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Na orelha da bola


Por PEDRO BRASIL

23/05/2013 às 07h00

Neymar e os ditados populares

Ahistória de Neymar, hoje, pode se resumir a dois ditados populares. O primeiro é uma andorinha só não faz verão. É fato que o rei da ousadia e alegria é a referência do time da Vila. Todas as jogadas passam pelos pés dele e, na teoria, isso não é um problema. No Flamengo dos anos 80, a bola procurava Zico, assim como encontrava conforto no pés de Pelé, no Santos de 60, e alegria nas pernas tortas de Garrincha pelo Botafogo. Entretanto, todos eles eram bem assessorados.

Júnior, Adílio, Zito, Pepe, Nilton Santos e Zagallo têm seus nomes gravados na história. Guardadas as devidas proporções, Neymar também teve seus auxiliares em seus momentos santásticos. Ganso, Arouca e Elano ajudaram a jóia na Libertadores de 2011, grande momento da carreira de Neymar. Desde aquele 23 de junho de 2011, os dirigentes santistas passaram a conviver com um dilema shaksperiano: vender ou não vender, eis a questão?.

A opção, acertada naquele momento, foi a de não vender. Com publicidade, marketing e conceitos modernos de gestão, o Santos aumentou sua receita. A conta, porém, não fechou dentro de campo. Talvez por desmotivação, falta de parceiros ou pelos milhares de compromissos fora dos gramados, a bola do garoto está murchando.

Ontem, o Santos recusou uma proposta do Barcelona, de aproximadamente 20 milhões de euros. A multa rescisória é de 65 milhões, mas o clube deseja 50 milhões de euros (R$ 131 milhões) para liberá-lo. O que os cartolas parecem esquecer é que o contrato de Neymar é válido até o meio de 2014. Em dezembro, ele pode fechar um pré-contrato com qualquer clube. E o Santos ficaria sem nada.

Voltando aos ditados, será que não vale mais um pássaro na mão que dois voando nesse caso?

* Wendell Guiducci volta a escrever neste espaço em junho