Perspectivas 2026: Ano tem Copa do Mundo, JF Vôlei na Superliga e futebol de JF com futuro incerto

Atletas olímpicos, futebol de base em ótimo momento e reformas de equipamentos esportivos também são destaques


Por Vinicius Soares e Davi Sampaio

04/01/2026 às 06h00

No ano de 2026 acontece um dos maiores eventos esportivos do planeta: a Copa do Mundo de futebol masculino, sediada nos Estados Unidos, no México e no Canadá. O próximo ano ainda tem importantes acontecimentos para o esporte local: o futebol de base estará na elite estadual em diferentes categorias, vivendo o oposto dos times profissionais, que têm futuro incerto na última divisão mineira. Ainda falando de modalidades coletivas, o JF Vôlei disputa a segunda metade do calendário da temporada 2025/2026 e tenta escapar da queda na Superliga, enquanto, nos esportes olímpicos, atletas da região seguem com calendário movimentado. Ainda há a expectativa para inauguração de diferentes equipamentos esportivos na cidade em 2026.

Copa do Mundo

Do dia 11 de junho a 19 de julho, o mundo do futebol estará de olho no que acontecerá nos gramados dos estádios de Estados Unidos, México e Canadá, países que receberão a maior edição de Copa do Mundo da história, com 48 seleções. O Brasil está no Grupo C, juntamente com Marrocos, Escócia e Haiti, que retorna a um mundial após 52 anos, quando disputou a sua primeira e única edição da competição, em 1974, na Alemanha.

Apesar de estar situado no Mar do Caribe, na América Central, o Haiti possui uma relação muito próxima com o Brasil por conta do futebol. Em 2004, a Seleção Brasileira, campeã mundial vigente à época, foi a Porto Príncipe enfrentar a seleção haitiana em um amistoso que ficou conhecido como “O Jogo da Paz”, com o objetivo de promover o desarmamento da população. Na ocasião, o Brasil venceu por 6 a 0, com três gols de Ronaldinho Gaúcho, dois de Roger e um de Nilmar.

A relação entre Haiti e Brasil através do futebol também passa pela história do técnico juiz-forano Rafael Novaes, que trabalhou por seis anos, de 2011 a 2017, no Pérolas Negras, clube haitiano criado pela ONG Viva Rio como projeto social para jovens afetados pelo terremoto que atingiu o país em 2010. “Muito bacana que conseguimos fazer um trabalho de tantos anos e concretizar o nosso sonho, que era contribuir num processo de formação para que o Haiti voltasse a disputar uma Copa do Mundo, já que é um país tão apaixonado pelo futebol brasileiro”, celebra.

Durante sua passagem pelo Pérolas Negras, Rafael morou por quatro anos e meio no Haiti e, nesse tempo, trabalhou com alguns jogadores que hoje compõem a seleção haitiana que irá disputar a Copa do Mundo neste ano, como Carlens Arcus, zagueiro do Angers-FRA e Jean Jacques Danley, meio-campista do Philadelphia Union-EUA. “A gente sempre fica feliz acompanhando vários jogadores formados ou com passagem pelo Pérolas Negras que, hoje, estão jogando no mundo todo e ajudando o Haiti a ir à Copa”, descreve o técnico.

Brasil e Haiti se enfrentarão no dia 24 de junho, no Hard Rock Stadium, em Miami, às 19h (horário de Brasília), em jogo válido pela terceira rodada do Grupo C. Neste jogo, Rafael aponta o Brasil como amplo favorito, porém destaca que a seleção haitiana se fortaleceu nos últimos anos. “Acho que o Brasil está anos-luz à frente do Haiti, mas quem sabe. Eu vou estar torcendo pelo Brasil, mas se acontecer uma zebra, não vou ficar nem um pouco triste”, afirma.

Equipamentos da cidade

Para 2026, uma das metas da Prefeitura de Juiz de Fora (PJF) no meio esportivo é entregar novos equipamentos para a cidade. Uma das inaugurações aconteceu ainda em 2025, no dia 18 de dezembro. O espaço esportivo do Bairro Amazônia, Zona Norte, situado na Rua Camboatá, que foi construído através de investimentos anunciados pela Administração municipal em novembro de 2023 com recursos do Processo de Aceleração do Crescimento (PAC) do Governo federal, foi inaugurado e conta com 3 mil metros quadrados, com um campo de futebol society, meia quadra de basquete, um playground, pista de caminhada e jardim.

Outro equipamento que já está pronto é o Campo do Cerâmica, que recebeu gramado sintético, melhoria nos vestiários, banheiros e áreas de convivência, em um investimento total de mais de R$ 4,5 milhões para a conclusão da revitalização. De acordo com o secretário de Esportes e Lazer, Marcelo Matta, a preferência no uso do espaço será do futebol de várzea de Juiz de Fora. “As competições, como a Copa da Prefeitura de Futebol, a Copa CAEM, que a Liga de Futebol organiza, serão realizadas ali. A prioridade vai ser para esse tipo de campeonato, porque a gente não pode elitizar o espaço”, afirma.

