoas têm o direito de votar em branco, mas quando se anula o voto, não se tem o direito de reclamar depois. Quem se abstêm de votar, deve se abster de cobrar qualquer direito depois”, sentencia.
Com um ideal formado a respeito da democracia brasileira, Bruna diz analisar a situação municipal a partir do trabalho social desenvolvido pelos candidatos, especialmente junto aos mais necessitados. Bruna diz já ter seu voto para vereador definido, mas ainda analisa melhor a proposição dos postulantes à Prefeitura. “Tenho dois possíveis candidatos ao meu voto e vou estudar as propostas de cada um. Para isso, tenho em vista os que fazem um trabalho social. O importante é pensar em candidatos que, no futuro, irão correr atrás dos seus direitos.”










