Esse é o jogo da nossa vida

Criado como técnico no Tupi, Léo Condé comanda hoje o sonho de uma cidade inteira
Pode se tornar realidade no início da noite de hoje o maior sonho do futebol profissional juiz-forano. Disputando uma vaga na Segunda Divisão do Campeonato Brasileiro, na qual clube local algum jamais esteve, o Tupi entra em campo às 16h para encarar o Paysandu, no Estádio Municipal Radialista Mário Helênio, no jogo de volta do mata-mata das quartas de final da Série C carregando a esperança de toda a cidade em ter uma equipe entre as 40 maiores do Brasil. E em um grupo que tem em suas fileiras atletas nascidos em Juiz de Fora, profissionais da região e forasteiros amplamente identificados com a camisa alvinegra, o torcedor espera estar representado dentro de campo.
A começar pelo comandante, o atual elenco do Carijó sabe bem o que pode significar um acesso à Série B para a cidade. Nascido em Piau, Léo Condé ingressou nas fileiras alvinegras ainda adolescente. Em Santa Terezinha nasceu o gosto pelo mundo da bola e a vontade de ser treinador profissional, o que anos mais tarde se tornaria realidade no próprio Tupi. Hoje à frente do time em um momento que pode ser histórico, o técnico admite viver uma situação que ficará marcada caso o Alvinegro suba. “Eu, que sou da região, que iniciei como treinador nas categorias de base do Tupi, que profissionalmente também tive minha primeira experiência aqui, sem dúvida sinto algo especial nesse momento. O frio na barriga, sentimos como o torcedor. E de todos os trabalhos que realizei no clube, esse está sendo diferente, principalmente pelo grupo de atletas. Se fecharam de uma tal maneira que nos passa essa confiança em poder alcançar esse acesso”, conta.
Poucos jogadores têm o Tupi tão misturado em sua história como o lateral-esquerdo Raphael Toledo. Cria da base carijó, neto do ídolo eterno do clube Toledinho e filho do zagueiro Júlio Maravilha, o jogador sente na pele a importância do jogo desta tarde. “A família virá toda e, particularmente, minha entrega será total. Vou dar a vida, fazer de tudo para subir o clube que amo. Precisamos chegar dentro de campo no sábado e dar o máximo de qualidade técnica e de raça. Dessa maneira estou certo de que vamos fazer os gols para conquistar esse acesso”, confia.
Momento bom
Desconfiado, o torcedor juiz-forano nos últimos dias lembrou do momento no qual o Alvinegro de Santa Terezinha esteve mais próximo da Série B anteriormente e também decidia em casa o acesso, em 1997, o que acabou não se concretizando. Mas Condé faz questão de lembrar que o momento do clube é outro. “Desde 2006, quando voltou para a Primeira Divisão do Mineiro, em quatro anos o Tupi se classificou para as semifinais do Estadual, ganhou a Taça Minas, nacionalmente conseguiu dois acessos, um título, então a torcida não pode se queixar muito em questão de resultados. Claro que esse é um jogo especial por se tratar de algo inédito, gera essa expectativa no torcedor. Mas quem torce pode ficar tranquilo, vir apoiar, pois estamos bastante confiantes aqui.”
Para conquistar o acesso hoje, o Tupi precisa vencer. Qualquer empate dá a vaga na Série B ao Paysandu. O placar de 1 a 0 a favor do Carijó, assim como qualquer vitória por dois ou mais gols de diferença, colocam o clube de Juiz de Fora na Segundona no ano que vem. Em caso de o 2 a 1, placar que favoreceu o Papão no último dia 18, em Belém do Pará, se repetir, desta vez a favor do Alvinegro de Santa Terezinha, a disputa pela Segunda Divisão vai para os pênaltis.