Além deste, outros quatro campos, dos Bairros Linhares, São Benedito e Granjas Bethânia e Dom Bosco, também serão revitalizados. Conforme Matta, os projetos arquitetônicos de todos já estão prontos, mas ainda não há data prevista para o início e conclusão das obras.

O Centro Comunitário pela Vida (Convive) é outro projeto que faz parte da pauta da Secretaria de Esportes e Lazer (SEL) desde o início do novo mandato, em janeiro de 2025. O equipamento, semelhante ao do Bairro Amazônia, será construído no Parque das Águas. Matta revela que a iniciativa é oriunda do Ministério da Justiça, que enviou uma comissão ao local para vistoriar o espaço. “É a última etapa para dar início ao projeto. É um projeto que não é desenvolvido com a Prefeitura, ele vem pronto de Brasília, através do PAC 1”, diz o secretário.

Com relação ao Estádio Municipal Radialista Mário Helênio, Matta o avalia como “muito bem utilizado”, mesmo com o espaço recebendo apenas seis jogos oficiais de futebol profissional em 2025. “Após a pandemia, o estádio tinha uma relação custo-benefício muito ruim. Hoje, o Estádio Municipal atende as categorias sub-14, sub-15, sub-17 e sub-20. Ele atende jogos dos projetos esportivos de futebol da Prefeitura. A gente ocasiona experiências muito positivas para esses meninos dos diferentes núcleos de futebol de Juiz de Fora”, detalha.

marcelo matta by bernardo marchiori 15
Marcelo Matta, secretário de Esportes e Lazer (Foto: Bernardo Marchiori)

Futebol profissional

Em 2025, o Tupynambás optou por não disputar a Segunda Divisão do Campeonato Mineiro. Com isso, ficou de fora do futebol profissional pela primeira vez desde 2016, quando a agremiação voltou a disputar competições estaduais.

Em entrevista à Tribuna à época, o presidente do Baeta, Cláudio Dias, comentou sobre a decisão. “Não iremos voltar a arriscar patrimônio, ou endividar o clube para representar a cidade sem apoio algum. É uma decisão ruim, mas sensata”. Dessa forma, é possível que o Baeta não tenha atividades profissionais também em 2026.

Já para o Tupi, a temporada foi frustrante. Em sua primeira participação na história da Terceirinha, o Alvinegro não conseguiu o acesso ao Módulo II e encerrou o hexagonal final na penúltima colocação. Foram quatro derrotas e apenas uma vitória em cinco partidas.

A eliminação amplia um período delicado vivido pelo clube. Desde 2019, o Tupi acumula rebaixamentos, dificuldades estruturais e problemas financeiros, além de crises administrativas recorrentes. São sete anos consecutivos sem títulos e sem acessos, cenário que evidencia a estagnação esportiva do tradicional clube juiz-forano.

Diante desse contexto, a diretoria busca alternativas para reestruturar o futebol profissional. O clube entrou com pedido de recuperação judicial e avalia a possibilidade de transformação em Sociedade Anônima do Futebol (SAF). A empresa Magnitude, patrocinadora do time profissional em 2025, aparece como principal interessada no projeto.

Sem o acesso em 2025, o Tupi terá novamente o desafio de disputar a última divisão do Campeonato Mineiro em 2026.

tupi
Sem sucesso em 20256, Tupi terá que disputar a Terceirinha mais uma vez (Foto: Leonardo Costa)

Futebol de base

Diferentemente do profissional, o futebol de base de Juiz de Fora viveu um ano histórico em 2025. Três equipes da cidade disputaram o Módulo II do Campeonato Mineiro: o Uberabinha sub-20 e o Sport sub-15 e sub-17, e todas conquistaram o acesso à elite estadual, com os times mais velhos ainda alcançando o título de suas categorias. Além disso, o Uberabinha sub-14, em parceria com o PSG Academy, participou da Primeira Divisão, a única competição da FMF para essa faixa etária.

Com isso, Juiz de Fora terá quatro equipes na elite da Federação Mineira de Futebol em 2026, feito inédito no futebol local. No Uberabinha, o acesso do sub-20 foi marcado por dificuldades financeiras e estruturais, com treinos realizados fora da cidade e apoio direto de pais e parceiros. Ainda assim, o clube apostou na união do grupo, no comprometimento da comissão técnica e na credibilidade construída ao longo dos anos para superar os obstáculos e alcançar o objetivo.

