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Os pés pelas mãos


Por Eu também acredito RENATO SALLES

23/08/2013 às 07h00

Não tenho audácia de fantasiar quantos zilhões são investidos no futebol brasileiro. Sei que é coisa de fazer inveja ao Tio Patinhas. O esporte move cifras inimagináveis em várias frentes, seja em contratos de patrocínios ou com os salários das grandes estrelas. Isso considerando apenas o caixa um. Com o que um Fred da vida ganha por mês, acho que eu seria rico pelo resto da vida. Porém, apesar de todo volume financeiro, a graça do jogo é que ele só pode ser decidido em duas esferas: dentro de campo ou nas arquibancadas. Isso ficou bem claro na derrota do milionário Corinthians diante do primo pobre Luverdense, triunfo conquistado na base da garra e dos gritos de eu acredito de um Passo das Emas lotado.

Aqui, em nossa Manchester mineira, o Tupi também não tem os mesmos recursos de um Manchester United. Muito pelo contrário. A grana anda curta. Sempre iluminada pelas velas dos devotos, Santa Terezinha está às claras por conta de um gerador elétrico desde que a luz do Salles Oliveira foi cortada. O Carijó joga um futebol condizente com a aspiração de chegar a um novo acesso à Série C. Como ocorreu em 2011, a confiança em atingir a meta é encarnada pela raça do atacante Ademilson. Tanto que torcedores estão fazendo um crowdfunding – vaquinha, em inglês pedante – para erguer um busto em homenagem ao artilheiro da Quarta Divisão.

Assim como o Luverdense superou o orçamento limitado para bater no campeão mundial, o clube de Juiz de Fora vai além de sua crônica falta de recursos para sonhar com voos mais altos. Com uma diferença significativa, falta uma presença maior do torcedor juiz-forano nas arquibancadas do Municipal. Para que nós possamos também fazer a diferença. Se vai acontecer um dia, não posso dizer. Porém, assim como os mato-grossenses, eu acredito. Ou, pelo menos, tento.