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Discórdia bem na reta final


Por WALLACE MATTOS

25/08/2013 às 07h00

Os próximos dias deveriam ser de ansiedade para uma comunidade numerosa, de estimadamente 15 mil praticantes locais, que vem há tempos reivindicando uma espaço ideal para a prática de seu esporte. Mas, ao invés da concretização de um sonho, os skatistas de Juiz de Fora temem que mais uma pista inadequada seja construída na cidade, impossibilitando assim o desenvolvimento da modalidade e tirando a oportunidade de muitos jovens terem um lugar apropriado para praticar suas manobras.

Desde o fim de 2011, a cidade tem recursos liberados, garantidos pelo Ministério do Esporte e somados à contrapartida da Prefeitura, de R$ 341.494,75, para a construção de uma pista de skate. Esta obra faria parte da reforma do Parque da Lajinha, concluída no fim de 2012. Por conta do impacto ambiental, o aparelho esportivo não pôde ser construído onde foi planejado. Assim, no início de 2013, uma área alternativa foi proposta pelo Executivo municipal e aprovada pela Associação Juiz-Forana de Skate (AJS). É a mesma pista do Parque da Lajinha. A ideia é que ela faça parte do complexo esportivo formado pelo Estádio e o Ginásio Municipal. O projeto já estava aprovado pela Caixa Econômica Federal (responsável por liberar os recursos necessários para a construção), e aproveitou-se isso, explica a subsecretária de Coordenação e Projetos da Secretaria de Obras (SO), Roberta Ruhena.

A diretoria da AJS, no entanto, aponta erros no projeto original e teme que, se licitada desta maneira em processo que já está aberto na Comissão Permanente de Licitação (CPL), a construção não sirva aos propósitos dos principais usuários. Participamos do processo de elaboração do projeto como consultores, gratuitamente, entre 2010 e 2011, mas nunca tivemos acesso ao detalhamento da pista. Isso só aconteceu agora, no início do ano, quando pudemos constatar algumas inadequações e erros. Assim que isso foi feito, comunicamos à Coordenação de Projetos da SO e à Secretaria de Esporte e Lazer (SEL). O Executivo municipal tem sido muito aberto a nos ouvir nessa questão, e espero que seja novamente. Caso a obra seja licitada da maneira que está, será mais uma pista inadequada, como tantas antigas em Juiz de Fora, disse o representante da AJS no Conselho Municipal de Desportos (CMD), Brunner Lopes, ao ser comunicado pela reportagem da Tribuna, na última sexta-feira, de que a licitação (na modalidade tomada de preços) para a construção do aparelho esportivo teve edital publicado na página da CPL e acontecerá no dia 5 de setembro, às 9h30.

Alterações

Brunner, que tem mais de 20 anos de skate, disputando competições por todo o país, e foi consultor na construção de pistas em Matias Barbosa e São João Del Rei, além de ter participado do processo de elaboração da nova instalação para o esporte na Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), encaminhou, também na última sexta-feira, e-mail comunicando a CPL sobre os problemas no projeto e pedindo a alteração do mesmo. A largura do snake (parte da pista que se parece com uma cobra) é de 3m e, assim, sua profundidade, começando com 1,50m e terminando com 1,80m, está incompatível. Sugerimos deixá-lo mais raso. O bowl (local em formato de 8 para manobras) não está deixando espaço para circulação, tendo em vista que há outros obstáculos próximos, como a escada e o corrimão. Gostaríamos que ele fosse colocado do outro lado da pista. A concha está alta, com 2m de altura, para seu raio de 3m e profundidade de 1,75m. Pedimos que isso seja harmonizado. As entradas das rampas não podem ser retas, tem que haver o que se chama de concordância, e o piso sugerido é de granilite. Consultamos especialistas, e esse piso não tem durabilidade. O que se tem usado nas pistas mais modernas é o concreto usinado. São pequenas alterações que não alteram o custo do projeto, mas influenciarão demais na utilização dela pelos esportistas locais, explica Lopes.

Segundo o responsável pela elaboração da pista, o arquiteto Marcelo Portes, da Lego Projetos, a AJS participou do processo e ajudou efetivamente no desenvolvimento do desenho do aparelho esportivo. Meu escritório foi contratado pela Prefeitura para elaborar essa pista e tivemos a orientação de entrar em contato com a AJS. Representantes deles vieram aqui duas vezes, não levantei nenhuma informação técnica sem consultá-los. Podem ter mudado de ideia e querer essas alterações. Mas aí o projeto já não estava mais sob minha responsabilidade, diz o criador da obra. Aconselho até o pessoal da entidade a participar ativamente do processo de construção para poder observar de perto e dar algumas dicas a quem vai construí-la, completa.

Coordenador de projetos da SO, o arquiteto Léo de Paula, garante que o processo licitatório vai acontecer no dia 5 de setembro, e os pedidos da AJS podem ser atendidos com o andamento da obra. Vamos licitar do jeito que está o projeto, e as pequenas adaptações podem ser feitas tranquilamente durante a execução da obra. No caso da profundidade do snake, isso é tranquilo, pode-se cavar menos. A altura da concha é outro aspecto que pode ser trabalhado. Já o uso do granilite, na última reforma que fizemos nas pistas de Juiz de Fora, foi recomendado pela AJS, por isso consta nesse projeto. O concreto usinado é até mais barato e pode ser usado, avalia.

A única mudança difícil reivindicada pela AJS na opinião de Léo de Paula é a troca do bowl. Acredito que não será possível, pois é uma alteração grande. Mesmo assim, cabe uma consulta com quem irá executar a construção. Caso não haja custo extra, as mudanças são possíveis. O que não se pode é empenhar mais dinheiro do município nessa obra, pois a Prefeitura já teve um gasto extra com o serviço de limpeza e terraplenagem com a transferência do Parque da Lajinha para a região onde será, explica o arquiteto.