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Papo de gandula


Por WALLACE MATTOS

30/07/2013 às 07h00

Sonho

Caros e caras, não são raras as vezes que me pego a sonhar como seria se o Tupi fosse uma equipe com mais possibilidades financeiras para acertar suas contas, cumprir seu compromissos, ter uma estrutura digna e poder planejar suas participações em competições com tranquilidade. E momentos como os que vive atualmente o Carijó me fazem estar certo de que, se pelo menos se aproximasse dessa situação ideal, o clube juiz-forano seria uma máquina somente comparável às principais potências do futebol brasileiro.

Imagine comigo: se hoje – com falta de luz, salários atrasando mês sim e outro também, dinheiro para ter à disposição dos profissionais do futebol menos que o essencial, campo de treinamentos desgastado, possibilidades reduzidas de utilizar o estádio onde joga para seus treinos de adaptação, enfim, turbulências mil – o time é vice-líder de seu grupo na Série D do Campeonato Brasileiro, 1 ponto atrás do primeiro – que deve ter um orçamento mensal pelo menos três vezes maior do que o dos juiz-foranos – e tendo um jogo a menos, caso a situação melhorasse só um pouquinho em Santa Terezinha já daria para alcançar a Série B. Melhorando tudo, era fazer frente aos gigantes nacionais com tranquilidade.

E digo isso não só pelo sonho em si, mas para valorizar o trabalho de quem faz esse clube, hoje a meu ver inviável em diversos aspectos – como muitas agremiações até muito maiores também são -, se viabilizar na base do suor, da raça mesmo. Trabalha-se muito para não deixar o sonho de um time de futebol profissional de Juiz de Fora morrer, e a própria cidade não parece conspirar a favor. Isso quando não vai contra mesmo. Essa situação me deixa sempre revoltado. Isso porque sei que seria mais fácil para quem se sacrifica para manter a bola em jogo simplesmente dar as costas ou fazer um trabalho burocrático, sem almejar ou se debater para alcançar o que, com as pernas carijós hoje, parece impossível. Assim, sigo sonhando com um Tupi forte e torcendo para que quem se sacrifica – em campo e fora dele – pelo Carijó não faça como muitos por essas bandas e desistam de sonhar comigo.