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Papo de gandula


Por WALLACE MATTOS

23/04/2013 às 07h00

Superou as expectativas

Caros e caras, sempre que termina uma competição para o Tupi – exceto a Série D de 2011, por motivos óbvios – há um clima de fim de festa, pelo menos nesses dez anos nos quais estou na cobertura diária do clube. Mas dessa vez não senti isso nem nos semblantes dos jogadores, nem nos dos dirigentes ou da comissão técnica. Claro, não houve comemoração efusiva, e nem era o caso, mas o que quem batalhou nesse Estadual com a farda carijó passou ontem à tarde para mim foi um sentimento de missão cumprida.

O torcedor mais exaltado vai perguntar aos berros, talvez: mas não tinha chance de classificação e ficou de fora das semifinais? Eu respondo: sim e não! Sim porque o Tupi chegou à última rodada ainda vivo no Mineiro e podendo avançar, e não porque quando faltavam apenas 28 dias para a primeira partida não havia equipe para colocar em campo e, portanto, nenhuma chance de classificar o nada para a segunda fase do Estadual. Quem superou as expectativas – desde o início todos no clube eram unânimes em afirmar que a luta era para não cair – foi o grupo de jogadores, com o suporte da trabalhadora e abnegada comissão técnica carijó – não me canso de dizer que Felipe Surian, Luis Augusto Alvim e Walker Campos, além dos auxiliares Julio, Felipe e Negrete, são hoje o bem mais precioso de Santa Terezinha.

Foi na prática que o Carijó despachou a desconfiança como um zagueiro que tira a bola da área e fez o torcedor até mesmo acreditar que um time formado para não cair poderia se classificar. Assim, se foram eles quem construíram esse sonho na base da superação de expectativas, não é justa a cobrança como se esse fosse o primeiro e maior objetivo. Na minha opinião, a meta desse Estadual foi cumprida com louvor, antecipadamente e até com possibilidades maiores que eu queria que se concretizassem, mas me contento em não ter visto o Tupi ameaçado de degola em nenhum momento desse Mineiro.

Agora, as atenções se voltam para a Série D. Primeiro é preciso resolver a permanência ou não do modelo de gestão do futebol profissional do clube – sou testemunha que essa parceria foi benéfica até agora ao Tupi -, infelizmente sem o competente e boa praça Alberto Simão, que vai para Belo Horizonte tocar a vida para frente. A diretoria sinaliza com a permanência da comissão técnica e quer ficar com o máximo possível de jogadores do Estadual, duas atitudes sensatas. Quem sabe, com dois ou três reforços, um time que era o Patinho Feio e surpreendeu no Mineiro não vira o Bicho Papão da Quarta Divisão do Nacional?