Lenda do basquete, Oscar Schmidt já jogou uma partida em Juiz de Fora
“Mão Santa” faleceu na última sexta (17), aos 68 anos; seu legado segue eterno no mundo do basquete

Há uma semana, o Brasil lamentava a morte de Oscar Schmidt, lenda do basquete mundial e maior jogador da modalidade da história do país: o ex-atleta faleceu na última sexta-feira (17), aos 68 anos, vítima de uma parada cardiorrespiratória. O “Mão Santa”, como era conhecido pela sua precisão nos arremessos, especialmente os de três pontos, deixa um legado de conquistas e encantamento para os fãs de basquete, especialmente os brasileiros.
Graças aos seus grandes feitos em sua longa carreira, Oscar arrastava multidões por onde ia e em Juiz de Fora não foi diferente. O ídolo do esporte nacional veio a Juiz de Fora no dia 14 de maio de 1997 para disputar uma partida no ginásio do Sport Club Juiz de Fora entre o Corinthians, equipe que defendia na época, e o Projeto Basquetebol do Futuro (PBF). O “Mão Santa” jogou apenas os dois primeiros quartos do jogo, que foram suficientes para ele terminar como o cestinha do confronto, com 25 pontos.
Para a disputa desse jogo, que foi realizado após a abertura dos Jogos Intercolegiais de 1997, o PBF se reforçou com três jogadores de renome, vindos do Minas Tênis Clube: Raul, Marcelo e Jefferson, revelação de 1995. O fundador e técnico do PBF, Sérgio “Marreco” Rodrigues, estava presente no dia e relembra que a aparição de Oscar estava cercada de expectativa, principalmente pelos jovens que faziam parte do projeto.
“É claro que tem os ícones internacionais, como é o Michael Jordan, mas o nosso era o Oscar, é o que estava próximo da gente, é o brasileiro. Então, aquilo, para a gente, foi um jogo marcante. Ginásio cheio, a molecada numa expectativa enorme. Eu lembro de ter alguns meninos, que eles não dormiram só porque eles entrariam em quadra com o Oscar”, recorda Marreco.
A partida foi vencida pelo Corinthians, por 99 a 94. O placar reflete aquilo que aconteceu dentro de quadra: equilíbrio, apesar do poderio do time paulista, que ia além da presença de Oscar. Marreco conta que o time do PBF, em alguns momentos, jogou de igual para igual, obrigando os visitantes a encarar a partida como se fosse oficial. “Em alguns momentos, o Corinthians jogou de uma forma suave, como se fosse uma demonstração, mas o PBF jogou firme, então teve uma hora que eles também tiveram que jogar pesado”, relembra.
Enquanto esteve em quadra, Oscar esbanjou simpatia e carisma. O “Mão Santa” celebrava com a torcida a cada cesta que marcava, correndo e batendo na mão de quem estava presente nas arquibancadas do ginásio. Marreco afirma que a vinda do ídolo a Juiz de Fora e a maneira que ele se portou diante dos seus fãs contribuiu para que mais pessoas se interessassem pela modalidade na cidade.
“A partir dali, eu acho que deu uma ideia a esses garotos de começarem a participar do basquete, porque ver o ídolo na televisão na sua frente é completamente diferente. Eu acho que a principal função do ídolo é puxar a molecada, ser um espelho, e em Juiz de Fora não foi diferente. O PBF já estava em ascensão e a vinda dele deu um gás a mais para que nós tivéssemos mais atletas. Na sequência, nós tivemos uma procura maior nas escolinhas, tanto masculina quanto feminina”, relata.

O legado de Oscar Schmidt
Para o professor Dilson Borges, que é o vice-diretor da Faculdade de Educação Física e Desportos (Faefid) da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Oscar elevou o patamar do basquete brasileiro, principalmente durante as décadas de 1980 e 90, quando uma maior quantidade de jogos passou a ser televisionada.
“O Oscar virou o grande símbolo do nosso basquetebol e é um dos maiores recordistas de todos os tempos em tudo. A história dele já mostra isso. Ele se transformou no maior símbolo do basquetebol brasileiro a nível mundial. No masculino é o Oscar. Então, o legado dele é imenso. Mesmo que o nosso basquete não esteja tendo uma representatividade internacional no momento, ele tem um grande respeito, sobretudo pela existência do Oscar”, argumenta.
Além das conquistas, Dilson destaca que Oscar fez com que o basquete fosse praticado de forma diferente, com a maior utilização dos arremessos de três pontos.
“Hoje, o basquetebol mudou a sua forma de pontuar em um raciocínio muito simples. Se eu faço uma cesta de três, eu aumento em 50% a pontuação. Mas esse raciocínio estatístico, ele precisa de treinamento e de coragem, e o Brasil já fazia isso, o Oscar já fazia isso. Eles não não reconhecem de uma forma direta, mas não há dúvida que o jogo hoje em dia é o jogo que o Oscar usou como sua bandeira ao longo do tempo”, explica o professor.
Já o coordenador do JF Celtics, Alexandre Williams, destaca que o amor que Oscar tinha pela Seleção Brasileira também contribuiu para que o “Mão Santa” tivesse tamanha identificação com os torcedores.
“Ele abdicou de projetos pessoais para poder defender a Seleção Brasileira, e isso é uma coisa muito grande. Na época que ele jogou, o jogador que estava na NBA era proibido de defender o seu país, e ele foi selecionado para jogar na época no New Jersey Nets, hoje atual Brooklyn Nets. Mas ele optou em continuar a carreira dele fora do Brasil, principalmente no basquete italiano, para poder continuar defendendo o Brasil nas competições internacionais. Isso foi muito marcante”, conta.
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