Se precisa vencer, o Carijó precisa de gols. E ninguém entende mais de fazer gols no Estádio Municipal do que o artilheiro Ademilson. Além de balançar as redes em Juiz de Fora, pode-se dizer que outra especialidade do centroavante é conquistar acessos com o clube local: foram dois da Série D para a C, em 2011 e 2013. O atacante sabe bem o que o time precisa para conseguir subir novamente de divisão e quer dar um passo adiante, de preferência deixando sua marca. “Jogaremos como se fosse a última partida da vida. Fizemos isso nos acessos anteriores. Nos fechamos, olhamos um no olho do outro e dissemos: esse é o jogo da nossa vida. E sempre foi. Mais uma vez será. Lutaremos até o fim para mudar de patamar novamente e dar alegria a essa torcida. Espero que nesse sábado possa fazer gol e ajudar o Tupi da maneira que sei.”
Outro jogador que já esteve em campo com o Carijó em um acesso de divisão é o goleiro Rodrigo, em 2011. “Quando disputamos aquele acesso em Anápolis, vimos a pressão que foi. A Anapolina tinha um resultado totalmente adverso (o Tupi havia vencido o jogo de ida por 4 a 1 em Juiz de Fora) e, mesmo assim, vinha para cima, com o apoio da torcida. Pressionaram o tempo todo, tive que fazer várias defesas. Assim, considero que o apoio do torcedor aqui será fundamental. Quando atacarmos, sei que a pressão em cima deles nesse sábado será enorme”, prevê.
Para a partida deste sábado, o técnico do Tupi, Léo Condé, teve aliviada sua maior dúvida. O zagueiro Wesley Ladeira se recuperou de dores na panturrilha esquerda e vai para o jogo. O único que ainda inspira cuidados é o centroavante Elder Santana, que torceu o tornozelo no coletivo da última quinta-feira e, se não tiver plenas condições, pode ficar de fora. Douglas e Ademilson seriam as opções do treinador para substituí-lo.
No Paysandu, o técnico Mazola Júnior não fez muito mistério com relação à substituição de seu dois cabeças de área: Zé Antônio, expulso no primeiro jogo contra o Carijó, e Augusto Recife, suspenso pelo terceiro cartão amarelo. Entram Lenine e Ricardo Capanema, e o restante do time será o mesmo da primeira partida contra o Tupi, segundo as declarações do treinador à imprensa paraense.
Larga experiência em acessos
Esquema de ônibus e ingressos
A Secretaria de Transporte e Trânsito (Settra) vai disponibilizar 20 ônibus extras para levar os torcedores ao Mário Helênio a partir das 13h. As linhas especiais serão 517, 180 e 780, todas identificadas na parte frontal como “Estádio Municipal”. O trajeto das linhas será realizado, no sentido Centro/Estádio, partindo da Avenida Presidente Itamar Franco (em frente ao Procon) e seguindo pela Avenida Doutor Paulo Japiassú Coelho, Avenida Deusdedit Salgado, Avenida Prefeito Melo Reis e Avenida Eugênio do Nascimento, até o Clube dos Bancários.
A solicitação aos torcedores do Tupi que subirem em veículos particulares é que acessem o estádio pelo mesmo trajeto dos ônibus ou pelo Bairro Santos Dumont, evitando a entrada pelo pórtico sul da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), na Rua Eugênio do Nascimento, para onde será direcionada a torcida do Paysandu, que terá acesso ao estádio pelo portão do Dom Orione. Já os torcedores do Carijó entram pelos portões principal e lateral. Todas as entradas do estádio estarão abertas a partir das 13h.
Os ingressos hoje serão vendidos somente no Estádio Municipal, a partir das 10h, a R$ 50 (inteira) e R$ 25 (meia-entrada, disponível para estudantes, menores de 12 anos e maiores de 60, desde que a condição seja comprovada com apresentação de documento). Pessoas com deficiência têm direito a acesso facilitado ao estádio, pelo portão principal, porém não possuem direito a gratuidade ou meia-entrada.









