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Na orelha da bola


Por WENDELL GUIDUCCI/EDITOR

19/06/2013 às 07h00

O que não se vê

Aí o pessoal reclama dos novos estádios, essas ilhas de luxo flutuantes sobre o mar de pobreza. Como se fosse novidade, como se não houvesse, desde o tempo do Epa nessa Terra de Santa Cruz, os palacetes flutuando sobre lagos de miséria onde nadamos todos cada um por si e deus que se salve se puder. O problema não é o estádio. Muito menos o que se desenrola dentro dele. Não é o que se vê. É o que não se vê.

Não se vê o dinheiro público empenhado nas obras, aquele que se esvaiu por esgotos habitados por ratos que todos nós conhecemos. Não se veem as obras de infraestrutura que nos foram prometidas e que viriam a reboque da Copa. Não se vê segurança nas ruas. Nem em casa. Não se veem escolas. Não se vê saúde. Não se vê punição para os parasitas dependurados publicamente nas tetas de feridas abertas da Grande Mãe Joana.

Brasileiro, no geral, ama futebol e tudo aquilo que orbita a seu redor, o batuque, a cerveja, a festa na rua. Se o desenvolvimento prometido quando o Brasil se candidatou e venceu a disputa para ser sede da Copa do Mundo de 2014 – e das Olimpíadas de 2016 – tivesse se concretizado, a gente queria Copa todo ano.