Tanqueiros ameaçam greve nos estados da região Sudeste
Em comunicado, sindicato aponta suspensão das atividades não essenciais como motivo de insatisfação e alerta chance de paralisação na próxima semana
Os transportadores de combustíveis e de derivados de petróleo dos estados de Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo podem cruzar os braços a qualquer momento, segundo comunicado do Sindicato das Empresas Transportadoras de Combustíveis e Derivados de Petróleo do Estado de Minas Gerais (Sindtanque-MG). A nova movimentação dos trabalhadores, que chegou a iniciar um momento grevista em fevereiro, ocorre em função de insatisfação com a suspensão de atividades não essenciais nos estados “sem qualquer consulta ao setor e à sociedade”, afirma, em nota.
O sindicato afirma que as medidas de restrição econômica podem levar à falência várias empresas e, consequentemente, postos de trabalho. De acordo com o movimento, mesmo se tratando de um serviço essencial, as restrições afetam o consumo. “Mesmo sendo considerado um serviço essencial, o setor viu sua situação, que já era complicada, se agravar em tempos de pandemia, sem receber nenhum tipo de incentivo, isenção ou redução de impostos e taxas. Nem mesmo a disponibilização de vacinas para os caminhoneiros, incluídos no grupo prioritário, saiu”, lamenta.
O Sindtanque ainda lembra os altos custos do diesel e dos insumos que incidem sobre o frete para cobrar medidas de socorro ao setor aos governantes. A categoria destacou o artigo 486 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). No texto, é definido que “no caso de paralisação temporária ou definitiva do trabalho, motivada por ato de autoridade municipal, estadual ou federal, ou pela promulgação de lei ou resolução que impossibilite a continuação da atividade, prevalecerá o pagamento da indenização, que ficará a cargo do governo responsável”.
Paralisação pode ocorrer na próxima semana
Em nova manifestação na manhã desta quinta-feira (18), o presidente do Sindtanque-MG, Irani Gomes, levantou a possibilidade de iniciar a paralisação na próxima semana. “O Governo (de Minas) precisa ter uma sensibilidade de trazer algum auxílio emergencial para a categoria. Se não houver nenhuma conscientização do Governo, nós não conseguiremos continuar com as nossas atividades. A categoria entrou em estado de greve e, na próxima semana, pode paralisar todo o abastecimento de combustível e derivados de petróleo no estado”, alerta.
Restrições nos estados do Sudeste
Em novo estágio de avanço severo da pandemia de coronavírus, os estados do Sudeste brasileiro adotam medidas de restrição na circulação de pessoas na tentativa de diminuir a proliferação do vírus. Em Minas Gerais, o governador Romeu Zema anunciou lockdown em todo o território estadual a partir de quarta-feira (17), com toque de recolher entre 20h e 5h e funcionamento apenas de serviços essenciais. Os demais estabelecimentos comerciais podem operar em delivery e retirada do balcão, conforme o decreto estadual. Mas alguns municípios, com situação epidemiológica deteriorada, como Juiz de Fora, as prefeituras proibiram até mesmo o serviço de retirada.
Com ocupação de 90% dos leitos, o Espírito Santo também entrou em “quarentena”, como foi definido pelo Governo do estado, por duas semanas. No período, haverá suspensão das aulas e do comércio. Também em situação hospitalar debilitada, com cerca de 90% dos leitos da UTI ocupados, São Paulo ainda ameaça o endurecimento do Plano São Paulo, programa de regulação do combate à pandemia no estado. Alguns municípios, como Araraquara, São José do Rio Preto e Ribeirão Preto, no interior do estado, já anunciaram lockdown.
Já no Rio de Janeiro, o governador Claudio Castro anunciou, na quarta-feira, a prorrogação do toque de recolher no estado. A medida ocorre entre 23h e 5h, na tentativa de desafogar o sistema hospitalar carioca, que tem 82% de ocupação.









