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Com as bênçãos do camisa 7


Por Renato Salles

20/07/2013 às 17h48

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Atualizada às 20h23

Era o Dia do Amigo, mas também poderia ser o Dia do Ídolo. Neste sábado (20), em seu primeiro jogo no Estádio Municipal, após o desastre que vitimou um dos maiores nomes da história do Tupi, o clube homenageou e foi abençoado pelo eterno atacante carijó, João Pires, morto em acidente automobilístico no mês passado. Em reconhecimento ao craque do passado, os juiz-foranos atuaram com uma camisa inspirada na utilizada na década de 1960 pelo esquadrão que ficaria conhecido como o "Fantasma do Mineirão". A viagem no tempo fez bem à equipe de Santa Terezinha. As pazes com a vitória e a manutenção da liderança do grupo A6 da Série D do Campeonato Brasileiro vieram pelo alto. Um triunfo à João Pires, com os dois gols marcados por sua velha camisa 7, manto honrado por Núbio Flávio, herói e artilheiro do dia. Pior para o Nova Iguaçu, que voltou a para casa com a derrota por 2 a 1 pesando a bagagem.

Quando a bola rolou, os jogadores do Tupi deixaram claro que os problemas ocorridos durante a semana ficariam de lado. O corte no fornecimento no Estádio Salles de Oliveira, iluminado pelas velas acesas à Santa Terezinha, não teve qualquer tipo de influência dentro de campo. Pelo contrário, o Galo Carijó entrou ligado. Desde os primeiros momentos da partida, os juiz-foranos mostravam disposição de assumir as rédeas da partida.

O melhor desempenho ficava claro quando a equipe conseguia adiantar a marcação e, literalmente, morder a Laranja da Baixada. Foi assim aos 12 minutos, quando o volante Felipe Lima roubou bola na intermediária, os jogadores de meio-campo trabalharam a jogada até acionarem a descida de Henrique pela direita. O lateral cruzou na segunda trave, e Ademilson cabeceou no travessão. Apesar da sensação de quase, a arbitragem já apontava posição de impedimento do atacante carijó.

Quanto mais o Tupi espremia a Laranja, o caldo ficava doce pela ala direita. Henrique usava e abusava da liberdade que encontrava pelo setor. Aos 14, o lateral descolou escanteio. Na cobrança, achou o predestinado Núbio Flávio na segunda trave, mas o atacante parou na defesa do goleiro Jefferson. Quatro minutos, lá foi Henrique arrumar outro escanteio, colocar na cabeça de Núbio e assustar mais uma vez o setor defensivo do Nova Iguaçu. Bola rente ao poste.

O caminho era mesmo pela direita. Todavia, o lance mais agudo aconteceu pela esquerda. Na mesma toada de seu companheiro da outra beirada do campo, o ala Rafael Estevam foi ao fundo, descolou escanteio e assumiu a cobrança. Dessa vez, bola no primeiro pau, na cabeça do zagueiro Fabrício Soares, que testou no pé da trave do goleiro do Nova Iguaçu.

 

Camisa 7 abençoada

A maneira de atuar das duas equipe pouco mudou no segundo tempo. O Tupi seguia tentando acuar o adversário, tratando de usar as laterais do campo como válvula de escape. Aos 8, o meia Michel cruzou na área, a zaga afastou e o armador Adriano Felício arriscou de primeira, de fora da área, fazendo Jefferson trabalhar. Dois minutos depois, Felício tabelo com Núbio, que driblou a marcação e chutou cruzado. Uma vez mais, o goleiro visitante apareceu bem.

A coisa mudou de figura aos 13. Até então estraga-prazeres, Jefferson sentiu uma lesão e deu lugar a Renan. Quatro minutos depois, o novo arqueiro pegou sua primeira bola. No fundo da rede. Felício cruzou da esquerda, lá, na segunda trave, e Núbio Flávio se atirou na bola para abrir o placar. Gol! Três minutos depois, Henrique cruzou da direita. No segundo pau, claro. E o camisa 7 – aquela, de João Pires – usou a cabeça de novo para fazer Tupi 2 a 0.

A vitória parecia encaminhada. Mas, as coisas não costumam ser tão fáceis para o Tupi. Em um lance despretensioso, o atacante Glauber recuperou a bola, limpou três adversários e colocou no canto direito do goleiro Victor Souza, descontando para os visitantes aos 28. A partir daí, o que se viu foi uma pressão desesperada do Nova Iguaçu. O Carijó se defendia como podia, enquanto os minutos pareciam andar para trás até o apito final do árbitro, que garantiu a vitória por 2 a 1, como aquele "Fantasma do Mineirão" de João Pires tanto gostava.