Técnico aponta irregularidades em 10 radares
O consultor de engenharia de tráfego José Alberto São Thiago Rodrigues apontou irregularidades em 77% dos radares de Juiz de Fora. Contratado pela comissão especial de radares da Câmara, criada para avaliar o serviço prestado pela Engebras na cidade, o técnico visitou, na tarde de ontem, os 13 pontos onde funcionam os equipamentos de fiscalização eletrônica. Apenas três foram aprovados pelo especialista, que também presta serviços à Assembleia Legislativa de Minas na investigação sobre radares em todo o estado. A principal falha observada foi a falta de visibilidade dos aparelhos, "escondidos atrás de postes ou árvores" em nove locais avaliados. Ele apontou ainda ausência de placas de sinalização e problemas de localização. "Para cumprir seu papel e seguir a lei, a maioria precisa passar por adequações." Relator da comissão, o vereador Isauro Calais (PMN) acompanhou a inspeção e disse que o laudo oficial será apresentado ao Legislativo e depois enviado à Prefeitura e ao Ministério Público. O documento deve ser entregue até sexta-feira.
José Alberto observou problemas já no primeiro ponto visitado, na Avenida Rio Branco, na Garganta do Dilermando. "A presença do equipamento se justifica, pois trata-se de uma descida muito forte antes de chegar na região Central. Porém, está escondido para o usuário que trafega no sentido Centro-bairro." Na Rua Paracatu, no Bairro Bandeirantes, além do problema de visibilidade, o técnico questionou a eficiência da localização do radar. "Se estivesse um pouco mais acima, teria maior eficácia, reduzindo a velocidade (dos veículos) em todo o trecho."
Na Avenida Brasil, entre as pontes dos bairros Manoel Honório e Santa Terezinha, a falta de visibilidade seria agravada pela ausência de sinalização para o condutor. "Para quem vem das ruas Américo Lobo e Sílvio Romero, não existem placas." O posicionamento de um radar instalado na Avenida Juscelino Kubitscheck, em Nova Era, também foi questionado. "Temos uma travessia, um ponto de ônibus e duas escolas próximas ao local. A velocidade máxima de 60 km/h não é apropriada para o fluxo de pedestres. Aqui, um semáforo seria mais adequado."
Em nota, a Settra declarou cumprir a Resolução 214/06 do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), assegurando a visibilidade do equipamento "por meio da sinalização vertical", destacando que o aparelho possui "forma discreta e localiza-se em meio ao ambiente urbano". A pasta ainda afirmou que "o objetivo do radar é garantir o respeito à velocidade máxima em toda a via e não em um ponto específico, como é o caso das lombadas aparentes". Quanto aos demais questionamentos, informa que aguardará o parecer oficial do técnico para avaliar as orientações.









