Os pés pelas mãos
Vou não, quero não, posso não…
Não dá para fugir do óbvio. O assunto do dia continua sendo o melhor jogo de todos os tempos da última semana. Um Santos x Flamengo com todos os recursos de emoção. A vitória do Rubro-Negro fez com que seus torcedores se tornassem ainda mais confiantes e a taça do Brasileirão mais palpável, apesar da terceira posição e da infinitude de rodadas que a competição ainda reserva. Afiançou a empatia entre a massa e o novo ídolo. A euforia é visível. Ontem, vindo para a redação, passei em frente a um boteco de onde vinha um som inflamado: Vou não, quero não, posso não, o Flamengo é campeão. Não vi a cara do sujeito, mas imaginei um rosto feliz, mesmo marcado pelas agruras da vida. Talvez até sem dinheiro para pagar a cachaça consumida sob sol forte, embriagado pela vitória da noite anterior.
No meu andar apressado, identifiquei-me com o gaiato. Mesmo que trocasse o Flamengo do último verso por um certo clube onde o preto e branco é tradição. Senti como se estivesse dentro daquele botequim, compartilhando sentimentos semelhantes. E é exatamente isso que o futebol faz com aqueles que o tem como doutrina. Torna todos iguais, na alegria ou na derrota, por uma vida menos ordinária.
E os flamenguistas têm muito o que comemorar. O triunfo dá moral e vai além do discurso simplista de que Ronaldinho foi melhor que Neymar. Bobagem! Os dois foram geniais. Mesmo de crista baixa, o menino da Vila fez um gol digno de mil placas. O Gaúcho aprontou das suas. Vimos ainda Borges e Thiago Neves, e as vilanias de Elano e Deivid.
Apesar da aula sobre como o futebol deve ser jogado dada pelos dois times, as principais responsáveis pela partida emocionante foram as duas defesas. Pífias, permitiram tamanho ímpeto ofensivo das duas partes. Pesando o desempenho de quarta, os setores defensivos podem até comprometer as aspirações ao título de Fla e Peixe, quando seus ataques estiverem menos inspirados.
Agora, resta aguardar pelo melhor jogo de todos os tempos da próxima semana. E se alguém me incomodar enquanto estiver na frente da TV, a resposta está pronta: Vou não, quero não, posso não…









