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Na orelha da bola


Por WENDELL GUIDUCCI

19/12/2013 às 07h00

desastre sim, mas também…

Um amigo meu não parava de rir. Já me enviara umas catorze mensagens no celular. Cruzeirense, um soldado da resistência mineira em uma Ubá que, como Juiz de Fora, é povoada de flamenguistas, botafoguenses, vascaínos e tricolores, estava se deleitando com a situação do Atlético ontem. E o pessoal aqui na redação também: a são-paulina, os flamenguistas, o corintiano, o tricolor, o cruzeirense lá do outro departamento… todo mundo tripudiando sobre a desgraça alheia. Tem uma aqui que se diz atleticana, mas acho que nem sabe quanto foi o jogo.

Eu, confesso, torcia pelo Atlético. Não pelo time em si, na verdade, mas pelo Ronaldinho, que acho o maior jogador em semiatividade no futebol brasileiro. E embora quisesse ver Atlético x Bayern, Ronaldinho x Ribéry, a derrota também não me doeu, e eu achei graça das piadas que pipocaram na internet tão logo o senhor Carlos Velasco Carballo apitou o fim da partida em Marrakesh. Ri pra burro.

Obviamente, ainda tentando entender o que acontecera, não vi atleticanos se manifestando. Mas gostaria de sublinhar uma coisa, sem hipocrisia ou condescendência: o fiasco na África não apaga a fabulosa campanha do Atlético na Libertadores da América, o mais eletrizante campeonato de futebol do planeta. Quem já ganhou o torneio sabe muito bem que, perto dele, o Mundial é só a cereja do bolo: agrada mais pela cor do que pelo sabor.