MP-SP irá investigar emboscada de organizada do Palmeiras contra torcedores do Cruzeiro

Ataque contra um ônibus de torcedores da Máfia Azul, no último domingo, deixou uma pessoa morta e 20 feridas


Por Agência Estado

28/10/2024 às 09h49- Atualizada 28/10/2024 às 09h59

O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) informou que o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) vai investigar a emboscada da Mancha Alvi Verde, principal organizada do Palmeiras, a um ônibus da Máfia Azul, com torcedores do Cruzeiro, que terminou com uma pessoa morta e 20 feridos. O ataque aconteceu no domingo (27), na Rodovia Fernão Dias, em Mairiporã, na região metropolitana.

A entrada do Gaeco no caso foi determinada pelo procurador-geral de Justiça Paulo Sérgio de Oliveira e Costa, que vê as uniformizadas atuando como “verdadeiras facções criminosas”. O promotor Fernando Pinho Chiozzotto, de Mairiporã, também vai acompanhar as investigações da Polícia Civil, enquanto o MP-MG se colocou à disposição para ajudar na apuração do caso.

“Tal episódio é inaceitável e representa uma grave afronta à segurança pública e à convivência pacífica em nossa sociedade”, disse o procurador-geral, em nota. “Que fique claro: quem age ao arrepio da lei deve responder por seus atos”.

De acordo com a Polícia Rodoviária Federal (PRF), ônibus com torcedores de Palmeiras e Cruzeiro se encontraram no pedágio por volta das 5h, e começaram o confronto entre si com um ataque de rojões. O homem que morreu tinha 30 anos e sofreu graves ferimentos causados por queimaduras. Ele foi encaminhado para o Hospital Anjo Gabriel, mas não resistiu.. A unidade de saúde recebeu 18 vítimas, enquanto outras três foram levadas ao hospital de Franco da Rocha. Um dos pacientes deu entrada com um ferimento de arma de fogo no abdômen, mas não corre perigo.

Ainda de acordo com informações da PRF, dois ônibus com torcedores do Cruzeiro voltavam de Curitiba, onde a equipe mineira enfrentou o Athletico Paranaense no sábado (26), quando foi alvo do ataque. Um dos veículos foi depredado, enquanto o outro foi completamente incendiado.

Imagens da barbárie circularam nas redes sociais. Em uma das gravações, um torcedor do Palmeiras cita o ocorrido como “cobrança” pelos ataques da torcida do Cruzeiro contra a torcida paulista em 2022. Na ocasião, Jorge Luís Sampaio Santos, presidente da Mancha Alviverde, teve sua carteirinha de sócio, documentos e cartões de créditos arrancados,, além de ter sido espancado e ter vídeos expostos nas redes sociais. A confusão terminou com quatro torcedores feridos a tiros.

Tanto o Cruzeiro quanto o Palmeiras se manifestaram oficialmente lamentando o episódio. “Não há mais espaço para violência no futebol, um esporte que une paixões e multidões. Precisamos dar um basta a esses atos criminosos”, escreveu o clube mineiro. “Que os fatos sejam devidamente apurados pelas autoridades competentes e os criminosos, punidos com rigor”, cobrou a equipe paulista.

Conflitos entre as torcidas começaram na década de 1980

Entre emboscadas em rodovias e confrontos na porta de estádios, as torcidas organizadas de Palmeiras e Cruzeiro já acumulam episódios de violência mútua desde a década de 1980. O caso do último domingo, é mais um capítulo de brutalidade no futebol brasileiro

O início da rivalidade entre as duas torcidas ocorreu há mais de 30 anos, em 1988, após o assassinato de Cleofas Sóstenes Dantas da Silva, um dos fundadores da Mancha Alvi Verde, morto a tiros em São Paulo. Ele foi homenageado com cantos e uma queima de fogos em jogo do Palmeiras seguinte ao crime, contra o Cruzeiro, na capital paulista. Os cruzeirenses que estavam na arquibancada provocaram a torcida adversária ofendendo o fundador e desencadeando uma briga generalizada no setor visitante. Desde então, as duas torcidas mantêm uma relação marcada pela violência.

Os conflitos se estenderam a outras organizadas. Após a rivalidade entre Cruzeiro e Palmeiras crescer, uniformizadas de São Paulo e Atlético-MG surgiram como apoio aos visitantes contra os rivais locais quando há partidas entre as equipes.

Em 2022, integrantes da Mancha Alvi Verde e da Máfia Azul entraram em conflito após os ônibus que levavam as organizadas se cruzarem na Rodovia Fernão Dias, em SP. A confusão resultou no espancamento de Jorge Luís Sampaio Santos, presidente da organizada palmeirenses, que teve documentos roubos e foi exposto em vídeos nas redes sociais. Outros torcedores do time paulista foram feridos por disparos de arma de fogo.

No ano passado, a Polícia Militar de São Paulo conseguiu evitar um possível novo confronto entre as duas torcidas antes de uma partida entre Cruzeiro e Palmeiras pelo Campeonato Brasileiro. Cerca de seis torcedores cruzeirenses foram presos sob posse de armas de fogo e materiais explosivos.

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