Na orelha da bola
DIGERINDO O PLACEBO
Quando o Brasil foi escolhido para ser sede da Copa do Mundo de 2014, ainda em 2007, muita gente, alguns deslumbrados, outros mal-intencionados, atribuíram grande parte do sucesso da candidatura nacional à realização dos Jogos Pan-Americanos do Rio, ocorridos naquele mesmo ano. Quatro anos depois – e não somente agora -, vemos que o evento, em termos de administração pública, foi um exemplo do que NÃO fazer para 2014 e para as Olimpíadas do Rio, em 2016.
Na última segunda-feira, o Ministério Público Federal do Rio de Janeiro concluiu que houve superfaturamento de R$ 10,4 milhões no aluguel da Vila Olímpica. Havia um orçamento, após análise feita pela Caixa Econômica Federal, prevendo a utilização de R$ 14,6 milhões para bancar a hospedagem de atletas nos 1.490 apartamentos disponibilizados. No fim das contas, a construtora recebeu R$ 25 milhões pelo aluguel. E isso refere-se só à Vila Olímpica. É o que foi nos permitido enxergar até aqui.
Há também a questão do péssimo planejamento relativo aos equipamentos esportivos. Casa do Botafogo, que arrendou a arena, o Estádio Olímpico João Havelange, o popular Engenhão, ganhou o apelido de Vazião: mal localizado entre as apertadas ruas do Engenho de Dentro, não lota nem em final de campeonato. Aquele monte de cadeiras azuis já rendeu até outro apelido: Viagrão. O gramado, eventualmente um areão, para continuar nos superlativos, é alvo de críticas constantes de atletas e treinadores. E agora também deu para apagar as luzes às vésperas do aniversário de quatro anos. Só esqueceram das velas.
Outro equipamento, a Arena Multiuso, que virou Arena HSBC, recebeu um único jogo este mês, entre Flamengo e Franca, pela NBB. O outro evento foi um show. E da Miley Cyrus. Sábado tem do McFly, a quem interessar possa.
Para 2014, o orçamento do Maracanã já pulou de R$ 600 milhões para R$ 956.787.720,00. E o ministro Valmir Campelo vem a público dizer que o Tribunal de Contas da União tem de ser flexível. Imagino o contorcionismo que vai ser necessário para investir de forma emergencial em aeroporto, estrada, metrô, segurança pública…
E a nação vai ficar reclamando sentada, digerindo o placebo entre um gole e outro de cerveja na mesa do bar antes que comece o próximo jogo.









