Ouça agora

Mulher acusada de matar cinco filhos e tentar assassinar o sexto vai a júri em Minas Gerais

Crimes teriam ocorrido entre 2007 e 2023, no Vale do Aço; Justiça também manteve a prisão preventiva da acusada


Por Tribuna de Minas

27/10/2026 às 18h14

Uma mulher acusada de provocar a morte de cinco filhos e tentar matar um sexto será julgada pelo Tribunal do Júri em Minas Gerais. A decisão foi tomada pela Vara Criminal e da Infância e da Juventude da Comarca de Timóteo, no Vale do Aço, na última quinta-feira (22). A ré, identificada como Gissele Rosângela de Oliveira, também responderá pelo crime de coação no curso do processo, por supostamente ameaçar testemunhas durante as investigações.

Segundo denúncia do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), os crimes teriam ocorrido entre 2007 e 2023, nos municípios de Jaguaraçu e Timóteo. A acusação aponta que a mulher teria administrado continuamente substâncias tóxicas, veneno e medicamentos de uso controlado aos filhos. Em alguns episódios, também teria utilizado métodos de asfixia.

Todas as vítimas eram menores de idade. Conforme o Ministério Público, Gissele considerava os filhos “um fardo” e demonstrava um “total sentimento de egoísmo associado ao ódio” pelas crianças.

A decisão de levar a mulher a julgamento, chamada de pronúncia, foi assinada pela juíza Marina Souza Lopes Ventura Aricodemes, que acolheu a denúncia apresentada pelo MPMG.

Mulher também é acusada de ameaçar testemunhas

Além das acusações relacionadas aos filhos, Gissele teria constrangido e ameaçado testemunhas e informantes entre abril e setembro de 2025, com o objetivo de interferir nas investigações policiais.

Por esses fatos, a ré também responderá pelo crime de coação no curso do processo, que ocorre quando alguém utiliza violência ou grave ameaça para tentar influenciar pessoas envolvidas em uma investigação ou processo judicial.

A defesa da acusada contestou a existência de provas e de indícios suficientes de autoria. Os advogados também mencionaram o indeferimento de um incidente de insanidade mental e solicitaram que a mulher não fosse submetida ao Tribunal do Júri, além de pedirem a retirada das qualificadoras atribuídas aos crimes.

Justiça aponta indícios e mantém prisão preventiva

Ao analisar o caso, a magistrada considerou que os elementos apresentados eram suficientes para que Gissele fosse submetida a julgamento popular. A juíza destacou que cabe aos jurados decidir sobre a autoria e as circunstâncias definitivas dos crimes.

Segundo a decisão, a “definição definitiva sobre a dinâmica dos fatos e a autoria compete ao Conselho de Sentença, não sendo a ausência de testemunha ocular fundamento bastante, por si só, para a impronúncia.”

A magistrada também levou em consideração os resultados de exames toxicológicos realizados durante as investigações. Conforme a decisão, os elementos reunidos apontaram indícios mínimos “de que a substância detectada no organismo das crianças teria sido supostamente administrada durante o período em que elas se encontravam sob os cuidados exclusivos da acusada”.

Pelas mortes dos cinco filhos, Gissele responderá perante o Tribunal do Júri por homicídios com qualificadoras que incluem motivo torpe, emprego de veneno ou meio insidioso ou cruel, asfixia e utilização de recurso que dificultou a defesa das vítimas.

A juíza também decidiu manter a prisão preventiva da acusada e negou o direito de recorrer em liberdade.

A decisão de pronúncia não representa uma condenação. A responsabilidade criminal da ré será analisada pelo Tribunal do Júri, ainda sem data de julgamento informada no material divulgado.

Texto reescrito com o auxílio do Chat GPT e revisado por nossa equipe