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Piranguita Nada no balaio


Por Tribuna

31/07/2011 às 07h00

A partida entre Flamengo e Santos na última quarta-feira merece um livro. Foi um jogo como há muito tempo não se via. Na véspera até ameacei apostar com algum dos muitos flamenguistas do meu convívio o fim da invencibilidade rubro-negra. Até pensei que isso aconteceria mesmo ainda nos primeiros 30 minutos de jogo. Depois, veio o jogo. Veio o Ronaldinho como há muito tempo não vinha. Permaneceu a invencibilidade, mas com um belo futebol. Dessa forma, até os vascaínos vão concordar, não há problema. Mesmo porque o Flamengo ainda não jogou com o Cruzeiro.

Mas, é preciso reconhecer, foi um jogo daqueles. Tudo bem que, quando se tem Neymar e Ronaldinho em campo, não podia ser diferente, embora na Seleção e em outras partidas, ambos tenham deixado a desejar. Não seria normal é se eles passassem despercebido. O imponderável aconteceu foi no jogo do último domingo. Não se trata do golaço do Wallyson, que até perdeu o encanto depois do que fez o Neymar, mas do jogo Cruzeiro e Corinthians. Na verdade, nem do jogo em si, mas de uma infeliz coincidência envolvendo a partida.

Estávamos a uns 200km da civilização, em um vilarejo de não mais que 500 habitantes chamado Piranguita, interior de Minas. Meu companheiro desta coluna, Renato Salles, foi quem teve a ideia de procurar algum boteco para ver o jogo. Concordei e entramos no primeiro com uma TV ligada. Era uma televisãozinha de 14 polegadas, pendurada a dois metros de altura com o propósito aparente de ninguém ver nada. Fincamos acampamento em uma mesinha e lá ficamos forçando a vista.

Não demorou muito tempo e, para minha surpresa e entusiasmo do Renato, adentrou naquele local, onde estávamos com mais meia dúzia de matutos, um sujeito com a camisa do Corinthians. Tudo bem que não ficou para ver o Wallysson, mas permaneceu tempo suficiente para me fazer acreditar que o Lula popularizou mesmo o Timão.