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Subindo pelas paredes pelo esporte


Por WALLACE MATTOS

28/04/2013 às 06h00

Quem passa pela parte alta da Rua Espírito Santo, um antigo reduto da boemia estudantil juiz-forana, não pode imaginar o que acontece no número 1.164. No espaço onde já funcionou um dos famosos bares que compõem a maioria do cenário do local, pessoas literalmente sobem pelas paredes. Nos 52m quadrados de área com pé direito de 6m, a Esportes Radicais de Aventura (ERA) construiu, no fim do ano passado, um ginásio de escalada indoor com 28 vias diferentes e hoje realiza seu primeiro festival.

A partir das 10h, a competição – que terá inscrições abertas até as 9h, com vagas limitadas, a R$ 35 – acontece para comemorar o fim do período de chuvas e a despedida do atual formato do Ginásio do ERA. Temos uma proposta de fazer um reforma um vez por ano, casando com a abertura da temporada de escalada em espaços abertos, que é quando acabam as chuvas, entre maio e outubro, mais ou menos. Vamos terminar essa etapa desmontando toda a parede, explica um dos fundadores do grupo, o biólogo e instrutor de montanhismo Thiago Medina, 28 anos, há nove escalando.

Até as 17h, os escaladores vão demonstrar suas habilidades em diferentes situações. É uma competição, mas vamos fazer uma coisa bem informal. Vão ser julgados três quesitos: tempo, pegada e estilo. O tempo é fácil: quem fizer em menos tempo as rotas ganha mais pontos nesse critério. A pegada é a firmeza da pessoa, como ela está usando as técnicas de agarra de mão, firmeza de pé. E o estilo seria mais a parte do desenvolvimento, do alongamento corporal e do equilíbrio. Conforme isso, cada participante vai ser classificado, explica Medina, acrescentando que haverá prêmios para os três primeiros colocados tanto no masculino como no feminino, além de brindes para todos os participantes.

Demanda

A ideia de abrir um ginásio de escalada surgiu para atrair novos adeptos para o montanhismo, do qual o ERA, fundado em 2008, levanta a tocha em Juiz de Fora organizando grupos de escaladores, reunindo instrutores, praticantes e iniciantes. O ginásio foi uma parceria com outro instrutor de montanha, o Helder Souza, de Matias Barbosa. Víamos que, apesar da demanda, o montanhismo em Juiz de Fora – que tem mais de 200 vias para escalada e rapel – perdia força, mesmo com bastante gente interessada, conta Medina.

Meta é sair do ginásio para a pedra

Referência para os escaladores locais, o ginásio prepara os atletas para as rochas. Aqui você aprende, pega resistência e tem o contato com a galera da escalada. É uma alternativa para os meses de chuva. A gente não fica parado, continua treinando. Quando voltamos para a pedra, voltamos melhores, conta o estudante Conrado Campagnacci, 21, escalando há um ano.

De acordo com Medina, o espaço facilita a introdução ao esporte. Sentíamos que as pessoas ainda eram receosas de irem para a pedra direto. No ginásio, elas vêm, conhecem o equipamento (veja arte ao lado), experimentam e depois vão para a rocha. O ambiente é controlado. Não tem sol, não tem chuva nem escuridão para atrapalhar.

Risco

Para Medina, é o risco que dá a graça ao esporte, mas a situação é controlada hoje com mais segurança, embora os aventureiros nas pedras preocupem. Quem gosta de escalada procura a vertigem, gosta de ficar em desequilíbrio. Com todo o aparato que temos hoje, se comparado há dez anos, o esporte é infinitamente mais seguro. Claro, há o risco, o tombo – que chamamos de ‘vaca’ – sempre vai existir e é o que dá graça ao esporte. Acaba sendo a melhor parte da escalada, onde o coração acelera, a perna treme, e você chega embaixo dizendo ‘vamos de novo’.

O instrutor, porém, alerta que é preciso respeitar as regras de segurança. A gente controla isso com vários procedimentos e equipamentos que garantem a sobrevivência. Infelizmente, ainda acontece muito de a pessoa sair por aí tentando escalar sem orientação correta. É até comum encontrar na pedra pessoas muito inexperientes, colocando em jogo a própria vida. Tem que procurar cursos de capacitação e grupos sérios, porque o aprender do ‘disse me disse’ é temerário.

Mais informações: http://esportesradicaisdeaventura.blogspot.com.br/