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Os pés pelas mãos – ‘Melhoras’


Por RENATO SALLES

22/08/2014 às 06h00

Tão inegável quanto a paixão do brasileiro pelo futebol é a relação umbilical entre a popularidade do esporte e a cobertura jornalística dedicada à bola. Jornalistas de rádio, TV e mídia impressa têm uma grande parcela na criação de heróis e vilões das quatro linhas. Pelés, barbosas e nelsons rodrigues que o digam. Apesar de necessária, tal relação nem sempre é harmoniosa. Lembro-me dos anos 1990, quando o narrador Sílvio Luiz passou meses sem dizer o nome de Edmundo. O Animal virou o camisa 7, mais ou menos na mesma época em que Marcelinho se tornou Pé de Anjo. Com certeza, outros casos aconteceram. Por atacado. Entretanto, dificilmente, deverá ter ocorrido algo tão desrespeitoso quando o recente bate-boca entre Tiago Leifert e o chileno Valdívia.

Apesar de corintiano, devo reconhecer que o jogador palmeirense está com a razão. Em sua ânsia por transformar jornalismo em algo leve, o apresentador troca informações por galhofas. Brincar com a lesão de qualquer pessoa é inimaginável. Mesmo que, entre amigos, todos façam troças com as eternas idas e vindas ao departamento médico de jogadores como o agora comentarista global Roger Flores. Isso vale no papo de boteco, mas não pode ser aceito no meio profissional. É uma irresponsabilidade abrir um telejornal se dirigindo a um atleta lesionado dizendo: dois programas seguidos, Valdívia. Estou aqui firme e forte, com a minha sinusite. Nem mesmo se trabalhasse na Praça é nossa. É um desrespeito ao jogador, ao espectador e à profissão.

Em tempo, desejo melhoras ao Valdívia, pela lesão, e ao Leifert, pela sinusite e pela recorrente falta de bom senso.