Uma longa corrida poliesportiva

Local onde será erguido o ginásio na Faefid
O novo ginásio da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), com capacidade prevista para mais de 2 mil pessoas, que será construído no Complexo Esportivo da Faculdade de Educação Física e Desportos (Faefid), pode ficar pronto antes do Ginásio Municipal – obra que se arrasta há mais de oito anos. Segundo o reitor da UFJF, Henrique Duque, a expectativa é que o edital de licitação do novo espaço seja publicado até o fim deste mês ou, no máximo, até o início de agosto. "As receitas, na ordem de R$ 15 milhões, já estão asseguradas, e a expectativa de término das obras é de 18 meses após a publicação", informou o reitor. Por outro lado, a empreitada municipal não apresenta sequer indício de retomada das obras, paradas desde novembro do ano passado, devido à falta de verbas.
No último dia 3, o prefeito Bruno Siqueira (PMDB), o reitor Henrique Duque e o ex-secretário executivo do Ministério do Esporte, Wadson Ribeiro, se reuniram com o atual ministro do Esporte, Aldo Rebelo, em Brasília, para tentar viabilizar os recursos necessários – estimados em cerca de R$ 17 milhões – para a finalização da construção do aparelho localizado ao lado do Estádio Radialista Mário Helênio. Apesar da presença de Duque, a possibilidade de participação da UFJF na gestão do Ginásio Municipal não foi cogitada no encontro. "Fomos a Brasília pedir auxílio do Governo para a liberação de recursos para a finalização da obra. Neste momento não houve conversas sobre a participação da universidade no projeto", destacou Duque.
De acordo com a subsecretária de coordenação e projetos da Secretaria Municipal de Obras, Roberta Ruhena, a fundação e os muros de contenção do Ginásio Municipal já estão prontos, assim como parte da estrutura e alvenaria, o que significaria aproximadamente 25% das obras. Faltariam, portanto, a complementação da estrutura, além da implementação da cobertura, piso, equipamentos, instalações, vedação e acabamento do espaço. De acordo com a Prefeitura, caso o recurso federal chegasse imediatamente, o prazo para finalização do complexo esportivo seria de 18 meses. "Nossa expectativa é boa para a liberação dessas verbas e nesse importante passo para o esporte em Juiz de Fora", afirmou o secretário de Esporte e Lazer de Juiz de Fora, Francisco Canalli.
Ainda segundo a Prefeitura, o Ginásio Poliesportivo Municipal foi projetado para contribuir na formação de atletas e também receber eventos esportivos profissionais, como jogos de futsal, vôlei, basquete e handebol. O projeto possui área construída de 6.920m² e capacidade para cerca de 5.500 espectadores. Além da quadra poliesportiva, o espaço contará com salas de multiuso para cursos de formação e aperfeiçoamento, vestiários com acessibilidade, sala de musculação e de descanso para os atletas.
Mais espaços, mais eventos para todos
O reitor Henrique Duque destaca que a construção de outra quadra poliesportiva na UFJF é necessária, dada a grande demanda esportiva no Campus. "Somente nos Jogos Universitários temos mais de mil envolvidos. O novo espaço servirá para dar mais um laboratório aos nossos estudantes e profissionais da Faefid, além de ajudar no desenvolvimento do esporte na cidade." O diretor da Faefid, Maurício Bara, acrescenta que, apesar da qualidade do Complexo Esportivo da UFJF, a capacidade física do local está no limite. "Nós conseguimos dar conta dos nossos eventos, mas estamos muito próximos do nosso máximo de capacidade", afirma.
2 mil
Conforme a assessoria da UFJF, o novo ginásio teria capacidade para mais de 2 mil espectadores, sendo um terço destes lugares em arquibancadas retráteis para aumentar a área de treino. O poliesportivo também contará com cabines para imprensa e tribuna para autoridades e contempla piso e equipamentos oficiais, além de vestiários para árbitros, para os atletas e sanitários para o público. Em anexo, serão construídas áreas para a prática de ginástica e outra para lutas, além de laboratórios biomédicos. O conjunto também irá contemplar vestiários para atletas e árbitros conectados à pista de atletismo.
Limitações impedem evolução
A construção do Ginásio Municipal é anseio antigo da comunidade esportiva juiz-forana. Anunciado em abril de 2005, na gestão do então prefeito Alberto Bejani (PSL), as obras do local caminharam a passos lentos. A ausência de um complexo poliesportivo sempre foi um entrave para a execução de grandes eventos na cidade. "Hortolândia é uma cidade localizada no interior de São Paulo, muito menor que Juiz de Fora, mas já recebeu jogos da Seleção Brasileira de futsal. Não podemos ficar parados", afirma o presidente do Conselho Municipal de Desportos (CMD), Antônio Pereira de Carvalho Filho.
O presidente da equipe de handebol ADJF/Vianna, Guilherme Facio, afirma que o município é um celeiro de bons atletas, mas a ausência de infraestrutura adequada provoca um fluxo intenso de exportação de craques. "O Municipal é um sonho que pode se realizar e fazer com que a cidade apareça no cenário nacional", destaca.
Para Maurício Bara, também coordenador técnico da equipe de vôlei da UFJF, a estrutura física limitada das instalações em Juiz de Fora dificulta até contratações de atletas de maior visibilidade. "No vôlei, por exemplo, apesar da boa qualidade que temos na Arena UFJF, a nossa lotação está quase sempre esgotada. Se, por meio de uma parceria, nós conseguíssemos um jogador de maior renome, não teríamos um local adequado para à demanda", destaca. Com adaptações, a atual quadra do Complexo Esportivo da UFJF, onde a Federal manda seus jogos na Superliga, abriga no máximo mil torcedores.








