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Os pés pelas mãos


Por RENATO SALLES

26/04/2013 às 07h00

Síndrome de vira-latas

Tudo bem que os europeus têm mais grana e reúnem os melhores jogadores do planeta. Sei que é no Velho Continente onde é jogado o melhor futebol do mundo. Admito que a seleção da Espanha chega para a Copa de 2014, aqui, no Brasil, como a principal favorita. Não esqueço de sempre apostar alguns trocados no time da Alemanha, nos bolões da vida. Reconheço que os cintura dura têm uma equipe competitiva. Só não entra na minha cabeça o bando de viúvas que apareceu durante a semana após as derrotas de Barcelona e Real Madrid. Vaiar a Seleção Brasileira que se apresentou mal no Mineirão é válido. Agora, torcer, sofrer, lamentar e discutir pelas agremiações burguesas da gringa, que só são o que são por conta da grana, é demais para mim.

Prefiro defender e consumir o futebol nacional. Ao invés de comprar uma camisa do Barcelona com o nome de Messi às costas, melhor gastar meus pobres reais com a 9 do Tupi, em homenagem ao Ademilson. Ou de Corinthians, Flamengo, Botafogo, Vasco… Já dizia o poeta que o rio mais bonito é o que passa pela minha aldeia. Sou fã de Messi e Maradona, mas, da arquibancada, prefiro gritar pelos times e craques nacionais. Gosto, sim, de debater sobre o Lewandowski. Da mesma forma que sobre o Joaquim Barbosa. Só não consigo me livrar da tal síndrome de vira-latas. Não aquela que idolatra tudo que vem de fora, mas a de sempre acreditar que posso fazer um banquete de migalhas. Por isso, pensei que as derrotas dos poderosos espanhóis pudessem mudar esse cenário até descobrir que tem um torcedor do futebol alemão em cada esquina.