No Sport Club, os acessos do sub-15 e sub-17 foram resultado de um planejamento detalhado ao longo de toda a temporada. A diretoria apostou em organização financeira, definição clara de metas e alinhamento metodológico entre todas as categorias, do sub-9 ao sub-17. O trabalho integrado entre gestão, comissões técnicas e atletas permitiu que o clube executasse em campo o modelo de jogo treinado, culminando em títulos, acessos e conquistas regionais ao longo do ano.

sport. foto coast fc
Sport conseguiu acesso em duas categorias no futebol de base (Foto: Coast FC)

JF Vôlei

O começo de 2026 para o JF Vôlei será de sequência da temporada atual, uma vez que a equipe disputa o segundo turno da Superliga até março. O clube inicia o ano na última posição da competição, com apenas dois pontos. Diante da incerteza sobre qual divisão a agremiação disputará em 2026/27, o diretor Maurício Bara evita fazer projeções orçamentárias neste momento. “Não tem como projetar agora. Tem que, realmente, esperar o andamento desses primeiros meses do ano”, analisa.

Em situação delicada na Superliga, a prioridade para o JF Vôlei em 2026, pelo menos até março, é reverter o cenário atual e permanecer na Primeira Divisão nacional. “Vamos lutar até os últimos esforços, gastando nossas últimas energias para poder deixar o time na Superliga A”, diz Maurício.

jf volei by leonardo costa 1
Permanência na Superliga é fundamental para o desenvolvimento do JF Vôlei (Foto: Leonardo Costa)

Em 2025, além do retorno à Superliga, o JF Vôlei desenvolveu o seu trabalho com as categorias de base. Conforme detalha Maurício, a agremiação conseguiu enviar seis equipes, quatro masculinas e duas femininas, para competições estaduais. O dirigente classifica o ano da instituição como “completo” e considera que a meta para 2026 é ampliar as ações. “A gente já está fazendo um planejamento para participar de novas competições que a gente não participou ainda. Também queremos aumentar o número de atletas na nossa categoria de base, tanto masculina quanto feminina”, projeta.

Bia Ferreira

A boxeadora Bia Ferreira viveu em 2025 um ano de afirmação e desafios no boxe profissional. A baiana radicada em Juiz de Fora começou a temporada como campeã peso-leve da Federação Internacional de Boxe (IBF) e conseguiu defesas importantes do cinturão, incluindo uma luta marcante em solo brasileiro, que simbolizou a consolidação do seu nome entre as principais atletas da categoria no cenário mundial.

O bom momento, porém, teve um desfecho duro no fim do ano, quando ela foi nocauteada no quinto round pela turca Elif Nur Turhan, na disputa do cinturão peso-leve da IBF. A derrota encerrou a invencibilidade da brasileira no boxe profissional e resultou na perda do título mundial.

Com o revés, Bia Ferreira fecha o ano com cartel de oito vitórias e uma derrota. Apesar da perda do cinturão, a atleta mantém o status de referência do boxe feminino brasileiro e já projeta um retorno forte para a próxima temporada, com o objetivo de voltar a disputar o topo da categoria.

Gabrielzinho

O nadador Gabrielzinho teve mais um ano de destaque nas piscinas internacionais. Logo no início da temporada, ele brilhou na etapa da World Series em Barcelona, batendo recordes das Américas e conquistando vários ouros. O ponto alto do ano veio no Campeonato Mundial de Natação Paralímpica, em Singapura, onde Gabriel conquistou três medalhas de ouro, incluindo o tricampeonato nos 200 m livre S2, além de vitórias nos 100 m costas e 50 m costas.

Para 2026, Gabrielzinho chega ainda mais consolidado como um dos principais nomes da natação paralímpica mundial. Após um 2025 de resultados expressivos, o nadador brasileiro entra no novo ciclo focado em manter a hegemonia nas provas em que é referência, seguir quebrando recordes e liderar o Brasil nas principais competições internacionais do calendário, com atenção especial às etapas da World Series e aos campeonatos globais que servirão de preparação para as próximas Paralimpíadas.

gabrielzinho. foto yan ferreira dycom sports
Gabrielzinho intensificará treinamentos visando às Paralimpíadas de 2028 (Foto: Yan Ferreira/Dycom Sports)

Luiz Maurício

Luiz Maurício viveu um ano histórico em 2025 no lançamento de dardo. O juiz-forano começou a temporada vencendo o Troféu Adhemar Ferreira da Silva e entrando no top-10 do ranking mundial logo na estreia. Em competições internacionais, ele quebrou o recorde sul-americano várias vezes, incluindo no Kip Keino Classic (86,34 m) e na etapa da Diamond League em Paris (86,62 m), conquistando um bronze entre os melhores lançadores do mundo.

O grande marco de 2025 veio em agosto, no Troféu Brasil de Atletismo, quando Luiz Maurício ultrapassou a marca dos 90 metros, lançando 91,00 m e se tornando o primeiro sul-americano a ultrapassar essa distância, além de estabelecer novo recorde continental e assumir posição de destaque no ranking mundial.

No próximo ano, o atleta foca em manter a regularidade em grandes competições, seguir disputando pódios em etapas da Diamond League e chegar como protagonista aos principais campeonatos mundiais da temporada, consolidando de vez o Brasil entre as potências da prova.