“Filme na cabeça”: meio-campista juiz-forano do Grêmio comemora experiência na Seleção Brasileira
Com 16 anos, João Gabriel – o Joãozinho – atua como camisa 8 e tem Arthur Melo, do Tricolor Gaúcho, como referência
No futebol de base, amadurecer rápido costuma ser tão importante quanto evoluir tecnicamente. É nesse cenário que o juiz-forano João Gabriel, o Joãozinho, de 16 anos, vem se destacando. Meio-campista do sub-16 do Grêmio, o jovem demonstra crescimento na leitura de jogo, na tomada de decisões e na forma de lidar com desafios cada vez maiores – um processo que culminou na recente convocação para a Seleção Brasileira. O desenvolvimento é perceptível ao comparar lances e a própria entrevista com as falas à Tribuna na última matéria, há três anos.
Segundo o próprio jogador, alcançar o alto nível exige um processo contínuo de evolução. “A maturidade precisar aumentar, o raciocínio ficar mais rápido, e as decisões melhoradas”. Para ele, o futebol tem papel central também fora das quatro linhas. “Essa evolução não acontece só como atleta, mas também como pessoa. O futebol ensina muito sobre caráter, convivência em grupo e responsabilidade.”
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Do destaque desde novo à emoção com a convocação para a Seleção Brasileira
Com atuação em competições de alto nível desde muito cedo, João Gabriel já experimentou cenários que costumam acelerar aprendizados. Disputar o Campeonato Gaúcho, levantar taça e, ainda aos 15 anos, jogar um Campeonato Brasileiro Sub-17 ampliou sua leitura de jogo e exigiu respostas rápidas diante de adversários mais velhos. “Chegamos à final e pude contribuir mesmo sendo mais novo. Foi uma experiência excelente”, relembra.
A chamada para vestir a camisa da Seleção veio de forma inesperada, durante uma concentração no Rio Grande do Sul. O anúncio, feito após uma preleção, mudou completamente o clima do grupo – e o dele. “O coordenador disse que todos teriam férias, menos um jogador, e falou o meu nome. Na hora, foi uma felicidade imensa. O coração acelerou, o sorriso veio automaticamente”, recorda.
A notícia demorou alguns minutos para ser totalmente compreendida em casa.
“Mandei uma mensagem para o meu pai comemorando, mas ele achou que fosse sobre o jogo. Só depois, quando viu no Instagram, entendeu. Ele me ligou emocionado, chorando”, conta João, rindo ao recordar a cena.

Na Granja Comary, o meio-campista encontrou um ambiente que costuma ficar apenas no imaginário de quem sonha com o futebol profissional. Estrutura, simbolismo e convivência com outros talentos do país criaram um cenário especial. “Só de estar ali já passa um filme na cabeça. Consegui fazer meu futebol fluir, ser feliz em campo, ainda mais com um treinador tão vencedor como o Dalla Déa.”
Camisa 8

Dentro das quatro linhas, João se sente mais confortável atuando como camisa 8, participando de todas as fases do jogo. “Gosto de estar no jogo inteiro, atacar e defender. Minhas principais características são condução de bola, controle de jogo, drible, chegada na área, finalização e assistência.”
No Imortal, uma das referências é Arthur, volante que construiu uma história importante no Grêmio antes de seguir carreira internacional. “Pude treinar com ele e ver de perto o quanto é diferente. Treinar com o elenco principal é algo muito gratificante, o ambiente muda completamente.”
Curiosamente, na primeira entrevista de Joãozinho à Tribuna, aos 10 anos, em 2021, ele já se referia ao então volante da Juventus como um ídolo. “Eu gosto muito do Arthur, da Juventus, e do Matheus Henrique. Quero fazer o caminho deles. Quero me destacar, jogar mais e ir sempre melhorando para quando eu chegar aos 17 anos ir para o profissional do Grêmio. É um desafio muito grande, mas vale a pena”, projetou à época.

Fora do campo, a rotina exige disciplina. Escola pela manhã, treinos em período integral no CT, descanso controlado e alimentação regrada. “É cansativo, mas faz parte. O atleta precisa abrir mão de algumas coisas para alcançar seus objetivos.” Mesmo com a agenda cheia, ele mantém o hábito da leitura. “Nunca deixo de ler, porque isso ajuda muito no crescimento mental e pessoal.”
Para a temporada, os planos incluem novas convocações, a tentativa de disputar o Torneio de Montaigu, na França, e a busca por títulos importantes com a camisa tricolor. “Quero conquistar grandes competições pelo Grêmio, como a Copa do Brasil e o Campeonato Brasileiro.”

Orgulho do pai
A relação familiar segue como ponto de equilíbrio. O pai, Leandro, acompanha cada passo de perto e valoriza, acima de qualquer conquista esportiva, a formação humana do filho. “O que mais me deixa contente é perceber o quanto o João evoluiu como pessoa. A formação de caráter sempre vem em primeiro lugar”, diz.
Para ele, o futebol tem sido uma ferramenta importante nesse processo. “Ele entende que está cada vez mais perto do sonho. Cada degrau traz mais confiança e mais consciência do trabalho que precisa ser feito.” A convocação para a Seleção teve um significado especial para a família. “Ter um filho convocado é um orgulho imenso. Choramos muito quando recebemos a notícia, quase fechamos a loja naquele dia.”
No longo prazo, João projeta voos altos. “Quero conquistar títulos pelo Grêmio, jogar na Europa, atuar em grandes clubes e, principalmente, ganhar títulos com a Seleção Brasileira.” E deixa um recado direto para quem está começando: “Aproveitem cada oportunidade, cada minuto em campo. Uma hora, o trabalho é recompensado.”
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