Superação, inclusão e autoestima
A prática esportiva é ambiente de competição, ao mesmo tempo que é palco para socialização, desenvolvimento motor, inclusão social e resgate da autoestima. Pensando nisso, e para celebrar o Dia Nacional da Luta da Pessoa com Deficiência (comemorado ontem) e o Dia do Atleta Paralímpico – comemorado hoje -, a Secretaria de Esporte e Lazer promoveu entre os dias 23 e 27 de setembro a segunda Semana Paralímpica de Juiz de Fora. "Temos certeza de que essas pessoas que estão entrando agora serão multiplicadores do esporte paralímpico. Tudo que nós queremos é atingir o maior número de pessoas. O retorno que temos de familiares, falando da evolução deles após a prática do esporte, é impressionante" , destacou o Secretario de Esporte e Lazer (SEL) da Prefeitura de Juiz de Fora, Francisco Canalli.
Segundo dados da pasta, na última semana, 32 novos potenciais atletas procuraram a secretaria pela primeira vez para conhecer as modalidades esportivas oferecidas: ciclismo Tandem, futebol de sete (específico para pessoas com paralisia cerebral), natação, atletismo, bocha adaptada e vôlei sentado. Um número expressivo, comparado ao total de pessoas que participam, habitualmente do programa "JF Paralímpico": 50 juiz-foranos. "Nosso foco estava em trazer mais pessoas para conhecer o nosso trabalho", destaca o supervisor de esportes adaptados da SEL, Leonardo Lima.
O pequeno Sávio, 13 anos, filho da gari Natalina Maria Pereira, foi levado à quadra da Secretaria de Esporte para conhecer as possibilidades de esporte adaptado. Para ela, a prática de exercícios físicos pode ser um diferencial para o bem-estar do garoto, portador de paralisia cerebral. "Ele já fez natação e, na época, a postura dele era melhor, ele tinha mais firmeza nos músculos. O esporte fez muito bem pra ele. Por isso eu vim aqui hoje." Cecília de Souza Reis, mãe de Erik, também levou o filho para o ginásio. Mas ele foi com um objetivo já traçado: conhecer o futebol de sete. "Ele está gostando muito. Além de praticar o esporte, ele também está socializando, conversando. Vem sendo muito bom."
Se engana quem pensa que o programa JF Paralímpico quer apenas o desenvolvimento social dos deficientes. O trabalho também foca o desempenho esportivo, e os resultados já estão aparecendo. Dois atletas da bocha adaptada, Wendel Alves da Silva, que possui paralisia cerebral e disputa a categoria BC2, e Gonçalves Domingos de Ávila, cadeirante que compete na categoria BC4, conseguiram medalhas no Regional Leste de Bocha Adaptada, realizado em Petrópolis, no último mês. Wendel ficou em segundo lugar, e Gonçalves foi terceiro. "A sociedade ainda tem muito preconceito. O esporte é mais uma forma de eles mostrarem a sua capacidade. Eles evoluem muito rápido e conseguem se superar a cada dia", destaca Leo Lima.
A treinadora de bocha adaptada, Adriana Helena Campos, destaca que a necessidade de concentração que é exigida na modalidade, no ato de lançar a bola, no controle da força e espaço que o esporte demanda é "fantástico". E todo esse aprendizado é utilizado no cotidiano das pessoas. "A ideia de cognição deles é muito trabalhada, e isso faz com que eles tenham uma evolução fantástica. O Wendel, por exemplo, é independente. Ele anda sozinho pela cidade. É um exemplo para todos nós. Tenho muito orgulho de tê-lo conhecido e ajudado um pouco no seu desenvolvimento", se emociona a treinadora.
Superação
José Ulisses Neves Vieira, 33 anos, tem uma história de superação que passa pela prática esportiva. Após sofrer um acidente automobilístico, ele fraturou a lombar e passou a ter dificuldades de locomoção. Desiludido, acabou se envolvendo com entorpecentes. Fez uso de diversas drogas, a última delas, o crack. "Faz nove meses que estou limpo. É uma luta diária. Mudei minha vida. Me afastei dos antigos ‘amigos’, entrei para a Igreja e, quando eu estou aqui, fazendo esporte, esqueço de tudo lá de fora. Só penso no jogo."
Para o presidente do Conselho Municipal da Pessoa Portadora de Deficiência (CMPD), Harisson Felipe Nassar, a iniciativa da criação da semana paralímpica foi positiva. "Esse trabalho é ímpar na região. É uma forma de trazer mais qualidade de vida, tirar da ociosidade e dar uma outra perspectiva aos deficientes. O esporte abre muitas portas e, em eventos como esse, muitas pessoas conhecem o trabalho", avalia.
Quem se interessar em participar de alguma modalidade esportiva pode procurar a Secretaria de Esporte e Lazer na Avenida Rui Barbosa 530, no Bairro Santa Terezinha, em horário comercial. O telefone para informações é o 3690-7853. Os esportes são natação, atletismo, goalball, bocha e vôlei sentado. O ciclismo Tandem e o futebol de sete também serão oferecidos a partir da próxima semana, todos gratuitamente.









