Goleiro de Juiz de Fora descobre durante treino que vai disputar a Copa do Mundo
Atleta do Flamengo, Gabriel Werneck foi chamado por Dudu Patetuci para o Mundial do Catar; revelado na Escola Flamengo de Juiz de Fora, ele tem multa rescisória de 30 milhões de euros
A Copa do Mundo é o horizonte de qualquer garoto que se forma nas categorias de base. Para Gabriel Werneck, goleiro juiz-forano do Flamengo, essa meta deixou de ser projeção nesta quinta-feira (22), quando o técnico Carlos Eduardo Patetuci, o Dudu, anunciou os 21 convocados da Seleção Brasileira sub-17 para o Mundial do Catar.
O torneio será disputado entre 19 de novembro e 13 de dezembro, e o Brasil está no Grupo I, ao lado de Irlanda, Tanzânia e Costa Rica. A estreia brasileira será justamente contra os irlandeses, no dia 21 de novembro. Os convocados se apresentam na Granja Comary, em Teresópolis (RJ), no dia 3 de novembro, e a delegação embarca para o Catar no dia 14.
Para Werneck, é a terceira convocação pela categoria e a primeira oportunidade de disputar um Mundial. É a estreia dele em Copas do Mundo, o que dá à história um caráter inédito na carreira do goleiro formado em Juiz de Fora.
“Me sinto muito realizado em poder estar disputando uma Copa do Mundo. Com toda certeza é um sonho de qualquer garoto estar presente”, afirma à Tribuna.

Convocação para Copa do Mundo
A notícia não chegou por telefone, nem em casa, diante da televisão. Chegou no campo, no meio da rotina de treino, quando Gabriel já deixava o gramado — um detalhe que ajuda a explicar o tamanho da surpresa.
“Eu estava treinando pelo Flamengo no momento em que saiu a convocação. Quando estava saindo do campo, meu treinador do sub-17 me chamou e me deu os parabéns. Na hora eu não entendi muito, porque não sabia. Aí ele me falou que eu tinha sido convocado para a Copa do Mundo. É lógico, fiquei muito feliz”, relata.
Do futsal na Escola Flamengo ao Ninho
A trajetória de Werneck começou longe das traves de campo. Aos 7 anos, ele entrou no futsal da Escola Flamengo de Juiz de Fora, onde deu os primeiros passos com a bola nas mãos e nos pés. Um ano depois, aos 8, foi descoberto por um observador técnico do Rubro-Negro durante uma peneira.
Desde então, fez toda a formação no clube carioca, do sub-8 ao sub-17, firmando-se como goleiro titular no futebol de campo. Pelo sub-13 e pelo sub-14, foi campeão do Campeonato Carioca, além de levantar a Taça Guanabara Sub-17. Já em maio deste ano, integrou o elenco campeão da Recopa Carioca Sub-17, na vitória por 3 a 2 sobre o Botafogo, no Nilton Santos — jogo em que teve participação direta com defesas importantes.
Na atual temporada, o goleiro soma 36 partidas pelo sub-17 e sete pelo sub-20. Também é presença frequente nos treinos da equipe profissional, já que, conforme a necessidade de um goleiro extra nas atividades, algum atleta da base acaba sendo “puxado”. Em dezembro do ano passado, foi relacionado para um jogo do profissional do Flamengo contra o Mirassol, pelo Campeonato Brasileiro.
A primeira convocação para a Seleção Sub-17 havia acontecido em julho de 2025, ainda aos 16 anos. Em agosto deste ano, foi chamado novamente para o período de preparação na Granja Comary, que incluiu dois amistosos contra a Venezuela — a última etapa antes da lista definitiva do Mundial.

Multa milionária e passaporte italiano
Destaque na base rubro-negra, Werneck assinou o primeiro contrato profissional com o Flamengo em agosto de 2025, aos 16 anos, com vínculo até o fim de 2028. A multa rescisória para clubes do exterior foi fixada em 30 milhões de euros, algo próximo de R$ 180 milhões na cotação atual.
O goleiro também tem nacionalidade italiana, condição que amplia o interesse de clubes europeus e abre uma janela de mercado além das fronteiras brasileiras.
Expectativa alta e meta clara
O Brasil chega ao Catar credenciado pelo desempenho da temporada, com a comissão técnica tendo usado torneios e amistosos internacionais como laboratório — entre eles um torneio da UEFA na Suíça, com confrontos contra Espanha e Costa do Marfim. O clima no grupo, segundo o goleiro, é de confiança.
Ao ser perguntado sobre o que diria ao menino que começou no futsal em Juiz de Fora, o goleiro não hesitou. E sintetizou, em uma frase, o método que o levou até o Catar. “Continua treinando, que no momento certo as coisas vão acontecendo”, finaliza.
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