Juiz-forana Marina Loures vive temporada de elite em time campeão do mundo

Com dois títulos em 2025 e destaque individual, atleta exalta estrutura do clube paranaense e aponta caminhos para o crescimento do futsal em Juiz de Fora


Por Davi Sampaio

20/01/2026 às 07h00

A juiz-forana Marina Loures fez parte de um dos clubes mais fortes do futsal feminino mundial em 2025, o Stein Cascavel. A fixa e ala disputou quatro grandes competições ao longo do ano: Campeonato Paranaense, Copa do Mundo de clubes, Taça Brasil e Liga Nacional. O Stein chegou a três finais e conquistou dois títulos, levantando as taças do Estadual e do Mundial, este último com vitória sobre o Normanochka, tradicional clube da Rússia.

Na Liga Nacional, a campanha também foi de alto nível. Após perder o jogo de ida da decisão, a equipe venceu a volta por 4 a 0, mas acabou superada na prorrogação, ficando com o vice-campeonato. Para 2026, a atleta diz que o futuro já está definido, mas não pode ser divulgado ainda.

“Desde que o Stein foi criado, eu sempre almejei fazer parte daquele clube um dia. E esse ano foi a realização de tudo que eu imaginava. As expectativas foram mais do que supridas”, afirma. Além das conquistas coletivas, Marina teve um excelente desempenho individual. Foram 46 jogos, com 17 gols e 21 assistências – média de 0,82 participações em gol por jogo. Ela ainda foi eleita a melhor jogadora da final da Copa do Mundo de clubes.

Segundo a jogadora, o Stein oferece tudo o que ela entende como esporte de alto rendimento: estrutura, investimento em base, projetos sociais, profissionalismo e uma cultura de trabalho muito forte, implantada pelo técnico Márcio Coelho, auxiliar da Seleção Brasileira. “Te tira da zona de conforto. Eu cheguei com a mentalidade de aprender, de evoluir como atleta e como pessoa, e foi exatamente isso que aconteceu”, pontua

O dia a dia intenso, com treinos exigentes, acompanhamento psicológico e análise constante de desempenho, foi determinante nesse processo. “As atividades são filmadas e, se você não estuda, simplesmente não consegue jogar. É algo muito diferente de tudo que eu já tinha vivenciado no futsal”, relata.

marina loures
Marina Loures foi campeã da Copa do Mundo de clubes (Foto: Isabela Pozey)

Evolução do futsal feminino para Marina Loures

Para Marina, a evolução vivida no Stein reflete um movimento mais amplo do futsal feminino brasileiro. “Hoje a gente já consegue viver melhor do futsal. Antes, a gente só sobrevivia”, avalia. Ela destaca que, atualmente, muitos clubes oferecem estrutura completa, incluindo moradia, alimentação, plano de saúde e até acesso à faculdade, o que garante um futuro às atletas após o encerramento da carreira esportiva.

Mesmo passando a maior parte do ano longe de Juiz de Fora, a atleta considera que o futsal lhe proporciona qualidade de vida. “Trabalho três, quatro, cinco horas por dia, envolvendo treino, estudo, parte física e tática. Ganho relativamente melhor do que a maioria dos brasileiros e tenho toda a estrutura inclusa. Isso também é salário”.

Juiz de Fora no mapa

Questionada sobre o cenário em Juiz de Fora e Minas Gerais, Marina é categórica ao afirmar que o futsal local evoluiu, mas ainda pode crescer muito mais. Ela cita como exemplo o Clube Bom Pastor, bicampeão mineiro do interior, resultado que colocou a cidade em evidência no cenário estadual. “Os resultados falam por si. É algo inédito e mostra que existe muito talento”, diz.

Na visão da atleta, o próximo passo é transformar esse sucesso em competições de maior alcance. “Falta transferir isso para o estadual, conquistar uma vaga no nacional. “O poder público poderia olhar com mais carinho, as empresas poderiam ajudar mais. A diferença entre o Stein e o Bom Pastor não é talento. Aqui tem meninas muito boas. A diferença é estrutura”, afirma.

Para ela, se o futsal fosse a atividade principal das atletas locais, com treinos em dois períodos e dedicação exclusiva, Juiz de Fora teria condições de figurar entre as principais equipes do país. “Tranquilamente poderíamos ter um time na Liga Nacional, na Taça Brasil e na Copa do Brasil. Falta transformar isso em projeto”.

 

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