Estudante cabo-verdiano acompanha de Juiz de Fora campanha histórica do país na Copa
Natural de Cabo Verde, Danielson Gomes acompanha de Juiz de Fora a campanha histórica da seleção na Copa e celebra o reconhecimento do país no Brasil


Estudante de Ciência da Computação, Danielson chegou ao Brasil por meio de um programa de intercâmbio universitário, mas nunca deixou o futebol de lado. Ex-jogador federado em Cabo Verde, ele atuou por clubes das ilhas de São Nicolau e São Vicente antes de desembarcar em Juiz de Fora. “Me sinto em casa. Converso com outros estrangeiros e eles têm dificuldade. Mas acho que pela língua, pela relação entre Cabo Verde e Brasil, tudo ficou mais fácil. Nós consumimos muito tudo do Brasil, o futebol, a arte e a música”, conta.


Estudante vê Copa ampliar orgulho e reconhecimento de Cabo Verde
A trajetória no futebol começou ainda na infância, em sua ilha natal. Depois de se destacar no Clube Atlético de São Nicolau, foi contratado pela Académica do Mindelo, em São Vicente, onde passou a receber salário e apoio para estudar e jogar. O jovem, inclusive, conheceu o ponta-esquerda Ryan Mendes, um dos destaques da Seleção na Copa, e seu principal ídolo do país.
Apesar de ter buscado oportunidades no futebol profissional brasileiro, incluindo períodos de treinamento no Villa Real e em equipes do estado do Rio de Janeiro, questões burocráticas impediram a sequência da carreira. Atualmente, Danielson segue ligado ao esporte disputando competições de várzea e torneios universitários na cidade.
Mas é a seleção cabo-verdiana que tem ocupado os pensamentos do jovem nas últimas semanas. Segundo ele, apenas a classificação para a Copa já era vista como uma conquista histórica para o país africano. “Nunca imaginamos que Cabo Verde pudesse disputar uma Copa do Mundo.”
O entusiasmo aumentou após os resultados obtidos diante de adversários considerados muito superiores. O empate sem gols contra a Espanha e a igualdade por 2 a 2 com o Uruguai fizeram crescer a confiança dos torcedores. Sobre o goleiro Vozinha, atleta que mais ganhou repercussão na Copa, Danielson ressalta o impacto que tem para o futebol cabo-verdiano. “Sempre ouvi e assisti o Vozinha, ele é goleiro da Seleção desde ‘sempre’. Agora pode fazer uma estátua na ilha dele”, brinca.
A campanha também ajudou a colocar o país em evidência. Danielson conta que, quando chegou ao Brasil, poucas pessoas conheciam o seu país. Agora, a situação mudou. “Quando eu falava que era de Cabo Verde, muita gente achava que era algum lugar do Brasil. Depois da Copa do Mundo, estou passando na rua e as pessoas já falam do país. Está sendo muito legal.”
Em Juiz de Fora, ele acompanha os jogos da Seleção Cabo-Verdiana ao lado dos amigos brasileiros, que adotaram a equipe africana como uma das favoritas da competição. “Todos os meus amigos estão torcendo para Cabo Verde. No segundo jogo eu chamei alguns deles para assistir lá em casa”, conta.
Expectativa por classificação histórica
Segundo Danielson, em contato com familiares e amigos, o clima de festa também tomou conta do arquipélago africano. Os jogos são exibidos em telões, escolas adaptam os horários das aulas e trabalhadores se reúnem para acompanhar as partidas. “No dia que Cabo Verde joga, todo mundo usa a camisa da Seleção. O pessoal vai para a escola com a camisa. Se o jogo é à tarde, só tem aula de manhã. Os trabalhos também param para assistir aos jogos.”
Agora, a expectativa está voltada para a última rodada da fase de grupos, quando Cabo Verde terá a chance de confirmar uma classificação histórica contra a Árábia Saudita, em jogo que acontece nesta sexta-feira (26). “Antes a gente estava super feliz de disputar a Copa do Mundo. Depois desses jogos, já dá para sonhar com a classificação e em dar trabalho para qualquer Seleção que aparecer pela frente.”
Dessa forma, para Danielson, a campanha e o desempenho em campo mostram a identidade do país “O que os jogadores estão fazendo reflete como nós, de Cabo Verde, somos: a nossa vontade, a nossa força e a nossa determinação.”










