Desembarque aproxima PMDB e PSDB em JF

Rodrigo Mattos foi cotado para ser vice de Bruno, mas deve manter candidatura para Câmara (FELIPE COURI/arquivo tm)
O desembarque do PMDB do Governo da presidente Dilma Rousseff (PT) na última terça-feira chacoalhou a política brasileira. As implicações da movimentação peemedebista vão muito além do cenário nacional, em que a saída da legenda obrigou aos governistas, capitaneados pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a redobrarem esforços para recompor a base no Congresso, o que irá acarretar uma reconfiguração ministerial. Como um “efeito borboleta”, o reposicionamento partidário pode implicar em novos cenários para as costuras eleitorais da ainda disforme conjuntura que antecede a sucessão municipal em Juiz de Fora. A interpretação de momento nas esquinas políticas da cidade é de que o realinhamento nacional pode acelerar ainda mais a latente aproximação do PSDB do projeto de reeleição do prefeito Bruno Siqueira (PMDB) e selar a terceira candidatura da deputada Margarida Salomão (PT) ao Executivo.
Apesar de serem oficialmente consideradas como “sondagens”, as conversas para uma possível composição entre peemedebistas e tucanos têm sido recorrentes. Tal costura passa a ter menos resistência com o rompimento entre PMDB e PT no âmbito nacional e o esfriamento da relação entre as duas legendas em nível estadual. Com isso, as vozes – enfraquecidas desde sempre – que buscavam uma aliança entre peemedebistas e petistas para a disputa pela Prefeitura de Juiz de Fora estão silenciadas diante dos constantes enfrentamentos entre a bancada de Bruno na Câmara e os vereadores petistas Roberto Cupolillo (Betão, PT) e Wanderson Castelar (PT). Assim, tal desenho só teria chance de se tornar realidade em costuras feitas pelos diretórios estaduais das siglas.
Cada vez mais distantes do PT, os diretórios nacional, estadual e municipal do PMDB não teriam quaisquer restrições a uma aliança com o PSDB, que indicaria um candidato a vice-prefeito na chapa encabeçada por Bruno Siqueira. O nome, entretanto, ainda estaria em aberto. Presidente do comando local, o vereador Rodrigo Mattos (PSDB) parece ter descartado a possibilidade e definido por tentar mais um mandato na Câmara. Apesar disso, o tucano é uma das lideranças que conversam diretamente com o prefeito sobre a possibilidade de uma coalizão. A aliança teria apoio de caciques como o deputado federal Marcus Pestana (PSDB) – que se elegeu vereador pelo PMDB em 1982, antes de participar da fundação do PSDB em 1988 – e do secretário municipal de Governo, José Sóter de Figueirôa, também ex-vereador pelo PMDB entre 2005 e 2012.
Processo acelerado
O efeito cascata provocado pelo PMDB nacional também deve acelerar uma definição do PT juiz-forano sobre qual será seu papel nas eleições municipais deste ano. O braço local da legenda sempre manteve o discurso do protagonismo eleitoral. Entretanto, até o momento, o partido tergiversa sobre a possibilidade de uma terceira candidatura da deputada federal Margarida Salomão – a parlamentar chegou ao segundo turno nos pleitos de 2008 e 2012. Todavia, com o Governo federal em xeque, principalmente após os peemedebistas abandonarem o barco, há o entendimento de que a sigla deva lançar candidatos na maioria dos municípios possíveis. O posicionamento é visto como fundamental para manter a militância mobilizada e utilizar das ferramentas eleitorais como instrumentos de defesa do partido e do próprio Governo. Nesse cenário, a candidatura de Margarida já é tida por muitos como crucial e inevitável.
O desembarque do PMDB do Governo pode mudar os rumos de outro nome apontado como pré-candidato à Prefeitura. Com os esforços do PT para recompor a base e montar um novo Governo, preenchendo as cadeiras ociosas após a debandada peemedebista, o PCdoB pode ganhar mais espaço na Esplanada. Especula-se que o juiz-forano Wadson Ribeiro (PCdoB) poderia ser uma escolha factível dentro da sigla. Ainda no campo das conjecturas, uma possível ida de Wadson para o Governo sepultaria qualquer ambição eleitoral no pleito de outubro, já que o prazo de desincompatibilização definido por lei já está expirado.
Âmbito estadual
No âmbito estadual, os efeitos do rompimento do PMDB com o Governo federal ainda não estão claros. Os comandos estaduais petistas e peemedebistas ainda não se posicionaram abertamente sobre o tema, assim como o governador Fernando Pimentel (PT) e o vice-governador Antônio Andrade (PMDB). O discurso oficial é de que o PMDB permanece no Governo e na base de Pimentel na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). No entanto, sinais tímidos de desgaste já foram vistos. Integrantes da maior bancada da ALMG, os 13 deputados peemedebistas “boicotaram” a reunião da última quarta-feira, quando nenhum deles compareceu à sessão legislativa que continha temas relevantes para o Governo, como a apreciação de vetos do governador e projetos envolvendo os atingidos pela inconstitucionalidade da Lei 100 – que resultou na exoneração de milhares servidores da educação – e temas pertinente ao piso salarial dos professores da rede estadual.









