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‘Estou bem entusiasmado para competir na minha casa’


Por GUSTAVO PENNA

28/02/2016 às 07h00

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Entrevista: Diogo Sclebin, Triatleta

Carioca de nascimento, mineiro no coração. Foi pelo amor ao esporte que o triatleta Diogo Sclebin se mudou há dez anos para Belo Horizonte, cidade onde encontrou as melhores condições climáticas e estruturais para os treinamentos. Não por acaso, os treinamentos na capital mineira foram ensaios para o integrante da equipe Team Bravo conquistar sua primeira vaga olímpica, nos Jogos de Londres, em 2012, competição que terminou com a 44ª melhor marca.

Aos 33 anos, Diogo já consegue se ver disputando a Olimpíada do Rio de Janeiro, o que certamente será uma conquista marcante para quem deu os primeiros passos no esporte na Praia de Copacabana. Com 16 anos dedicados ao triatlo, tendo disputado competições em 31 países diferentes, o triatleta veio a Juiz de Fora para compartilhar suas experiências com um grupo de atletas da cidade. Chance para os leitores da Tribuna conhecerem um pouco mais da preparação de um dos representantes do Brasil nos Jogos Olímpicos de 2016.

Tribuna – Embora viva em Belo Horizonte, você é carioca. Será uma emoção especial disputar os Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro?

Diogo Sclebin – Minha primeira competição de triatlo foi ali em Copacabana, no posto 6, onde será também nos Jogos Olímpicos no dia 18 de agosto. Tem esse ponto a favor, por ser na minha casa, no lugar onde eu competi pela primeira vez na vida, há 16 anos. Estou bem entusiasmado e motivado para competir nessa Olimpíada na minha casa. Essa possibilidade é muito gratificante, independente do resultado que eu venha a ter.

– Essa vaga ainda não está garantida? O que falta para confirmar?

– A vaga é definida por ranking, que só acaba no dia 15 de maio. Mas estou em 42°, e vão 55 atletas, podendo ser até três por país, então é provável que eu fique entre esses até lá. Minha chance é muito grande. Só por uma lesão ou algo mais grave que eu sairia. Até lá ainda tem muitas competições. Na verdade, a última foi em novembro e então fizemos um recesso. Vamos recomeçar em Abu Dhabi, no dia 6 de março, para mais uma etapa do Mundial. Em 11 semanas serão oito provas que pontuam para o ranking olímpico, terminando no dia 15 de maio no Japão. Tenho uma longa volta ao mundo até o fim. Quero estar entre os 40 melhores.

– Quatro anos depois de Londres, você se sente física e mentalmente pronto para fazer uma campanha melhor?

– Em Londres eu me preocupei muito com a classificação. No início de 2012 eu ainda tinha muito trabalho a fazer para me classificar. Talvez isso tenha dificultado um pouco a preparação para a competição. Quando você se preocupa tanto para se classificar, acaba deixando a desejar na preparação para a prova específica. Mas, para o Rio, como a classificação está muito mais próxima e estou mais experiente em olimpíadas, acho que a cabeça fica mais fresca e bem trabalhada para a competição.

– Você sente que a Olimpíada melhorou o incentivo ao esporte no Brasil?

– Esse ano já começamos a sentir a crise. As empresas no fim do ano começam a determinar quanto de dinheiro vão gastar com esporte e a gente, nessa virada de ano, já sentiu um pouco do reflexo, apesar do dinheiro público não estar faltando para o esporte. A partir de agosto, após os Jogos, é que vamos ver. Talvez seja diferente.

– Acredita que a Olimpíada possa representar uma mudança no interesse que as pessoas têm em relação à maioria das modalidades do atletismo, que são mais acessíveis para a prática entre amadores?

– Acho que sim. Acredito que a tendência é que a população se aproxime mais, não olhe o atletismo e a prática desses esportes como algo tão diferente. Às vezes a gente anda na rua com uma roupa de ciclismo e as pessoas olham como se você fosse de outro planeta. Com os Jogos Olímpicos a tendência é que as pessoas se familiarizem mais com as regras e tudo o que envolve o esporte.