EC São Carlos: clube amador celebra 70 anos de atuação
Presidente e ex-goleiro da agremiação, José Maria Veloso relembra história no clube que utiliza o esporte com viés social
Esporte Clube São Carlos. Mais um aniversário completado. O clube amador ostenta, agora, sete décadas de muito futebol jogado – inicialmente no Bairro de Lourdes e, atualmente, no Bairro JK. Mas o esporte é mera ferramenta para uma agremiação que se recusa a desprender-se da comunidade em volta, política idealizada pelo ex-goleiro e presidente José Maria Veloso.
Foram pouco mais de dois meses de diferença entre o nascimento do clube e o do presidente. Em agosto de 1950, foi criado o Esporte Clube São Carlos, enquanto, em outubro do mesmo ano, nasceu o hoje dirigente José Maria. A proximidade de datas ultrapassa o campo da coincidência, se tornando quase um sinal do que viria a acontecer no futuro: a trajetória do mandatário e do clube se cruzaram quando ambos tinham cinco anos de vida, para permanecer até hoje.
O “matrimônio” foi iniciado ainda no “Chapadão”, como era conhecida a região do alto Bairro de Lourdes. Ainda criança, Veloso passou a frequentar o antigo campo do São Carlos. Não houve distanciamento nem mesmo quando, em parceria com a Prefeitura, a agremiação passou a utilizar uma nova estrutura no JK, na década de 60. O campo foi efetivamente doado para o São Carlos no início dos anos 2000. A estrutura se provaria essencial também para a utilização do espaço como vetor de trabalhos sociais, que se tornariam o principal motivo da existência do São Carlos durante os anos seguintes.
Projetos sociais
A parceria com o poder público resultou em uma atuação ativa em meio à comunidade do Bairro de Lourdes. Antes mesmo de José Maria assumir a presidência do São Carlos, em 1997, diversas confraternizações e projetos sociais eram realizados nas dependências do clube. Ginástica para terceira idade, aulas de utilização de computador e o projeto Bom de Bola, todos gratuitos, são exemplos de projetos sediados no espaço durante as últimas décadas. “Quando chegava no fim do ano, a gente recebia doações de brinquedos e roupas. Comprávamos refrigerante, salgado e fazíamos uma festa para as crianças e todas ganhavam presentes”, conta, orgulhoso o mandatário. “Em volta do clube tem muitas pessoas carentes. Trazendo elas para o campo, evitamos que fiquem nas ruas”, explica.

Fim do ciclo
Atualmente, o EC São Carlos sobrevive da verba arrecadada através do aluguel da estrutura do clube, que comporta um campo, um salão de eventos e um bar. O dinheiro precisa dar conta de todo o custo operacional da própria estrutura. O trabalho de gestão, no entanto, mudará de mãos em dezembro. No dia 31 de dezembro, a atual diretoria passará o bastão para novos gestores, uma vez que já permaneceu pelo período máximo no comando do São Carlos.
Com a agremiação também afetada pela pandemia de Covid, a nova diretoria deverá ter trabalho extra. “Torço para que o clube continue com tudo que nós fizemos. Além de ser um time de futebol, nós somos uma entidade que ajuda a toda a comunidade. É importante que continue assim”, projeta Veloso.









