Pesquisas atestam segurança, e juiz-foranos voltam a frequentar clubes de tênis
Espaços conviveram com dificuldades financeiras durante paralisação de cinco meses, mas retomam com alta demanda

Foram mais de cinco meses de espera, mas com uma retomada que oferece esperança. Os clubes de tênis de Juiz de Fora aproveitam a boa fama com pesquisas internacionais, que colocam o esporte como um dos mais seguros para praticar durante a pandemia, e constatam alta procura com a flexibilização das medidas de contenção do coronavírus no município. Com protocolos próprios de funcionamento, os proprietários do ramo se apoiam na segurança da modalidade para atrair novos praticantes. Apesar disto, o médico infectologista Marcos Moura alerta, em entrevista à Tribuna, para cuidados que ainda são necessários.
A maior segurança apontada por pesquisas internacionais ocorre pelo modelo de disputa do esporte. Pelo tamanho oficial, uma quadra de tênis tem cerca de 24 metros de comprimento. Durante um jogo, os tenistas podem ficar a até 30 metros de distância um do outro, não exigindo contato físico entre os jogadores em nenhum momento da partida. A segurança é ainda maior em quadras abertas, como a de alguns clubes juiz-foranos.
Pelas condições naturais da modalidade, a Associação Médica do Texas, nos Estados Unidos, apontou o tênis como o esporte mais seguro para prática durante a pandemia. Cruzando o oceano, o Instituto Politécnico de Turim, na Itália, classificou diversos esportes olímpicos com pontuação entre 1 e 8 para definir o grau de risco de cada modalidade. O tênis foi avaliado entre os três menores níveis de risco, a depender das variações: jogo individual ou em dupla, em quadra aberta ou fechada.

Alta demanda
As constatações internacionais são aliadas na busca pelo público após mais de 150 dias de paralisação dos clubes juiz-foranos. Contatados pela reportagem, o Clube de Tênis Dom Pedro II, a Arena Tênis Clube e o Batata Bowl Sports Center são unânimes: houve intensificação na procura pela prática do tênis de maneira imediata à liberação do funcionamento dos espaços, no final de agosto.
O Sócio Administrador do Batata Bowl, Daniel Barra Alves, ainda observou um detalhe diferente no perfil do público que passou a procurar o clube, com uma prática de grupos já formados e geralmente composto por pessoas da mesma família. “A procura está sendo legal. Muitas mães trazendo crianças para o esporte devido às reportagens que saíram sobre o tênis ser o esporte mais seguro para ser praticado durante a pandemia”, observa Daniel, que assegura o retorno de 95% dos praticantes do período pré-pandemia.
A procura de grupos familiares foi igualmente destacada pelo proprietário da Arena Tênis Clube, Thiago Aguiar. O protocolo de funcionamento adotado pelo local também tem sido um fator que atrai o público para a retomada. “A gente brinca que a quadra é mais segura do que estar em casa. Porque dificilmente o local vai ter um espaço tão grande e aberto com duas pessoas apenas”, analisa. “Durante esse tempo que a gente ficou fechado, nós estudamos bastante o melhor protocolo possível. Hoje a gente segue as recomendações da Federação Mineira de Tênis para fazer tudo bacana”, complementa Thiago.
Além de evitar aglomerações e impedir a utilização de espaços de uso comum, os clubes de tênis ainda tiveram que adaptar o empréstimo de raquetes, recorrente para alunos iniciantes no esporte. “Há a possibilidade de emprestar materiais para iniciantes, mas hoje as recomendações são que cada atleta tenha seu próprio equipamento”, observa Osmar Almeida, administrador do Clube de Tênis Dom Pedro II. Quando é necessário compartilhar o item, os funcionários dos clubes são responsabilizados pela higienização, sendo que em alguns deles o tenista precisa avisar com antecedência que precisará do empréstimo.
Dificuldades durante a paralisação
Em março, os clubes viram o lucro cair a zero repentinamente, com a ordem de fechamento imediato, tendo em vista a contenção na proliferação do coronavírus. O impacto, claro, foi fortemente sentido pelos proprietários. “(O retorno) não consegue compensar (o período fechado) porque a gente estava proibido de funcionar, com movimento zero. A procura está bacana, mas não compensa os quase seis meses que ficamos parados”, analisa Daniel Barra Alves.
O responsável pela Arena Tênis Clube, por outro lado, entende que o período de paralisação serviu para os envolvidos com a prática do tênis valorizarem ainda mais o momento do retorno. “Acho que foi um período em que as pessoas fizeram bastante reflexão, e estão aproveitando mais o momento de voltar. O fato de ter ficado sem poder jogar foi uma coisa nova e eu acho que as pessoas estão valorizando ainda mais o fato de poderem praticar”, analisa Thiago Aguiar.

Tenistas voltam confiantes
A confiança nos protocolos de segurança é ressaltada pelos tenistas que voltaram a praticar o esporte nos clubes juiz-foranos. O analista João Guilherme Marques Lopes retomou as partidas na Arena Tênis Clube logo que as academias voltaram a funcionar no município. “Levei em conta a segurança do esporte em relação aos demais. Se as precauções forem tomadas, o risco de transmissão é muito baixo”, afirma.
O empresário Renan Portes voltou a frequentar o Batata Bowl logo na reabertura do clube, em meados de agosto. Ele lembrou o fato das partidas serem disputadas em quadra aberta e arejada, além das medidas de segurança. “Vou ao clube de máscara e a uso durante todo o período, exceto durante os jogos. Utilizo vestiário apenas para trocas de roupa e faço sempre a higienização das mãos”, conta.
Infectologista alerta para cuidados
A segurança do esporte é atestada também pelo médico infectologista juiz-forano, Marcos Moura. A ausência de contato entre os jogadores foi a característica mais destacada pelo especialista, mas os espaços de convivência e itens compartilhados devem ser evitados a todo custo, segundo ele. “Basicamente, se eles tiverem cuidados na entrada e na saída e não compartilharem itens pessoais, o risco é mínimo. Ainda assim, se recomenda evitar abraço, aperto de mão, contato físico”, alerta.
Moura também orientou os juiz-foranos a priorizarem os esportes individuais, mais seguros durante o período epidêmico. “Em caso de atividades coletivas, (é importante) evitar grupos grandes. Sempre valorizar os lugares abertos e evitar a aglomeração de pessoas no caso de esperas; não usar espaços coletivos de higiene, no caso vestiários e banheiros. O atleta deve ir ao local, fazer atividade com uma pessoa combinada, evitar o contato físico e sempre utilizar o álcool gel durante a atividade”, aconselha o especialista.









