Vereador aponta alta de 33% nas tentativas de suicídio em JF
José Fiorilo é autor do projeto de lei que institui a Semana Municipal de Prevenção da Depressão
A conversa sobre suicídio é difícil, mas não pode mais ser evitada, é o que afirma o vereador José Mansueto Fiorilo (PTC), autor do projeto de lei que institui a Semana Municipal de Prevenção da Depressão e também cria o Dia Municipal de Prevenção da Depressão, que devem passar a ser parte do calendário oficial do município em abril. A ideia é que o transtorno, assim como o suicídio entre na agenda de discussões, com a possibilidade de reforçar a prevenção.
Segundo levantamento da equipe do parlamentar, que monitora os casos na cidade, houve aumento de 33% nos registros de tentativa de homicídio de 2019 em relação ao ano anterior, passando de 165 para 220 ocorrências. Desde total, o número de mortes também cresceu de um ano para outro, passando de 31 para 40. Os dados apontam uma tendência de crescimento se considerado o balanço de 2017, quando foram computados 85 tentativas e 30 casos consumados. Os dados foram levantados junto a órgãos de saúde e segurança pública, como Polícia Militar, Bombeiros, Samu e unidades de saúde.
Outro ponto relevante da estatística é que, embora o suicídio tenha registros em todas as faixas etárias, os adolescentes e adultos são os que mais tentam e cometem mortes por suicídio. A preocupação não só com o suicídio, mas também com a depressão, é justificada por outro dado. O levantamento indica que 90% dos casos são motivados por esse transtorno. Há, de acordo com o médico psiquiatra Bruno Cruz, muitos fatores que podem contribuir para a ocorrência de depressão entre os jovens. Entre eles, além do bullying presencial e virtual, há um padrão irreal de vida e de corpos fomentado pelas redes sociais. “Esse padrão é cruel para muitas pessoas. Nem 30% dos usuários de redes sociais se encaixam nele. Isso estoura uma angústia, uma demanda reprimida, que obviamente vai levar a um transtorno de imagem corporal, de ansiedade, de personalidade, abuso de substâncias, depressão, entre outros.”
Por isso, segundo o psiquiatra Bruno Cruz, é preciso deixar claro que o olhar para a saúde mental é o que leva à prevenção. “É preciso quebrar o tabu que a gente tem em procurar um psiquiatra. Esse elemento preconceituoso pode colocar por terra a possibilidade de tratamento de um monte de gente que está padecendo. É preciso lembrar que a depressão tem tratamento. Com ele, as pessoas podem ter uma melhor qualidade de vida e não a perderiam em função de descaso.”
Prevenção e tratamento
Além do projeto de lei, a ideia do parlamentar é que os poderes Legislativo e Executivo possam fazer parcerias para a promoção da saúde e da informação, com debates, palestras, seminários e políticas públicas. “Precisamos melhorar o acesso das pessoas ao atendimento psiquiátrico. Temos profissionais excelentes, mas há um inchaço, porque o volume de serviço é muito grande”, destaca o vereador.
Ainda segundo Fiorilo, é preciso encontrar outras soluções para o município. “Além de tratar as emergências, temos que dar continuidade ao atendimento. Ao todo, 88% das pessoas que tentaram suicídio em Juiz de Fora foram recebidas em unidades públicas”. Por isso, segundo ele, é necessário melhorar as iniciativas e prevenção, porque com essas ações, inclusive, seria possível diminuir a demanda em unidades de urgência e melhorar a orientação das famílias que cuidam desses pacientes.











