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Compromisso com a piscina


Por BÁRBARA RIOLINO

29/08/2014 às 06h00

Não ter obrigações com algum tipo de clube ou federação não quer dizer que o atleta precisa relaxar nos treinos e não levar o esporte a sério. Pelo contrário, o compromisso com a natação e a vontade de vencer parecem estar ainda mais afloradas dentro da piscina. Juiz de Fora sedia neste final de semana um campeonato voltado para atletas não federados, movimento que tem apresentado crescimento no país. A Copa Brasil de Natação Não Federados, organizada pela MGEsporte, de Belo Horizonte, acontece amanhã e domingo, sempre a partir das 8h, no Campus da UFJF, e deve reunir mais de 300 atletas.

Divididos em 21 equipes, os nadadores disputam provas individuais nas categorias pré-mirim, mirim, petiz, infantil, juvenil, júnior e sênior, além do revezamento 4x50m medley. Além destas, a competição reserva um novo desafio: a absoluto, prova que reunirá atletas de todas as idades nos estilos livre, peito, costas e borboleta. Juiz de Fora será representada por três equipes: AABB, Bom Pastor e Jesuítas. As 18 restantes são oriundas de outras cidades mineiras, e dos estados do Rio de Janeiro e do Espírito Santo.

"Este tipo de evento ajuda a motivar atletas que, às vezes, não podem se dedicar por muito tempo aos treinos. Acreditamos que isso ajuda a estimular o esporte em crianças, adolescentes e adultos", explica o conselheiro técnico da MGEsporte na cidade e técnico da equipe do Jesuítas, Edson Moraes da Silva, acrescentando que seus alunos dedicam às piscinas, em média, uma hora por dia.

Segundo Edson, a premiação acontece nas categorias individuais e coletivas, a partir do somatório de pontos. "Os três melhores em cada categoria serão premiados com medalhas e pontuarão para sua equipe. As cinco equipes que obterem maior número de pontos receberão troféus." O treinador acredita que o evento abrirá as portas para outras competições envolvendo atletas não federados aconteçam na cidade.

Para o diretor da Faculdade de Educação Física da UFJF, Maurício Bara, o número de atletas não federados inseridos em torneios tem aumentado, e são nadadores de muita qualidade. "Este tipo de competição tem crescido muito no Brasil, em consequência da inoperância das federações. É uma prática saudável e válida para democratizar e difundir o esporte."

Bara ressalta, ainda, que a Copa trará benefícios não só para os atletas e organizadores, mas aos alunos da educação física da UFJF. "A arbitragem do campeonato será realizada por eles. É uma maneira de aplicarem na prática o conhecimento obtido em sala de aula. Todo mundo sai ganhando."

 

‘A natação é uma coisa de família’

Parte dos adolescentes que compõem a equipe do Jesuítas parece ter nascido dentro da piscina. A parceria formada em quase uma década de convivência tem garantido bons resultados nos campeonatos e afastado qualquer tipo de rivalidade. "São oito anos competindo juntos. Somos muito ligados, e o que mais me motiva a estar aqui, além do esporte, é a amizade que construímos", ressalta a estudante Júlia Cotta Brandão, 15 anos.

"A natação nos fez ser muito amigos, além de criarmos uma disciplina e organização para conciliar os treinos com o estudo, não deixando nada para depois", destaca Marcela Gonik Dias, 15, que no momento em que a reportagem acompanhava o treino, dividia a piscina com a irmã, Paula Gonik Dias, 12. "Não existe rivalidade entre a gente, pois a natação é uma coisa de família", observa Marcela.

Entre os meninos, Gustavo Gayer, 15, está na equipe desde os 9 e espera que o grupo consiga conquistar bons resultados. "Temos treinado muito para este campeonato, que será bem difícil, por ter mais gente competindo." Lucca Viccini, 15, treina desde os 7 e nunca faltou a nenhuma competição. "Procuro fazer da natação uma forma de estímulo, principalmente para a minha irmã mais nova, que começou no esporte e vai participar também da competição."