Ouça agora

Câmara tem 5 candidatos à presidência


Por Táscia Souza

01/11/2012 às 07h00

Matematicamente, a disputa pelo comando da Câmara Municipal – cujas articulações, iniciadas desde o fim do primeiro turno, devem se intensificar em novembro – só comporta três chapas, uma vez que o Legislativo juiz-forano tem 19 vereadores e cada chapa precisa de cinco componentes para integrar a Mesa Diretora. No entanto, de acordo com o andamento das conversas, já são cinco os pré-candidatos – Isauro Calais (PMN), Júlio Gasparette (PMDB), Noraldino Júnior (PSC), Francisco Evangelista (PP) e alguém da bancada do PT, seja Roberto Cupolillo (Betão) ou Wanderson Castelar – de olho na cadeira mais alta do Palácio Barbosa Lima.

No dia 7 de outubro, logo após a Justiça Eleitoral divulgar os nomes que comporão a próxima legislatura, quem saiu na frente na corrida à Presidência foi o veterano Isauro Calais, tanto por já ter ocupado a função por quatro anos quanto por ter sido reeleito agora para o quinto mandato consecutivo como o vereador mais votado deste pleito. No entanto, passado menos de um mês das eleições proporcionais, o cenário se mostra um pouco mais complexo do que apostavam os próprios servidores da Câmara. Entre Isauro e o topo da Mesa Diretora está, principalmente, o atual primeiro vice-presidente da Casa, Júlio Gasparette (PMDB). O peemebedebista nunca escondeu que já queria ter sido candidato no fim de 2010, quando acabou abrindo mão de encabeçar a chapa em prol do atual chefe do Legislativo, Carlos Bonifácio (PRB). Nos bastidores, a informação é de que ele também contabiliza o maior número de apoios, ao menos entre os parlamentares que foram reeleitos.

Apesar de todos os rumores, porém, nenhum dos dois se coloca efetivamente no páreo. "Existem vários grupos conversando, mas é um processo demorado. Só em dezembro é que deve haver algo mais definido", desconversou Gasparette. Há duas variáveis fundamentais em jogo. Uma delas são os nove novatos eleitos, entre os quais, de acordo com funcionários da Câmara e alguns vereadores experientes, já existe gente espichando os olhos para cargos estratégicos. Ainda que a prática de loteamento de cargos não seja novidade no Barbosa Lima, ela se torna ainda mais perniciosa quando envolve a definição de quem será o terceiro homem mais importante na hierarquia do município – e também quando vereadores que nem assumiram o mandato já chegam cobrando suas fatias. A segunda incógnita importante, a despeito de Legislativo e Executivo deverem se comportar como poderes independentes, é a predileção do prefeito eleito, Bruno Siqueira (PMDB). "Vamos conversar com o Bruno, porque ele é o líder do nosso grupo", ponderou Isauro. "Estou conversando com os vereadores, mas temos que nos reportar ao que deseja o nosso líder. "

O novo prefeito, no entanto, já avisou que quem vota são os vereadores, e não ele. A julgar pela atuação de Bruno durante as negociações internas para a a eleição de Carlos Bonifácio, ele mais uma vez deve evitar meter a mão na cumbuca e aguardar a movimentação dos próprios parlamentares para só então demonstrar sua preferência. Enquanto isso, outros nomes são postos na mesa nas conversas de corredor. Um deles é o de Noraldino, que teve a terceira maior votação da nova legislatura. A despeito de seu nome ser apontado nas rodas, ele afirma que não é candidato à Presidência. Entretanto, não descarta a possibilidade se for um consenso. "Não entro em disputa. Só entro se houver convergência, uma sintonia pelo bem da Câmara." Se intencional ou não, o fato é que, mesmo com o discurso apaziguador, ele não deixa de dar uma alfinetada nos "preferidos". "A história mostra que, quando as ideias são colocadas muito cedo, os grupos começam a se dispersar. Não é tão fácil assim construir um projeto. Mas muito maior do que uma disputa de poder é o fundamento da Câmara."

Outro que é apontado como pré-candidato é Chico Evangelista. A Tribuna não conseguiu conversar com o vereador, que chega de viagem na próxima segunda-feira, mas na Câmara ele é nome tido como mais forte no grupo formado também pelos pedetistas Ana das Graças Rossignoli e José Fiorilo. Enquanto nada passa de rumor, contudo, o único anúncio concreto de candidatura foi feito em plenário por Betão. "A bancada do PT também deve buscar apresentar chapa, porque há conteúdos programáticos que temos que discutir aqui na Câmara: concurso público, a revisão de alguns gastos com a verba indenizatória…" O aviso é uma forma de marcar território político, mas a concretização de uma chapa encabeçada pelo PT é improvável, uma vez que o partido está isolado na oposição.