Na orelha da bola
Nem tão perfeitinho
Outro dia um amigo músico, digo, baterista, chegou pra promotora de uma casa de shows e, todo simpático, disparou: Oh, que legal, você tá grávida, né?. E ela respondeu na lata Não, filho, tô gorda mesmo. (Rapaz, tem coisas que a gente NUNCA pergunta pra uma mulher…)
E eu também, abordo uma amiga que conversava com outra amiga e, muito espirituoso, mando: Passei a noite inteira fumando e bebendo com seu marido, que no caso era um artista com quem na verdade eu estava trabalhando em um projeto (mesmo que bebendo e fumando). Ela meio que riu um pouco sem graça e de repente eu senti que estava totalmente por fora de alguma coisa, e a outra amiga me deu um cutucão: Ela tá separando dele, ô! (Botei minha violinha no saco e guardei a lição para a posteridade: quem pouco fala, muito escuta)
Tudo bem, e daí? Uma ex-namorada certa feita andou uns 50 metros contando uma piada de cego com um deficiente visual caminhando atrás da gente. Com bengala e tudo. Só demos conta quando ele trombou nas nossas costas quando paramos ao pé de uma escada. Essas coisas acontecem. A cara fica vermelha, a gente tem vontade de se teletransportar para a necrópole de Gizé, mas passa. O infalível é muito chato. Perfeitinho demais. Previsível.
Por isso é lindo quando Londres, padrão do comportamento protocolar, símbolo do compromisso honrado, paladina da pontualidade britânica, faz uma lambança como a de ontem logo no primeiro dia de Olimpíada: mete uma bandeira da Coreia do Sul de todo tamanho no placar eletrônico enquanto apresenta a escalação das jogadores de futebol da Coreia do Norte. Como eles dizem lá: shit happens.
Acabou até sendo bom para as oprimidas de Kim Jong-Un: as moças ficaram tão ofendidas que voltaram para o vestiário. Depois retornaram e, só de raiva, ganharam da Colômbia por 2 a 0. Foi mais incentivo que o ditador poderia dar com todos os seus mísseis e aquele exército que, por sinal, marcha tão perfeitinho…









