‘Entidade não tem que ter partido’

Em visita a Juiz de Fora para as comemorações dos 70 anos do Sindicato das Indústrias da Construção Civil (Sinduscon-JF), o presidente do Sistema Fiemg, Olavo Machado Junior, recebeu a imprensa para uma conversa sobre as perspectivas de desenvolvimento da Zona da Mata. A região foi a propulsora na criação de estudo que prevê medidas que podem beneficiar os setores industriais de todo o estado, dentre elas o regime de tributação diferenciada. A exemplo disso, ele destacou o andamento das negociações junto ao Governo estadual para a redução da alíquota de Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) para o setor de móveis, desencadeadas pelo agravamento da crise no Polo Moveleiro em Ubá. Mantendo o otimismo, ele acredita que reverter a retração só é possível com muito trabalho.
Tribuna – Como a crise tem afetado a indústria mineira?
Olavo Machado Júnior – Nosso setor é o primeiro a sentir a crise. Quando o comércio e o serviços estão mal, é porque a indústria já está em retração. Mas também somos os primeiros a sair dela, para isso, é preciso otimismo e muito trabalho. Os números em Juiz de Fora apontam crescimento na arrecadação de 4,94% no primeiro bimestre deste ano, em comparação com o mesmo período do ano passado. Sabemos que é preciso melhorar e que temos na carga tributária um dos nossos principais desafios, mas temos que manter a confiança de que isso será modificado. Na verdade, já iniciamos o ano melhor do que em 2015.
– Quais ações a Fiemg busca para reverter o cenário?
– Temos nos reunido com o Governo do estado para isso. Entendemos que o momento é difícil, mas os governantes precisam entender que não é aumentando as alíquotas de impostos e diminuindo prazos para pagamento que Minas Gerais irá sair da crise. Precisamos de um mercado saudável e uma concorrência leal. Neste sentido, a Zona da Mata merece destaque pelo empenho do presidente Francisco Campolina na elaboração de estudo que estabeleceu medidas concretas para estas melhorias.
– Dentre estas medidas está o regime de tributação diferenciada para alguns setores. Como está o andamento deste trabalho?
– Tivemos uma reunião ontem com o Secretário de Estado de Fazenda para solicitar a redução do ICMS para o setor moveleiro, de forma que fique abaixo de 2%. Esta solicitação veio a partir do agravamento da crise em Ubá, e que uma vez aprovada irá beneficiar todo o estado. A princípio, pedimos a redução de 18% para 3%, mas vimos que este percentual não atenderia o setor. Existe, hoje, uma concorrência predatória com os outros estados, e Minas está perdendo empresas por causa disso. A velocidade do Governo é muito aquém do que esperamos, o que inviabiliza muitas oportunidades. Estamos negociando tributação diferenciada para diferentes setores, inclusive o de alimentação, que é um segmento muito forte na Zona da Mata.
– Temos investimentos previstos para a Zona da Mata?
Teremos, em breve, um departamento de Saúde e Segurança do Trabalho para atender os trabalhadores da indústria, que será localizado na Rua Floriano Peixoto, no Centro. Foram investidos R$ 7 milhões, e as obras já estão em andamento. Assim que houver a confirmação da instalação da fábrica da M. Dias Branco em Juiz de Fora, iremos estabelecer um Centro de Tecnologia na área de alimentação, que será localizado em um terreno de 12 mil metros quadrados na Zona Norte da cidade.
– Sobre o cenário político, a Fiemg emitiu comunicado sem posicionamento partidário, mas manifestando sua insatisfação.
– Repetindo as palavras do nosso comunicado: “acreditamos que a indignação, por mais justa que seja, não pode superar as regras constitucionais, e o nosso compromisso é com o Estado Democrático e de Direito.” Entidade de classe não tem que ter partido, tem que defender a classe que representa. Nós temos que conviver com quem estiver no poder, por isso, o que podemos fazer é conscientizar o empresário e o trabalhador sobre a importância do voto e de eleger um político bem preparado. Não cabe a nós definir posicionamento para os empresários da indústria, isto é íntimo de cada cidadão. A Fiemg vai conviver com quem estiver no poder e cobrar sempre do Governo de estado medidas para o desenvolvimento do setor.









