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Os pés pelas mãos


Por RENATO SALLES

28/06/2013 às 07h00

Paulinho e mais nove

E lá vou eu me render mais uma vez à estrela do tal Paulinho. Joga muito. Ao lado de outros como Hernanes e Ramires, por exemplo, aparece como um caminho a ser seguido para que, nas próximas gerações de meio-campistas, a figura do ‘volante-volante’ ou do ‘cão de guarda’ não seja tão onipresente nas equipes de base e nos elencos dos clubes brasileiros. O futebol moderno exige que todos os jogadores sejam capazes de ocupar espaços, saber dominar e tocar a bola, e chegar ao ataque quando preciso. Isso, o camisa 18 da Seleção sabe de sobra.

O pior é que já tive que morder a língua várias vezes por conta do autor do gol salvador contra o Uruguai. Corintiano, desdenhei quando o hoje rubro-negro Elias deixou o Parque São Jorge dizendo que o Timão teria um substituto à altura para substituí-lo. O Paulinho é melhor que eu. Não acreditei em um primeiro momento. Nem nos momentos seguintes. Entretanto, Paulinho conquistou a confiança de todos com seu jogo solidário e participativo, e gols em profusão. Muitos deles decisivos, como o da última quarta-feira, que afastou qualquer possibilidade de um Mineirazo, como os pessimistas já ecoavam pelas redes sociais da vida.

Aliás, meu último mea culpa aconteceu durante o próprio duelo com os uruguaios. Ainda no primeiro tempo, quando o camisa 18 perdeu uma bola boba no meio-campo, brinquei. Saiu do Corinthians, acabou a boa fase. Em seguida, emendei: O Paulinho não me representa, parafraseando bordão em voga nos protestos virtuais e reais. O volante, todavia, seguiu sua toada. Correndo estranho, mas presente em todos os lugares do campo. Até que, no final da partida, calou minha boca uma vez mais. Marcou de cabeça o mesmo gol que classificou o Corinthians para a semifinal da Libertadores do ano passado. Deixou bem claro que, negociado ou não, será sempre um representante do título sul-americano do clube paulista. Assim como, caso o Brasil se sagre campeão, seu gol será sempre lembrado por sua importância. A Seleção hoje é Paulinho e mais nove, já que Neymar não entra nessa conta.